Jovem empreende e é referência na comunidade

jovem

Francisco Heitor Vieira, 25, nasceu e cresceu na comunidade de Xixá, Pentecoste. É o caçula de cinco irmãos e aprendeu desde pequeno a lidar com a terra com os pais, Antônio Sinval e Maria Vieira. Filho de agricultores, ele e os irmãos sempre trabalharam na agricultura.

Aos vinte anos, quando concluiu o Ensino Médio, Heitor ficou dois anos apenas ajudando sua família e fazia alguns cursos no município. Um deles, o de recepcionista, o qual não se identificou, e que lhe fez seguir a dica de um amigo de procurar o Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel.

Tímido, logo no início do Curso de Empreendedorismo e Gestão de Negócios, imaginou que teria muitos desafios para empreender. Entretanto, ao longo da formação percebeu que o curso ampliava sua atuação na comunidade e lhe motivava a ajudar outras pessoas. “Nunca pensei em ser um jovem ativo na minha comunidade, sempre fui inibido, agora sou visto por todos como um empreendedor, uma referência, principalmente pela minha família”.

Antes de ingressar no PJER, Heitor também trabalhava para outros produtores colhendo pimenta. Ele conta que ganhava muito pouco e mesmo o pai produzindo coco e a mãe sendo aposentada, tinha a necessidade de ter uma renda melhor. Algo que lhe trouxesse segurança e permitisse concretizar seus sonhos – um deles o de cursar uma faculdade.

Heitor (ao centro)  com os pais Antônio Sinval e Maria Vieira

Heitor (ao centro) com os pais Antônio Sinval e Maria Vieira

 

Em 2014, quando ele concluiu a formação empreendedora na Adel, planejou realizar na propriedade da família um aviário. Pela análise do mercado e condições climáticas da região, viu que a avicultura poderia ser um bom investimento. Com o apoio do Fundo Veredas da Adel fez dois aviários, comprou pintos, insumos e investiu no seu negócio intitulado “Frango histórico”.

Após quatro meses começou a fornecer frango para moradores da comunidade, mercearias e para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) de Pentecoste. Sua renda triplicou e, recentemente, ele ingressou no Curso de Administração para melhor gerir o seu negócio.

Heitor conta que o Programa não lhe proporcionou somente ter o próprio negócio, mas a liberdade e autonomia para fazer o que gosta. “Mudou muito as coisas lá em casa neste dois anos, agora tenho autonomia financeira, não muito, mas posso comprar minha própria roupa, sair com os amigos, e o melhor de tudo, pagar minha faculdade, isso me deixa muito feliz e corajoso”.
Heitor com o pai no aviário

Heitor com o pai no aviário

D. Maria Vieira, mãe do jovem afirma que ele é mais ativo e tornou-se referência na comunidade. “Meu filho mudou muito, fico feliz de vê-lo participar de atividades na comunidade e está trilhando o próprio caminho, sou muito grata a todos que o ajudaram”.

Perspectivas

No futuro, Heitor pretende comprar um maquinário para fazer a ração na propriedade, aumentar a produção de frango para atender melhor o mercado local e comercializar os produtos através da Caroá – Cooperativa de Jovens Empreendedores Rurais, que ele e outros jovens do território estão articulando.

Heitor acredita que através da faculdade, do apoio da família, da Adel e da Cooperativa possa ser referência na área. “Quero ser um dos maiores produtores da região, quero construir mais espaços na minha propriedade que fortaleça o negócio. Minha família e a Adel já tem me ajudado muito e agora tem a Cooperativa que veio somar com meu sonho”.

Heitor com os pais Antônio Sinval e Maria Vieira

Heitor com os pais Antônio Sinval e Maria Vieira

Heitor é um dos jovens beneficiados pelo Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel que conta este ano, com o apoio do Instituto Carrefour, Manos Unidas, Instituto Oi Futuro, Fundação Interamericana, Fundo Caixa Socioambiental e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante.

Jovem monta marcenaria e colabora com o desenvolvimento local

Joilson Marques, 25, mora na comunidade de Lagoa das Pedras/Apuiarés, decidiu ao participar do Programa Jovem Empreendedor Rural, montar uma marcenaria na comunidade. Sócio da Associação de Apicultores de Lagoa das Pedras viu na apicultura uma oportunidade para empreender.


Filho de pais agricultores, desde criança foi estimulado a trabalhar e ganhar seu próprio dinheiro. Ele conta que a ideia de fabricar e comercializar móveis e equipamentos apícolas (colmeias, ninhos, melgueiras, quadros e telas excluidoras) veio do seu próprio envolvimento com as atividades da Associação de Apicultores e do desejo de ter sua própria renda.

Joilson aprendeu algumas técnicas de marcenaria com um amigo marceneiro ainda nos tempos de colégio. Ao concluir o Ensino Fundamental, começou a auxiliar seu amigo para obter uma renda. Entretanto, ele logo percebeu que não era viável e voltou a ficar integralmente em casa ajudando os pais na agricultura e fazendo alguns “bicos” como servente de pedreiro.

Joilson Marques e seus pais, Valmir Soares e Maria Adélia 

Em 2011, Joilson juntou suas economias, acessou o Fundo Veredas, estratégia da Adel para apoiar a abertura e o desenvolvimento de empreendimentos de jovens empreendedores rurais, e decidiu criar seu próprio empreendimento. Construiu um pequeno galpão no quintal de casa, comprou equipamentos básicos e começou a produzir alguns móveis (guarda-roupas, mesas e cadeiras).

“Sempre tive muita vontade de aprender todas as técnicas de marcenaria. Apesar de não saber todas, fui recebendo encomendas e afirmando para os clientes que eu já sabia, acredito que foi esse o segredo do meu empreendimento ter dado certo”.

Os primeiros clientes do jovem foram os próprios moradores da comunidade. “Como eu trabalhava como servente, já conhecia muita gente e eles ficaram interessado no meu trabalho. Assim, muita gente encomendou móveis, colmeias e demais equipamentos para produção de mel.”

Colmeias produzidas por Joilson

Desde 2009, Joilson participa da Associação de Apicultores de Lagoa das Pedras e hoje os principais produtos que ele faz é para os apicultores e meliponicultores da comunidade e região. Integrante da Rede Néctar do Sertão, empreendimento coletivo que busca fortalecer a cadeia produtiva do mel de forma agroecológica do Vale do Curu, ele enxerga que aliar as duas atividades é bastante viável.

Atualmente, Joilson tem dez colmeias de jandaíra, dezoito apis e produz móveis e equipamentos apícolas na comunidade. Em 2014, conquistou o 2º lugar do Prêmio A Nova Cara do Sertão promovido pela Adel e seu empreendimento busca futuramente reaproveitar a matéria-prima local.

Perspectivas

Com o surgimento da Rede Néctar do Sertão em 2014, Joilson acredita que as demandas por produtos apícolas vão aumentar e será possível integrar as duas atividades em sua propriedade – marcenaria e produção de abelhas. 

Joilson Marques na Marcenaria

“Com as atividades de apicultura e meliponicultura na comunidade, os moradores começaram a comprar e buscar as colmeias para ajudar na produção do mel. Diante da procura de mel, da mobilização de outras pessoas da comunidade e da Rede Néctar do Sertão eu vejo que as demandas vão aumentar”.

A Rede Néctar do Sertão é composta por 50 produtores de mel e atua em todo o território do Vale do Curu (Apuiarés, Pentecoste, General Sampaio, Tejuçuoca, Umirim, São Luís do Curu, São Gonçalo do Amarante, Paraipaba, Paracuru, Paramoti, Canindé, Caridade, Itatira, Irauçuba e Itapajé). A Rede é um espaço de articulação entre grupos comunitários formais e informais que atuam na apicultura e meliponicultura.

Jovem realiza o sonho de ser empreendedora

O desejo de ser empreendedora sempre foi o sonho da jovem Maria das Luzes Castro Soares, 19, conhecida por todos como Romênia, primeiro nome que os pais haviam escolhidos antes do seu nascimento. Residente na comunidade de Núcleo B, Pentecoste, ela é a terceira filha do casal de agricultores Carlos Alberto e Maria da Conceição.

Seus pais contam que desde pequena, Romênia era muito autônoma para estudar e buscar seus objetivos. Quando criança “negociava” com os amigos os brinquedos e fazia bingos de doces. Na adolescência vendia cosméticos para adquirir seu próprio dinheiro.

Segundo D. Maria da Conceição, mãe de Romênia, a filha sempre gostava de assistir TV e brincar com os poucos amigos que tinha na comunidade. “Eram poucas crianças, pois a comunidade até então era muito pequena e havia poucas famílias”. Além dos desenhos, o outro passatempo da filha eram as notícias sobre o campo que assistia com o pai.

“Gostava de assistir desenhos, mas ficava encantada em ver aqueles programas de negócios, como o Globo Rural e o Pequenas Empresas e Grandes Negócios. Só eu e meu pai assistia, minha mãe e minhas irmãs não gostavam muito, e com o tempo fui ficando mais interessada com o que via, é muito legal você ganhar seu próprio dinheiro”, diz Romênia.

Romênia e o seu pai, Sr. Carlos Alberto
A primeira atividade empreendedora da jovem foi aos 12 anos. Na época fazia bingos de doces com os amigos. Romênia conta sorridente que esta brincadeira era muito legal. “Além dos doces que minha mãe fazia, eu também pegava coisas que ganhava ou comprava pra sortear e gerar mais dinheiro”.
No ano seguinte, Romênia começou a vender cosméticos em parceria com uma moradora da comunidade. Essa atividade aumentou a renda e também as aprendizagens. “Aprendi muito naquela época com a venda de cosméticos. Foram três anos de vendas, encerrei no primeiro ano do Ensino Médio porque descobri que minha parceira me enrolava (risos)”.
Após concluir o Ensino Médio, em 2013, Romênia ingressou no curso de Serviço Social e através dos amigos da faculdade soube da existência da Adel e do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER). De imediato ela não teve interesse de participar do Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios do PJER. Não sabia como conciliar a faculdade com outra formação, mas o estímulo da família e o sonho adormecido de empreender levou a jovem à participar da seleção e ingressar no Programa.
Romênia apresentando a produção de mamão

Para Romênia, a decisão de fazer os dois cursos ao mesmo tempo foi um desafio bastante válido. “Foi complicado participar da formação, mas valeu muito a pena cada semana que passei lá (Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios do PJER). O curso proporciona muitas atividades que estimula não só aprender a negociar ou gerenciar, mas também incentiva o lado social de empreender e que podemos ajudar não só a nossa família, mas também a comunidade”.

Mudanças

Após concluir o Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios, Romênia acessou uma linha de crédito do Fundo Veredas, estratégia da Adel para apoiar empreendimentos de jovens rurais no semiárido cearense. Ela investiu na produção de mamão, empreendimento agrícola que condiz com as condições climáticas da comunidade, e conta com a parceria do seu pai.

Durante o Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios Romênia identificou esta oportunidade e mesmo com os desafios de acesso à água ela não hesitou em começar o negócio. “Inicialmente não imaginava que iria se identificar com um negócio agrícola, mas depois de muito estudo enxerguei o mamão como uma atividade viável para minha propriedade. Estamos com dez meses de negócio iniciado e quatro meses de produção, a renda ainda é pequena mas já estamos escoando a produção”.

Romênia no seu empreendimento

Seu Carlos Alberto, pai e parceiro da filha no empreendimento, ressalta orgulhoso a decisão da jovem. “Minha filha é muito importante para mim, pois ela permaneceu próximo da família e de mim. Investiu em um negócio que eu ajudo e que beneficia toda a nossa família. Sou grato pelo curso e pela pessoa que ela se tornou”.

O empreendimento de Romênia tem pouco menos de um hectare e conta com 450 mamoeiros. Atualmente a produção é comercializada no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) de Pentecoste, mas ela pretende alcançar novos mercados através da Caroá – Cooperativa de Jovens Empreendedores Rurais do território.

Romênia é uma das jovens beneficiadas pelo Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel que conta este ano, com o apoio do Instituto Carrefour, Manos Unidas, Instituto Oi Futuro, Fundação Interamericana, Fundo Caixa Socioambiental e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante, com o patrocínio da Petrobras.

Diretor de Relações Institucionais da Adel conduz Tocha Olímpica

Hoje (07/06) a chama olímpica está nas ruas do Ceará e será conduzida a partir das 10h53min, pelo co-fundador e Diretor de Relações Institucionais da Adel, Wagner Gomes. Ele participa do revezamento da Tocha Olímpica, em Aquiraz/CE.

O Diretor de Relações Institucionais da Adel foi um dos selecionados para o revezamento da Tocha Olímpica Rio 2016 organizado pela Nissan. A campanha de recrutamento “Quem se atreve” da Nissan mostra que atrevimento é uma atitude que faz parte dos jogos olímpicos e também do cotidiano dos brasileiros.

Wagner Gomes e os demais jovens, filhos de agricultores rurais de Pentecoste e Apuiarés, que criaram a Adel em 2007 são brasileiros “atrevidos” que estão dando uma Nova Cara ao Sertão. Os jovens que fundaram a Adel juntamente com Wagner, tiveram a atitude de inverter a lógica do processo de migração dos jovens rurais.

Time Adel
Eles decidiram, há oito anos, após cursar a graduação na capital do estado, Fortaleza, retornar para suas comunidades, empreenderem e contribuir com o desenvolvimento local. Inicialmente, eles trabalharam com agricultores familiares e em seguida, com jovens empreendedores rurais da região, que viram assim como eles que o Sertão é uma terra de oportunidades.

Através desta atitude, 630 jovens empreendedores rurais e 1.200 agricultores familiares de 10 municípios cearenses (Pentecoste, Apuiarés, Tejuçuoca, General Sampaio, São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu, Paracuru, Caucaia, Umirim e Itarema) são beneficiados com os projetos e programas da Adel.

A Adel é uma organização sem fins lucrativos, com sede em Pentecoste/CE, que tem como missão promover o desenvolvimento local de comunidades rurais através do empreendedorismo e do protagonismo social de jovens e agricultores.

Sobre o revezamento da Tocha Olímpica 2016

A tocha desembarcou primeiro em Brasília, no dia 3 de maio, vinda da cidade de Olímpia, na Grécia. O símbolo está seguindo um trajeto de 20 mil quilômetros por cerca de 500 cidades brasileiras até chegar ao Rio de Janeiro, sede dos jogos.

No Ceará, a primeira parada do símbolo olímpico aconteceu hoje (07/06) em Aracati, vinda do Rio Grande do Norte. Durante o dia, a tocha passa por Aquiraz e Fortaleza. Depois, o revezamento segue por Caucaia, Itapajé, Irauçuba, Forquilha e Sobral. No último dia (09/06), o revezamento encerra em Massapê, Granja, Camocim e Barroquinha.

Até agosto, 327 cidades brasileiras serão contempladas, passando pelas mãos de 12 mil condutores até chegar ao Estádio Maracanã, local onde será acesa a Pira Olímpica e celebrada a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Jovens participam do quarto módulo do curso empreendedorismo e gestão de negócios

Entre os dias 16 e 20/05, a Adel realizou o quarto módulo do Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios do Programa Jovem Empreendedor Rural no Centro de Formação do Jovem Empreendedor Rural, em Sororoca, São Gonçalo do Amarante.

Vinte e nove jovens de seis municípios cearenses – São Gonçalo do Amarante, Caucaia, Umirim, Paracuru e Apuiarés, participaram da formação. Além de estudarem sobre os eixos temáticos: Matemática Financeira, Contabilidade e Gestão de Custos, os jovens participaram na quinta-feira (19/05), da oficina sobre criação e inovação.

A oficina foi ministrada pela empreendedora e Designer de Produtos Luly Viana, da Saissu, empresa que trabalha com o conceito de consumo consciente e Thiago Cavalli, da ONG Casa do Rio, com sede no município de Careiro, Amazonas.

Luly e Thiago vieram ao Ceará junto com os jovens Tupigá – Arlesson e Florian, público beneficiado da Casa do Rio. O grupo veio conhecer o trabalho da Adel e na oportunidade compartilharam seus conhecimentos e experiências com os jovens do Programa Jovem Empreendedor Rural.

Oficina sobre criação e inovação
Durante a oficina com os jovens empreendedores rurais, Luly Vianna, dona da marca Saissu, empresa que produz produtos totalmente artesanais, contou aos jovens o que lhe motivou a empreender e discutiu como é possível inovar a partir das oportunidades do próprio lugar.
Luly relatou sua trajetória na Saissu e Thiago Cavalli falou dos projetos com a ONG Casa do Rio. As motivações da Luly vieram de uma inspiração cotidiana. “Vi umas tiras de borracha na rua (pneu), e posteriormente, imaginei um homem andando com uma bolsa feita daquele material”.

A partir desta inspiração, Luly começou a despertar o seu interesse por moda e pelas questões ambientais. A Saissu surgiu dessa ideia e ela começou a estudar sobre o descarte e a reciclagem de pneus. “Fiz inúmeras pesquisas para o beneficiamento do produto com o objetivo de reciclar as peças, testando inúmeras vezes, buscando alcançar o melhor produto”. 

Após compartilhar através de fotos os produtos da Saissu Designer e outras ideias de negócio criativas e inovadoras, os facilitadores da oficina – Luly Viana e Thiago Cavalli trabalharam com os jovens a ideia de negócio a partir dos seguintes elementos (cobra grande, ata, mandacaru, vaqueiro) que surgiram durante a apresentação dos jovens. A ideia foi discutir a importância de pensar ideias criativas e inovadoras, valorizando a cultura e tradições locais.

Na tentativa de agregar valor aos produtos e a marca, cada grupo buscou criar uma história para os negócios a partir dos seguintes pontos: 1 – Nome do empreendimento; 2 – Logomarca; 3 – Slogan. A atividade foi bastante dinâmica e criativa. Surgiram 4 ideias de negócios: Barbearia cobra grande, Ovilã, Panificadora Mandacaru e Natus Cosméticos.

Segundo o jovem Marcosuel Bastos, da comunidade de Jardim do Meio, Paracuru, que pretende investir em uma Barbearia, a oficina lhe motivou muito. “A participação do pessoal da Casa do Rio e a oficina foi de um aprendizado imenso, saber de histórias como a da Lully foi muito motivador, é sempre bom conhecer ideias de negócio inovadoras que surgem do nada, e ainda mais quando se preocupa com o meio ambiente, o designer de sua marca simples mais objetiva me fez perceber que o simples também pode ser impactante aos olhos de uma pessoa”.

Apresentação dos jovens

Após apresentação dos jovens, Luly e Thiago ressaltaram a importância de inovar e investir nos estudos. “Muitos desafios virão, mas depende muito da forma de como você os encara, foi longo o percurso até aqui, aprendi a inovar, negociar e principalmente a se reinventar. Fiquem atentos a tudo, toda informação bem interpretada é útil, não deixem passar nada despercebido, invistam nos estudos, aproveitem as tecnologias e fiquem por dentro da moda, é importante está sempre atualizado. Por fim empreendam, sejam donos de seus negócios, é muito bom”, ressaltou Luly.

Este ano, o Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel conta com o apoio do Instituto Carrefour, Manos Unidas, Instituto Oi Futuro, Fundação Interamericana, Fundo Caixa Socioambiental e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante, e, com o patrocínio da Petrobras para realização do programa.

Casal empreendem juntos após ingresso no Programa Jovem Empreendedor Rural

Michel Barbosa Moreira, 28, conhecido como Xexel, e Maria Aparecida Sousa, 25, trabalham juntos no empreendimento Xexel do Camarão, em Paracuru. A decisão do casal de empreenderem juntos veio após o ingresso de Michel no Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel.

Michel é o filho caçula de três irmãos e desde criança acompanhou o pai na venda de peixes. Seu João Xavier, dono há mais de trinta anos de um box no mercado central de Paracuru, conta que criou todos os filhos graças a este negócio. Mas a família nunca viu a atividade como um negócio sustentável.

Somente Michel seguiu o ofício do pai e fortaleceu o desejo de um dia abrir seu próprio negócio no local. Os dois outros irmãos cedo começaram a trabalhar em outras áreas e Michel aos 25 anos abriu a peixaria Xexel do Camarão em um box vizinho ao do pai. A decisão do jovem de trabalhar por conta própria veio acompanhada da necessidade de ter sua própria renda familiar.

Peixaria Xexel do Camarão

Entretanto, ele continuou vendendo os peixes sem planejamento. A administração do negócio e os
investimentos em marketing e comunicação eram praticamente inexistentes. Michel também não imaginava que era estratégico a vinda da esposa para auxiliar na gestão do negócio.”Eu não via que era possível eu e minha esposa trabalhar juntos e ter nossa própria renda”.

Aparecida Sousa trabalhava como operadora de caixa em um empreendimento particular da cidade e já tinha noções básicas de gestão. Mas, nem ela e nem e o esposo viam que juntando suas expertises poderiam ampliar a peixaria e a renda familiar. Em busca de cursos para se especializar na área de gestão, Aparecida soube das inscrições do Programa e logo viu a possibilidade de Michel participar.

“Incentivei imediatamente o Michel a ir participar do curso no meu lugar. Apesar do meu interesse enxerguei que era bem melhor para ele, tinha a questão do tempo livre e eu não podia, então falei do Programa e que ele precisava daquela capacitação, era uma boa oportunidade”.

Mudanças


Apesar de Michel ter aprendido muito com seu pai sobre a atividade ele conta que por diversas vezes não obteve lucro necessário para investir no negócio. Quando teve a oportunidade de fazer o Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios do Programa Jovem Empreendedor Rural as mudanças começaram a vim.

Durante o curso, Michel aprendeu como gerenciar melhor o seu negócio e percebeu a importância de investir em comunicação e marketing. Ele planejou e decidiu investir na imagem e divulgação do empreendimento. Criou sua própria marca, produziu panfletos e fez anúncios em jornais, rádios e revistas da cidade para divulgar os produtos.

“Antes não tinha noção da importância do marketing. É muito importante, abrange não só a comunidade local, mas também clientes de fora. Investi em várias ações que desse mais visibilidade para o meu negócio, e hoje sei que tudo isso é o que traz mais da metade da minha clientela. Tem dias que recebemos mais encomendas por telefone do que na própria peixaria. Fico até surpreso as vezes.”

Além de ampliar o empreendimento, o jovem empreendedor rural Michel conta que o relacionamento do casal melhorou. “Antes Aparecida trabalhava como operadora de caixa durante oitos horas diárias, não tinha tempo para outra atividades, as vezes no fim do dia mal conversávamos devido o tempo e o cansaço. Agora ela me ajuda na peixaria, estuda e tem mais tempo livre para sairmos juntos”.

Jovem Empreendedor Rural Michel

O atendimento na peixaria, a recepção dos clientes e a organização dos produtos também foi fundamental para o aumento das vendas. Com as orientações do Programa Michel passou a compreender o fluxo de caixa, orçamento e gestão de custos do seu negócio.

“O melhor de tudo foi a aproximação da minha esposa quanto ao meu negócio. Ela não tinha tanto interesse como tem agora. Acredito que foi a partir do conhecimento que eu repassava para ela quando chegava da formação que passamos a enxergar juntos a oportunidade que tínhamos em mãos, e que só juntos poderíamos desenvolvê-la. ”

Aparecida que acompanha de perto o esposo diz que a iniciativa da Adel contribui para a formação do jovem como empreendedor e pessoa. “O curso colaborou bastante nas mudanças da nossa família, Michel de certa forma é mais atencioso, acredito que é os momentos reflexivos que ele tanto falava que tinha lá que ajudaram a ampliar sua visão. Agora nós gerenciamos melhor nossas finanças, fico feliz por ele ter participado do programa”.

Empreendimento Xexel do Camarão

A peixaria Xexel do Camarão está localizada em um box no mercado central na sede do município de Paracuru. No empreendimento são vendidos camarões e frutos do mar, produtos com maior demanda do comércio local e principalmente dos turistas.

Michel e Aparecida atendendo uma cliente

Com apoio financeiro do Fundo Veredas, estratégia da Adel para apoiar jovens empreendedores rurais, Michel reestruturou a peixaria, diversificou os produtos e comprou mais equipamentos. O atendimento ao cliente melhorou juntamente com a renda do casal e as perspectivas futuras.

“Nossa renda e autoestima melhorou, porque cada um ganhava mais ou menos um salário mínimo. Apesar do meu afastamento do outro trabalho, estamos conseguindo obter essa renda, até mais só com a peixaria, apesar de termos mais despesas. Temos bastantes motivos agora para acreditar no sucesso do negócio. A nossa união fortaleceu o empreendimento e motivou a nossa família a acreditar também, e isso é muito gratificante” ressalta Aparecida que planeja fazer o curso em breve.

O Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) é desenvolvido pela Adel com o patrocínio da Petrobras, apoio do Instituto Carrefour, Fundação Interamericana (IAF), Oi Futuro, Manos Unidas, Fundo Socioambiental Caixa e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante.

Adel realiza oficina com jovens empreendedores

Ontem (05/05), aconteceu a oficina sobre Cooperação e Protagonismo Social com vinte jovens no Centro de Pesquisas Ictiológicas, em Pentecoste. O objetivo foi debater com os jovens como a cooperação e o protagonismo podem colaborar com o desenvolvimento do território.

A oficina abordou a temática – Cooperação e Protagonismo Social e contou com a colaboração de Raquel Ferreira, colaboradora da Adel, e Adriano Batista, diretor executivo. Segundo Adriano, os jovens do semiárido são mais resilientes e capazes de empreender a partir das oportunidades existentes. “Acredito que é possível através da cooperação e do protagonismo colaborar ainda mais com o desenvolvimento das comunidades”, ressalta.

Benedito Barbosa, jovem beneficiado

Na perspectiva de fazer um trabalho proativo e participativo na Cooperativa de Jovens Empreendedores Rurais – Caroá, iniciativa de jovens participantes do Programa Jovem Empreendedor Rural, a oficina apresentou aos jovens conceitos e habilidades que eles podem desenvolver com os cooperados, parceiros e com as comunidades do território.

Para Rayssa Duarte, jovem empreendedora, ela conheceu na oficina o conceito de cooperação. “A oficina foi um momento muito bom de esclarecimentos, vivenciamos através das atividades em equipe e dinâmicas qual o real sentido da cooperação no nosso dia a dia e como podemos aplicar na construção da cooperativa”.

Cooperativa de jovens empreendedores rurais – Caroá

Após participar do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel e com o objetivo de formar e apoiar outros jovens do território no acesso a políticas públicas de comercialização e fortalecimento da agricultura familiar da região, jovens empreendedores rurais decidiram se unir e criar uma cooperativa que viabilizasse o processo de escoamentos de seus produtos.

Jovens participantes da oficina

Desde o início do ano, os jovens começaram a pensar na constituição da cooperativa e realizar encontros no território. A partir das reuniões, a iniciativa ganhou força com o apoio da Adel e de parceiros.

Atualmente, a Cooperativa de Jovens Empreendedores Rurais – Caroá conta com o apoio da Adel e da BrazilFoundation através do Prêmio de Inovação Comunitária, o qual ficaram entre as 24 melhores iniciativas comunitárias do Brasil.

“A iniciativa se fortalece a cada encontro. São muitas ideias e objetivos traçados, um deles é fortalecer a comercialização e consequentemente termos demandas para os pequenos empreendedores. Estamos organizando e nos preparando para criarmos a cooperativa e favorecer ainda mais o desenvolvimento local das nossas comunidades”, afirma Vitor Esteves, jovem empreendedor beneficiado.

Jovens participantes da oficina

Os jovens que participam da Caroá são beneficiados do Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel, que conta este ano, com o apoio do Instituto Carrefour, Manos Unidas, Instituto Oi Futuro, Fundação Interamericana, Fundo Caixa Socioambiental e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante, e, com o patrocínio da Petrobras.

Jovem decide permanecer no meio rural após ingressar no PJER

Morando na sede do município de Paracuru, litoral oeste do Ceará, desde os três anos de idade, Mikaele de Sousa Reis, 18, não imaginava que aos 13 anos tivesse que morar na pacata comunidade de Lagoa do Mato, em São Gonçalo do Amarante.

A jovem conta que a vinda dela e da família para a comunidade foi motivada pela separação dos pais. “Foi muito difícil se adaptar, eu não queria vim para cá, vim meio que obrigada. Morava em Paracuru, um centro urbano bastante diferente, mas aos poucos comecei a me adaptar e participar de atividades na comunidade, hoje não me vejo saindo daqui. Minha mãe até pensa em voltar, mas eu não quero”.

Diferente da sede do município de Paracuru, a comunidade de Lagoa do Mato apresenta alguns desafios. O acesso à Escola, transporte, áreas de lazer e trabalho para juventude é bastante limitado e muitos jovens chegam até migrar para a cidade. No entanto, Mikaele ao ingressar no Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel viu que na comunidade existem muitas oportunidades.

Muito participativa, Mikaele começou a se engajar no grupo de jovens local e apesar das dificuldades de acesso à Escola, concluiu o Ensino Médio e fez vários cursos com o propósito de se especializar e ajudar a sua mãe. “Eu sabia das dificuldades que ela tinha para cuidar da gente sozinha e queria muito ajudar. Também sempre quis ter uma renda”.

Mikaele Reis, jovem beneficiada e D. Leda, mãe da jovem.

A mãe de Mikaele, D. Leda, fazia alguns “bicos”e vendia roupas para criar os três filhos. Mikaele por ser a filha mais velha, cedo começou a ajudar a mãe. “Quando decidi que queria empreender, inicialmente foi por necessidade, minha mãe é sacoleira e através de seu esforço conseguiu segurar a barra que foi a separação de meu pai. Vendo isso eu enxerguei que ela não sabia gerenciar bem o negócio e como eu me identificava resolvi investir na ideia de ter uma loja de roupas”.

O Programa Jovem Empreendedor Rural

Em 2015, Mikaele soube através de uma amiga, das inscrições do Curso de Empreendedorismo e Gestão de Negócios do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) desenvolvido pela Adel. De imediato, ela buscou mais informações e se inscreveu.

No início, os seus avôs e tios não lhe apoiaram. Consideravam que não era viável a sua ida para as formações presenciais. Mas, D. Leda deu todo apoio a filha e reconhece que o Programa trouxe muitas transformações para Mikaele e sua família.

“Quando vejo a Mikaele interessada em estudar, a participar de grupos religiosos e buscando algo para nos ajudar me emociona, incentivo muito a ela a investir nos seus sonhos, ela sempre enfatiza que irá me ajudar muito com os conhecimentos que aprendeu no curso da Adel”, conta emocionada D. Leda.

Mikaele e D.Leda apresentando a gestão financeira do empreendimento

Mikaele conta que no Programa Jovem Empreendedor Rural aprendeu as ferramentas básicas para empreender e compartilhar com outros jovens seus sonhos. “No curso, aprendi a lidar com as outras pessoas, com as diferenças, os conteúdos me ajudaram muito. Não era como na escola, não era uma coisa que você era obrigado a fazer, você fazia porque você queria, porque queríamos de verdade aprender”.

Após o Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios, Mikaele acessou um microcrédito no Fundo Veredas, estratégia da Adel para apoiar os jovens rurais que desejam empreender. Apresentou o plano de negócios do empreendimento “Mika Looks”, uma loja especializada em roupas femininas e com o suporte financeiro da Adel iniciou o seu negócio.

Mudanças

Com o apoio do Fundo Veredas Mikaele juntamente com sua mãe comprou mais roupas e ampliou o número de clientes. Juntas, mãe e filha continuaram trabalhando como sacoleiras e começaram a utilizar as redes sociais para divulgar os produtos.

Na comunidade, Mikaele é vista como uma jovem de sucesso e já inspirou mais duas outras jovens a ingressarem no Programa. “Hoje sou além de sacoleira, uma empreendedora. No curso compreendi e pude mostrar para minha mãe a importância do fluxo de caixa, de criar uma tabela e acompanhar a entrada e saída de produtos”.

Após dez meses de implantação do empreendimento, a vida da família mudou. O empreendimento de Mikaele ampliou e ela passou a fazer com a mãe o fluxo de caixa para acompanhar o retorno financeiro da atividade. Também o desejo da jovem de voltar para Paracuru já não é o mesmo.

“Inicialmente não me identificava com o meio rural, não queria mesmo vir para a comunidade. Aí, quando vi a chance do PJER pensei que eu poderia ser um exemplo para outros jovens na comunidade. Hoje já sou exemplo, me destaco quando falo da minha experiência no Programa”, conta entusiasmada.

A mãe orgulhosa diz que o Programa trouxe muitas transformações e Mikaele ressalta que ser o apoio financeiro é essencial para empreender. “Depois do acesso ao Fundo Veredas as coisas melhoraram. Hoje eu posso comprar o que eu quero, tenho autonomia financeira e ajudo minha família. Espero ampliar o número de clientes e ser referência para outros jovens”.

Mikaele, D. Leda e Raimundo Abreu, assessor técnico da Adel realizando a atividade de acompanhamento aos jovens

O Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) é desenvolvido pela Adel com o patrocínio da Petrobras, apoio do Instituto Carrefour, Fundação Interamericana (IAF), Oi Futuro, Manos Unidas, Fundo Socioambiental Caixa e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante.

Jovem empreende e inspira outros jovens de sua comunidade

Benedito Barbosa Marques, 21, é um dos treze (13) filhos do casal de agricultores, Antônio e Maria de Fátima e mora na comunidade de Carnaúba, em Umirim/CE. Desde pequeno, ele e os irmãos foram estimulados pelos pais a trabalharem na agricultura.

O pai, seu Antônio, lembra saudoso do tempo em que ele, a esposa e os filhos iam trabalhar juntos. “Nós e os meninos saia cedinho para o roçado, não existia tempo ruim, toda manhã acordávamos cedo para fazer alguma coisa”.
O tempo passou e a rotina da família foi se modificando. Dona Maria de Fátima, que de vez em quando ajuda o esposo na agricultura, foi aprovada em concurso municipal e tornou-se auxiliar de serviços gerais na Escola da comunidade. Alguns filhos casaram, outros foram morar nos centros urbanos, Benedito e os dois irmãos mais novos permaneceram com os pais.
Motivado pelos pais, Benedito sempre procurou conciliar os estudos com o trabalho para ajudar no sustento da casa. Quando cursava o Ensino Médio, Bené teve que se ausentar temporariamente das atividades agrícolas. A Escola ficava distante da comunidade e como sua mãe conseguiu no colégio um expediente para um de seus filhos lhe ajudar, ele começou a trabalhar com ela nesse período.
Benedito Barbosa, Dona Maria de Fátima, David (sobrinho) e seu Antônio (da esquerda para a direita)
“Um a um, eu e meus irmãos foram passando por esse emprego, até que chegou minha vez. Foi o meu primeiro emprego, passei três anos como auxiliar, varrendo, enxugando, e por fim consegui ser monitor de um projeto que ajudava jovens na alfabetização, daí surgiu a vontade de melhorar minha comunidade”.
Em 2014, Bené começou o curso de Pedagogia à distância na Universidade Federal do Ceará (UFC) e tentou conciliar os estudos com algum trabalho para obter uma renda. Durante dois anos, trabalhou em vários estabelecimentos no município, mas nenhum correspondeu aos seus anseios. Ele queria continuar os estudos, trabalhar e colaborar com outros jovens. “Suas ideias era de um empreendedor”, disse uma amiga.
Oportunidade de empreender
Uma amiga de Benedito que conhecia os seus projetos de vida soube das inscrições do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) no município e indicou para ele, que não hesitou em conhecer a ideia. De imediato, Bené apostou que o empreendedorismo seria uma estratégia para alcançar seus objetivos: ter independência financeira, continuar morando na comunidade e inspirar outros jovens.
“A necessidade de ser independente, ajudar minha família e aprender mais, me convenceu imediatamente a participar do PJER e tentar conciliar mais uma atividade nos meus dias de trabalho. No início de 2015 me inscrevi, fui selecionado e ingressei em mais uma jornada, que me proporcionou um leque de oportunidades que até então não compreendia”.
No curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios do Programa, Bené foi instigado a pensar qual o negócio poderia ser viável em sua propriedade. Após fazer uma pesquisa de mercado ele identificou que investir em avicultura caipira era uma grande oportunidade. A atividade condiz com as condições climáticas e é muito apropriada para a propriedade.
“No início (do curso) eu não tinha uma ideia clara de negócio, a única coisa que eu pensava era em como eu poderia começar a ganhar dinheiro, ter autonomia, e ser uma referência na minha comunidade. Falei na entrevista que montaria um negócio na área agrícola, pois tinha noção da necessidade”. Com os conhecimentos adquiridos sobre gerenciamento e empreendedorismo no Programa, apoio financeiro do Fundo Veredas e de sua família, ele criou um empreendimento de avicultura caipira.
Empreendimento de avicultura caipira do jovem Benedito
Bené organizou um espaço no quintal de casa, construiu um galpão e comprou 150 pintos para iniciar o negócio. Após quatro meses, ele começou a vender frangos na própria comunidade e sonha em comercializar seu produto através da Caroá – Cooperativa de Jovens Empreendedores Rurais, que está sendo articulada por ele e outros jovens do território.
Os lucros da primeira remessa de pintos foram investidos no próprio empreendimento, a fim de ampliar a produção e atender novos mercados. Nesse ínterim, sua irmã Raquel e mais três jovens de Carnaúba inspirados por sua história ingressaram no Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel e compartilham o desejo de fortalecer seus empreendimentos e planejar projetos sustentáveis na comunidade.
O Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) é desenvolvido pela Adel com o patrocínio da Petrobras, apoio do Instituto Carrefour, Fundação Interamericana (IAF), Oi Futuro, Manos Unidas, Fundo Socioambiental Caixa e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante.

Adel celebra seu oitavo aniversário

Entre os dias 08 e 11 de dezembro, a Adel celebrou seu oitavo aniversário. Desta vez, a comemoração reuniu além dos sócios da instituição, parceiros e público beneficiado. “Uma semana intensa de atividades” definiu Wagner Gomes, gerente de relações institucionais da organização.

As atividades comemorativas iniciaram com uma roda de conversa na manhã de terça-feira (08/12) com os sócios, equipe e lideranças comunitárias na sede da instituição. Em seguida, aconteceu o lançamento da Rede Néctar do Sertão (quarta-feira – 09/12); um dia de campo com jovens empreendedores (quinta-feira – 10/12) e o Seminário Empreendedorismo e Desenvolvimento Local (sexta-feira – 11/12), ponto culminante da comemoração.

Everardo Alves, presidente da Associação Comunitária de Lagoa das Pedras, Apuiarés/CE; Sr. Gilberto Bezerra, presidente da Associação Comunitária de Canafístula, Apuiarés/CE; e. Sr. Francisco Julião, presidente da Associação Comunitária de Carrapato, Pentecoste/CE estiveram na roda de conversa contando a trajetória vivida no início da criação da Adel.

“Eu chamava vocês de meninos sabe. Existia os meninos da Vila (referência a Escola de Futebol do Santos), e a Adel na época que surgiu era composta por um grupo de meninos. Os meninos da Adel. Eu via a dedicação de vocês na articulação dos grupos produtivos e a força de vontade. Acreditava porque era um grupo. Tinham apenas 20 anos, 26, mas eu somando ia dar um grupo de 46 anos. Então, eu pensei que deveria acreditar, porque não tinham a minha idade, a minha experiência, mas somando vocês tinham” relembrou Sr. Gilberto.

Everardo Alves, Sr. Gilberto Bezerra e Sr. Francisco Julião

“Meninos da Adel” era assim chamados os jovens filhos de agricultores de Pentecoste e Apuiarés/CE que fundaram a Adel em 2007. A maioria recém-ingressos em seus cursos de graduação em Fortaleza/CE, com idade entre 19 e 28 anos, tinham o desejo de retornar para suas comunidades e colaborar com o desenvolvimento local.

Esse desejo impulsionou o grupo iniciar um trabalho com agricultores familiares. A iniciativa deu certo e multiplicou-se. Hoje, 620 jovens e 1200 agricultores familiares de 10 municípios do Ceará (Pentecoste, Apuiarés, Tejuçuoca, General Sampaio, São Gonçalo do Amarante, São Luis do Curu, Paracuru, Caucaia, Umirim, Itarema) são beneficiados pelos projetos desenvolvidos pela Adel.

Através do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER), tecnologia social desenvolvida pela instituição e reconhecida pela Fundação Banco do Brasil e pela 5ª edição do Prêmio ODM Brasil, 165 empreendimentos de jovens rurais foram implementados no território.

Integrantes da Rede Néctar do Sertão e participantes da palestra sobre meliponicultura

Na semana do aniversário os jovens que integram o PJER estiveram compartilhando suas histórias e os empreendimentos implementados com o apoio da Adel. A Rede Néctar do Sertão foi uma das iniciativas apresentadas na manhã de quarta-feira (09/12) durante palestra sobre meliponicultura com o Prof. Jorge Alberto Fernandes do IFCE Umirim.

A palestra reuniu produtores de mel que integram a Rede Néctar do Sertão, estudantes do curso de zootecnia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e grupos interessados em conhecer o trabalho da Rede e desta prática de produção de mel.

Dia de campo com jovens empreendedores de avicultura
Na manhã de quinta-feira (10/12), a Adel reuniu jovens empreendedores na propriedade do jovem Vitor Esteves, na comunidade de Boca da Picada em São Gonçalo do Amarante/CE, para um dia de campo sobre avicultura.

Ícaro Jacob, técnico em agropecuária, apresentou aos jovens sua experiência com avicultura caipira, priorizando a nutrição das aves. Os jovens aprenderam uma técnica de produção de milho hidropônico para alimentação de aves, que além de reduzir os custos com ração, melhora a qualidade da carne e ocupa pouco espaço na propriedade.

Na sexta-feira (11/12), aconteceu o Seminário Empreendedorismo e Desenvolvimento Local – a atuação da Adel no semiárido cearense, em Pentecoste. O Seminário reuniu cerca de 80 participantes com o objetivo de compartilhar as experiências de jovens empreendedores do território e discutir quais as perspectivas e o papel da juventude no desenvolvimento local.

Estiveram contando suas histórias os jovens: Neto Ribeiro, Ana Maria, Luís Siqueira, Raquel Soares e Vitor Esteves. Ambos participaram em diferentes períodos da formação empreendedora do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) e buscam fazer do sertão uma terra de oportunidades. 

Jovens – Vitor Esteves, Raquel Soares, Luís Siqueira, Neto Ribeiro e Ana Maria (Da esquerda para direita)

Cada um desses jovens não medem esforços para criar soluções criativas para suas vidas e de suas comunidades. Eles implementaram seus negócios e hoje mobilizam outros jovens na criação de uma cooperativa de jovens empreendedores para comercializar seus produtos a um preço justo. 

Neto Ribeiro, um dos primeiros jovens beneficiados pelo PJER e articulador da cooperativa, ressaltou o impacto que o trabalho da Adel tem gerado no território. “A Adel faz aniversário mais quem ganha o presente somos nós, os jovens empreendedores”, disse. 
Ana Maria, jovem apoiada pela Adel recentemente, quando o PJER foi expandido para o município de São Gonçalo do Amarante/CE, contou sua experiência em forma de carta. Através de um relato escrito ela mostrou sua força de vontade para vencer os desafios e enfatizou que a “família é fundamental na construção dos sonhos, mas para realizá-los precisa crer, ter fé e principalmente, um incentivo como a Adel dá” mencionou.

Além dos jovens, a gerente executiva do Banco do Nordeste, Jeania Gomes, compôs uma mesa no seminário e foi homenageada pela equipe da Adel. Jeania atua na Célula de Desenvolvimento Territorial e realiza um trabalho promissor na região. Em sua fala abordou a importância de articular a juventude e valorizar as potencialidades locais.

Jeania tem um papel importante na consolidação do trabalho da Adel no território. Através da parceira com o Banco do Nordeste, foi possível apoiar os agricultores familiares e alcançar novos mercados. Emocionada, Jeania relatou todos os anos de parceria com a instituição e o trabalho significativo da organização no território, desejando que novos projetos sejam construídos.
Wagner Gomes, Gerente de Relações Institucionais Adel; Adriano Batista, Diretor Executivo Adel; Jeania Gomes, Gerente Executiva Banco do Nordeste; e, Helano Luz, Diretor Financeiro Adel

O Seminário contou com  a mediação de Aurigele Alves, gerente de programas da Adel, que elencou as ações da Adel nos últimos 08 anos. Aurigele apresentou que muitas histórias de jovens serão compartilhadas ao longo dos próximos anos, visto que a quantidade de jovens que tem implementando seus negócios e alcançado suas metas é bastante positivo.

A diversidade de histórias dos palestrantes do seminário e dos depoimentos compartilhados em cada atividade e nas redes sociais fizeram do oitavo aniversário da Adel um evento inspirador. Os resultados alcançados pela instituição e o percurso feito por todos que fazem a história da Adel demonstram que através da juventude, da cooperação e do empreendedorismo é possível dar uma Nova Cara ao Sertão.

Ao fim do Seminário, a Adel comemorou seus 08 anos oferecendo um coquetel aos participantes e palestrantes. A comemoração aconteceu no hall do auditório da EEEP Alan Pinho Tabosa, em Pentecoste. Além do coquetel, a Adel homenageou nesta semana as lideranças que apoiaram o trabalho da organização em 2007 – Everardo Alves, Sr. Gilberto Bezerra e. Sr. Francisco Julião.