Adel realiza I Seminário Cearense de Meliponicultura

Na última sexta-feira (30/09), aconteceu em Umirim/CE, o I Seminário Cearense de Meliponicultura. O evento ocorreu no IFCE – Campus Umirim e abordou o tema “A Meliponicultura como uma prática de preservação da Caatinga”.

O evento reuniu pesquisadores, estudantes e meliponicultores do Estado que discutiram a importância da meliponicultura, ou seja, a criação racional e manejo de meliponíneos – abelhas sem ferrão. A atividade é desenvolvida com o objetivo principal de produzir mel, e em um processo de expansão, para polinização agrícola, preservação e promoção do desenvolvimento sustentável.

No Brasil, a meliponicultura é desenvolvida em várias regiões do País, contribuindo para a conservação das abelhas e de seu habitat. As regiões Norte e Nordeste têm grande destaque na criação destas espécies. O Ceará apresenta alto potencial para atividade que vem crescendo nos últimos anos.

Durante o Seminário Cearense de Meliponicultura, cerca de 130 participantes destacaram que a meliponicultura é uma opção de diversificação da agricultura familiar. Também foi ressaltado a importância da produção de mel de abelhas sem ferrão seguir três diretrizes: a preocupação ambiental, social e econômica.

Oficina Recuperação de pastos apícolas com o Prof. Jorge Alberto - IFCE Campus Umirm

Oficina Recuperação de pastos apícolas com o Prof. Jorge Alberto – IFCE Campus Umirm

A programação do evento foi composta por palestras, oficinas e painéis. No período da manhã aconteceu as palestras: Abelhas sem ferrão (meliponíneos) e a caatinga: um olhar para o futuro; e, Diagnóstico da Meliponicultura no Estado do Ceará. Ambas, apresentaram a importância das abelhas sem ferrão para o bioma caatinga, expondo o viés ambiental, social e econômico da relação abelha x caatinga e o panorama geral da criação de abelhas sem ferrão no Estado.

Jânio Felix, doutorando em zootecnia na Universidade Federal (UFC), estudioso do tema e sócio da Associação Cearense de Meliponicultores (ACMEL) ao apresentar o diagnóstico da atividade no Ceará, destacou que atividade se fortalece a cada ano. No período de 2013 e 2014 ele identificou 159 meliponicultores localizados em 52 municípios do Estado. “Esse número vem aumentando e hoje contamos inclusive com uma Rede de Meliponicultores – a Rede Néctar do Sertão”, ressalta.

Oficina Técnicas de Multiplicação de Enxames com Epifânia Macêdo, doutoranda em zootecnia/UFC

Oficina Técnicas de Multiplicação de Enxames com Epifânia Macêdo, doutoranda em zootecnia/UFC

À tarde, aconteceu três oficinas e o painel de apresentação de experiências. As oficinas foram ministradas por professores do IFCE – Campus Umirim e por estudantes de doutorado em zootecnia da Universidade Federal do Ceará (UFC). As oficinas foram sobre algumas temáticas que os meliponicultores veem como desafios para atividade, dentre elas: nutrição de abelhas sem ferrão, multiplicação de enxames e o combate ao desmatamento através do plantio de plantas apícolas.

Experiências com meliponicultura

As experiências de criação de abelhas sem ferrão apresentadas foram a Associação Cearense de Meliponicultores (ACMEL) e a Rede Néctar do Sertão. Ambas atuam no Ceará com o objetivo de agregar valor à produção e fortalecer a atividade. José Fabião, Presidente da ACMEL, destacou o trabalho da organização criada em 2013, em prol da legislação da atividade e a realização do evento.

Sócios da Associação Cearense de Meliponicultores (ACMEL)

Sócios da Associação Cearense de Meliponicultores (ACMEL)

 

“Esse evento marca a história da atividade de meliponicultura em nosso Estado. Me sinto muito feliz em fazer parte desse marco e agradeço a Adel por ter protagonizado esse I Seminário da Meliponicultura no Ceará. Sei que precisamos nos emprenhar cada vez mais para tornar a atividade abrangente e conhecida, de forma que possamos perpetuar essa prática sustentável de criação racional das abelhas sem ferrão”, relatou José Fabião.

A experiência da Rede Néctar do Sertão, empreendimento coletivo que busca fortalecer a cadeia produtiva do mel de forma agroecológica com a finalidade de incentivar o desenvolvimento comunitário e a conservação da natureza em comunidades rurais do Vale do Curu foi apresentada pelo articulador Neto Ribeiro.

 

Participantes do I Seminário Cearense de Meliponicultura

Participantes do I Seminário Cearense de Meliponicultura

 

A Rede Néctar do Sertão tem atuação no território do Vale do Curu (Apuiarés, Pentecoste, General Sampaio, Tejuçuoca, Umirim, São Luís do Curu, São Gonçalo do Amarante, Paraipaba, Paracuru, Paramoti, Canindé, Caridade, Itatira, Irauçuba e Itapajé), mas reúne atualmente 52 produtores de dois municípios – Apuiarés e Pentecoste.

Para Anderson Vieira, mestre em zootecnia e técnico de campo da Adel, o evento possibilitou muitas trocas de saberes. “O encontro foi de extrema importância para o conhecimento de todos, as pessoas que participaram trocaram experiências e que sabiam sobre a atividade, desde as formas de se criar e produzir o mel até a importância que essas abelhas apresentam para a sociedade de uma forma geral”.

O evento foi realizado pela Adel com o apoio da Associação Cearense de Meliponicultura (ACMEL), Rede Néctar do Sertão, Instituto Federal Ceará – Campus Umirim (IFCE), e, Universidade Federal do Ceará (UFC). E com a parceria da Bovespa Social e do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) por meio do Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-ECOS).

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