Jovem monta marcenaria e colabora com o desenvolvimento local

Joilson Marques, 25, mora na comunidade de Lagoa das Pedras/Apuiarés, decidiu ao participar do Programa Jovem Empreendedor Rural, montar uma marcenaria na comunidade. Sócio da Associação de Apicultores de Lagoa das Pedras viu na apicultura uma oportunidade para empreender.


Filho de pais agricultores, desde criança foi estimulado a trabalhar e ganhar seu próprio dinheiro. Ele conta que a ideia de fabricar e comercializar móveis e equipamentos apícolas (colmeias, ninhos, melgueiras, quadros e telas excluidoras) veio do seu próprio envolvimento com as atividades da Associação de Apicultores e do desejo de ter sua própria renda.

Joilson aprendeu algumas técnicas de marcenaria com um amigo marceneiro ainda nos tempos de colégio. Ao concluir o Ensino Fundamental, começou a auxiliar seu amigo para obter uma renda. Entretanto, ele logo percebeu que não era viável e voltou a ficar integralmente em casa ajudando os pais na agricultura e fazendo alguns “bicos” como servente de pedreiro.

Joilson Marques e seus pais, Valmir Soares e Maria Adélia 

Em 2011, Joilson juntou suas economias, acessou o Fundo Veredas, estratégia da Adel para apoiar a abertura e o desenvolvimento de empreendimentos de jovens empreendedores rurais, e decidiu criar seu próprio empreendimento. Construiu um pequeno galpão no quintal de casa, comprou equipamentos básicos e começou a produzir alguns móveis (guarda-roupas, mesas e cadeiras).

“Sempre tive muita vontade de aprender todas as técnicas de marcenaria. Apesar de não saber todas, fui recebendo encomendas e afirmando para os clientes que eu já sabia, acredito que foi esse o segredo do meu empreendimento ter dado certo”.

Os primeiros clientes do jovem foram os próprios moradores da comunidade. “Como eu trabalhava como servente, já conhecia muita gente e eles ficaram interessado no meu trabalho. Assim, muita gente encomendou móveis, colmeias e demais equipamentos para produção de mel.”

Colmeias produzidas por Joilson

Desde 2009, Joilson participa da Associação de Apicultores de Lagoa das Pedras e hoje os principais produtos que ele faz é para os apicultores e meliponicultores da comunidade e região. Integrante da Rede Néctar do Sertão, empreendimento coletivo que busca fortalecer a cadeia produtiva do mel de forma agroecológica do Vale do Curu, ele enxerga que aliar as duas atividades é bastante viável.

Atualmente, Joilson tem dez colmeias de jandaíra, dezoito apis e produz móveis e equipamentos apícolas na comunidade. Em 2014, conquistou o 2º lugar do Prêmio A Nova Cara do Sertão promovido pela Adel e seu empreendimento busca futuramente reaproveitar a matéria-prima local.

Perspectivas

Com o surgimento da Rede Néctar do Sertão em 2014, Joilson acredita que as demandas por produtos apícolas vão aumentar e será possível integrar as duas atividades em sua propriedade – marcenaria e produção de abelhas. 

Joilson Marques na Marcenaria

“Com as atividades de apicultura e meliponicultura na comunidade, os moradores começaram a comprar e buscar as colmeias para ajudar na produção do mel. Diante da procura de mel, da mobilização de outras pessoas da comunidade e da Rede Néctar do Sertão eu vejo que as demandas vão aumentar”.

A Rede Néctar do Sertão é composta por 50 produtores de mel e atua em todo o território do Vale do Curu (Apuiarés, Pentecoste, General Sampaio, Tejuçuoca, Umirim, São Luís do Curu, São Gonçalo do Amarante, Paraipaba, Paracuru, Paramoti, Canindé, Caridade, Itatira, Irauçuba e Itapajé). A Rede é um espaço de articulação entre grupos comunitários formais e informais que atuam na apicultura e meliponicultura.

Abelhas nativas: a “galinha dos ovos de ouro” do sertão

No sertão do Ceará, jovens agricultores familiares da comunidade de Lagoa das Pedras, em Apuiarés, desenvolvem um projeto de produção racional de abelhas nativas sem ferrão que alia conservação da biodiversidade local com geração de renda.

Sua criação, denominada de meliponicultura, favorece a preservação das plantas nativas, devido à polinização das flores pelas campeiras, abelhas coletoras, além da produção de um mel diferenciado e com características próprias. Ao se movimentarem sobre as flores em busca do pólen, as abelhas promovem a fertilização das plantas, assegurando a sua multiplicação e perpetuação. Seus criadores colhem, indiretamente, os efeitos da polinização: maiores e melhores frutos e sementes, e a produção do mel das colônias, consequente desta atividade de coleta.

Grupo de jovens da comunidade de Lagoa das Pedras, Apuiarés/CE

Um destes criadores é o jovem empreendedor rural Everardo Alves, 30 anos, um dos primeiros empreendedores de abelhas nativas na região. Antes, Everardo trabalhava como meleiro em sua comunidade rural. Utilizava práticas tradicionais e pouco sustentáveis, que consistiam em coletar o mel derrubando os enxames e matando as abelhas. Sua renda não chegava a R$80,00 mensais.

“Inicialmente, comecei a produzir mel de abelhas africanizadas, mas foi ao descobrir as abelhas nativas que encontrei a minha ‘galinha dos ovos de ouro’. Hoje consigo tirar em média, um salário mínimo com a produção de mel”, afirma o jovem.

Everardo Alves, jovem meliponicultor e presidente da Associação Comunitária de Lagoa das Pedras

Everardo é um dos jovens participantes do Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel. Depois de participar do Programa, Everardo entendeu a importância da preservação das espécies nativas de abelhas e o quanto isso poderia agregar valor para sua produção. Desenvolveu técnicas de manejos das abelhas nativas e começou a utilizar práticas agroecológicas em sua produção. Apesar de ter estudado apenas até o 6º ano do Ensino Fundamental, Everardo é um exemplo na produção de mel na região e ministra palestras para outros produtores sobre as técnicas mais modernas e sustentáveis de meliponicultura.

Em 2009, Everardo, juntamente com outros jovens, fundaram uma associação de jovens produtores da qual ele é presidente. “Acreditamos que organizados temos uma maior possibilidade de superar os desafios de produção e comercialização do mel na região”, enfatiza.

A produção de abelhas nativas é um exemplo de como é possível potencializar recursos já existentes no sertão brasileiro e transformá-los em produtos de maior valor agregado, ao mesmo tempo em que contribui para a sustentabilidade do bioma da região, ao preservar a espécie. O mel produzido pelas abelhas nativas tem melhor qualidade e alcança preços maiores nos mercados da região, gerando maior renda para os produtores locais.

Veja a reportagem feita pelo Programa Municípios da TV Verdes Mares sobre a experiência do jovem Everardo: http://migre.me/fdYfZ