Sem investimentos na área de direitos humanos é inviável a promoção do desenvolvimento local

Foto: Mídia Ninja/Reprodução.

Por Gláucio Gomes*

Duas semanas após o assassinato da Vereadora Marielle Franco no Rio de Janeiro, mais uma vez digo que é encantadora a comoção, a mobilização e o simbolismo que foi conferido à tragédia. Um momento em que uma parte significativa do país, que estava entorpecida e sendo agredida sem reação por segmentos mais conservadores, foi acordada, se expressou e começou a responder a altura à barbárie que vimos nos últimos anos.

Os direitos humanos voltaram à tona. E educar as pessoas comuns sobre o que são os direitos humanos, no cotidiano, ficou em voga. É excelente que isso esteja acontecendo.

Mas, permitam-me agora ser um pouco mais pragmático e focado no trabalho necessário para realmente colocar a proteção e a promoção dos direitos humanos na pauta da agenda pública. É preciso que haja uma sociedade civil organizada forte, ativa, proativa e capaz. Respeitada, estruturada, especializada e profissional. Financiada. Acolhida e apoiada por suas comunidades, pelo capital e pelas pessoas comuns.

Os poucos estudos que temos no Brasil sobre fluxos de financiamento e investimento social privado para iniciativas da sociedade civil mostram que, em média, menos de 10% dos recursos doados e investidos com objetivo filantrópico são para ações na área de direitos humanos. A esmagadora maioria dos recursos vai para ações bastante práticas e tangíveis nos campos de saúde e educação. Um outro grande bocado para iniciativas de educação e conservação ambiental.

Por fim, há significativa parcela de financiamento para iniciativas que contemplam projetos de geração de trabalho e renda, especialmente a partir do tópico da moda hoje: empreendedorismo. O conceito que, na filantropia brasileira, consegue mobilizar direita e esquerda, conservadores e progressistas: criar negócios salva vidas. Empreendedorismo divide espaço nesse rol com a velha, tradicional e ampla área de “capacitação profissional”, ou melhor, educação para o trabalho.

O que só reforça a proposta clássica de que “o melhor projeto social é um emprego”. Mesmo que seja subemprego, em situação precária, subremunerado e que não represente nenhum passo adiante para o desenvolvimento pessoal, intelectual e para mobilidade social positiva de pessoas em situação de vulnerabilidade. Nesse caso, o emprego se torna um mecanismo que imputa algum mérito que seja ao destinatário, para que evite o rótulo de caridade e garanta a subsistência, ao menos. Não se trata de desenvolvimento.

Mas, não é esse o meu ponto aqui.

Vimos na última semana essa avalanche de posts, memes, artigos, matérias, cartazes e discursos tentando mostrar o que é direitos humanos para uma sociedade que mostra não apenas não ter a menor ideia do que se trata o assunto, como que ouviu uma série de argumentos (falsos), mas sedutores, para justificar seu ódio. Argumentos que floresceram no vácuo de debates sobre argumentos reais em defesa dos direitos humanos.

Tantas organizações que trabalham com educação e advocacy pelos direitos humanos, hoje, até mesmo operando mecanismos em redes de proteção e responsabilização, dependem de recursos internacionais e de convênios governamentais – cada vez mais escassos.

Eu não discordo de nenhum investimento social ou de doações feitas para as áreas de atuação que mencionei acima. As pessoas, empresas e fundações são livres para alocar seus recursos de acordo com suas propostas de participação no desenvolvimento. Trata-se de liberdade incondicional em uma democracia o poder de escolha das pessoas e organizações sobre os assuntos e causas que os mobilizam.

Mas seria bom que empresários, empreendedores, formuladores de políticas públicas, gestores de fundos, fundações e outros canais de financiamento entendessem que só existe desenvolvimento humano, local, social ou qualquer outro adjetivo que queiram dar a desenvolvimento nesse país, nem mesmo combate à pobreza, miséria e violência, sem antes haver intenso trabalho de educação em direitos humanos e educação em cidadania.

Sem haver investimentos em estratégias político-pedagógicas que promovam a conscientização e a educação das pessoas sobre os direitos fundamentais e a necessidade de proteção social básica em um espírito de comunidade e de empatia, para a própria viabilidade do contrato social.

Empreendedorismo, educação técnica, sustentabilidade e geração de emprego, tudo isso, são assuntos de imensa importância, são urgentes e necessários. Muitas vezes, no entanto, são meios muito mais do que fins para o desenvolvimento. Sem que haja proteção social básica e garantia dos direitos humanos de todas as pessoas, não há ambiência liberdade que permita que as pessoas, individualmente, se desenvolvam, e menos ainda suas comunidades. Não há desenvolvimento possível sem justiça e sem liberdade.

Pouco vão adiantar grandes investimentos em empreendedorismo e geração de empregos em um país em que os direitos humanos e a garantia da igualdade e da justiça não sejam devidamente reconhecidos, defendidos e valorizados pelas pessoas no dia a dia. As tensões permanecerão e os efeitos das discrepâncias, das disputas e das distâncias entre as pessoas vão seguir latentes.

É urgente que canais privados de financiamento, de empresas, fundações e outras instituições comecem a priorizar e destinar investimentos e doações para iniciativas da sociedade civil de educação e promoção dos direitos humanos.
E há duas semanas vimos mais do que nunca por quê.

*Gláucio Gomes é Diretor de Desenvolvimento da Adel e especialista em Gestão do Desenvolvimento Local.

Adel anuncia novo projeto no Rio Grande do Norte em parceria com a EDP Renováveis

 

Na próxima semana, a Adel inicia mais um novo projeto no Rio Grande do Norte ampliando sua atuação no estado. O novo projeto contempla quarenta (40) agricultores familiares dos municípios de Jandaíra e Touros e conta também com um novo parceiro, a EDP Renováveis através do Programa EDP Renováveis Rural.

Jandaíra e Touros somam mais de 40 mil habitantes e são municípios rurais localizados na região de Mato Grande. A agricultura e pecuária em regime extensivo nestes municípios é basicamente para subsistência e nós acreditamos que a partir desta iniciativa os agricultores familiares podem galgar novas técnicas de produção, elevar a renda familiar e terem melhores condições de vida.

A primeira atividade deste projeto será um diagnóstico de potencialidades e vulnerabilidades para o desenvolvimento rural, com especial atenção ao aprimoramento socioprodutivo de estabelecimentos rurais em pequenas propriedades nos dois municípios. Infelizmente as práticas de produção e de gestão dos estabelecimentos rurais são alguns dos maiores desafios para o desenvolvimento rural, especialmente no contexto do semiárido do Nordeste brasileiro.

A iniciativa abrange também a capacitação dos agricultores familiares, visitas técnicas e implantação de tecnologias socioambientais de convivência sustentável com o semiárido. Entre as ações contempladas vale destacar a elaboração e execução de uma estratégia de comunicação para dar visibilidade ao projeto, e, assessoria técnica e gerencial para a formação continuada e o uso eficiente das tecnologias implantadas no período de dezoito meses.

Para o Diretor de Desenvolvimento da Adel, Gláucio Gomes, esse é mais um momento importante para o crescimento e desenvolvimento institucional. “Estamos muito empolgados com mais uma oportunidade de expandir nossa atuação no Rio Grande do Norte, em comunidades rurais de Touros e Jandaíra. E muito felizes de fazer isso em parceria com a EDP Renováveis, que assim como a Adel, acredita e investe em desenvolvimento local através da difusão de tecnologias socioambientais e da capacitação de agricultores e agricultoras para convivência sustentável com o semiárido e para contribuir para melhorias em suas condições de vida e de produção no campo”.

Programa EDP Renováveis Rural

O Programa EDP Renováveis Rural é realizado pela EDP Renováveis com o objetivo de gerar impactos positivos nas comunidades onde marca presença, mantendo e melhorando a reputação enquanto empresa responsável pelo bem comum dos territórios que interage.

Mais informações sobre o Programa: https://www.edpr.com/pt-pt/edpr/fundacion-edp 

Adel e Columbia University divulgam pesquisa de avaliação de impactos do PJER

No primeiro semestre de 2017 realizamos em parceria com a School of International and Public Affairs (SIPA) da Columbia University, Nova York, EUA, a pesquisa de avaliação de impactos do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER). O projeto iniciou em dezembro de 2016 e a etapa de coleta de dados ocorreu em março de 2017. Em abril, os dados foram apresentados no campus da Universidade, em Nova York.

No Brasil, o investimento em pesquisa e desenvolvimento de metodologias não era tão comum a alguns anos. Hoje, isso vem mudando e a Adel por acreditar ser importante o investimento e a relevância que atribui ao assunto está sempre em busca de parceiros para realizar estudos de impacto social de suas ações.

Contar com a parceria da Columbia University neste estudo foi fundamental para repensar a metodologia do PJER e compreender alguns dos anseios da juventude rural. Nessa pesquisa, mais de 300 jovens da região, incluindo jovens que não foram beneficiados pelo Programa foram mobilizados para participar da pesquisa e falar das oportunidades de desenvolvimento que enxergam no território.

Veja o Relatório da Pesquisa na íntegra:

ADEL Final Report_Portugese version_final

Final Report_Adel

 

Nota de repúdio – #MariellePresente

Foto: Mídia Ninja

A Adel manifesta seu pesar e sua indignação com o assassinato da vereadora e ativista dos direitos humanos Marielle Franco (PSOL/RJ) na noite de ontem no Rio de Janeiro.

Vinda da Maré, Marielle, desde sua juventude, sonhou com justiça, ousou e lutou por liberdade e pelos direitos humanos. Destacou-se por sua ousadia e sua intensa militância social. Uma mulher admirável com quem tivemos o prazer de compartilhar nossos sonhos e alguns de nossos projetos.

Quinta vereadora mais votada na cidade do Rio de Janeiro nas eleições de 2016, socióloga e mestre em Administração Pública, era uma militante aguerrida e comprometida com a construção de um país justo e igualitário.

Marielle faz parte de nossa história. Tivemos oportunidades de trabalhar juntos quando ela fazia parte da equipe da BrazilFoundation e da Rummos, duas de nossas parceiras nesses 10 anos de trajetória.

Compartilhamos mais do que sonhos e projetos. Tínhamos pontos em comum em nossas histórias de vida. Compartilhamos valores: resiliência, senso de cooperação, espírito de juventude e inquietude com os desafios e injustiças que nos cercam.

Marielle mudou sua vida ao participar de um pré-vestibular comunitário na Maré. E rumou para ser protagonista em transformações nas vidas de milhares de pessoas em sua comunidade.

Marielle certamente é uma expressão da visão de futuro que temos na Adel. De jovens engajados, capazes de ser tudo o que podem ser e de contribuir para tornar suas comunidades lugares melhores e mais justos para viver.

Hoje, estamos devastados. Estamos em luto. Por Marielle e por todos (as) aqueles que ela representa, em especial nossa juventude, que diariamente tem suas vidas ceifadas. Sua morte e de tantos jovens não podem ficar impune.

Justiça para Marielle! Justiça para Juventude!

Inauguração de casas de farinha no Ceará

 

Na tarde da última quarta-feira, 7 de março, estivemos em Itarema/CE, na Comunidade Patos para a inauguração da Casa de Farinha que foi revitalizada através do Programa Raízes da CPFL Renováveis, com execução da Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) e apoio da Siemens Gamesa. Ao lado da casa de farinha também foi revitalizado um Centro Comunitário para eventos e reuniões da Associação Comunitária dos Pequenos Agricultores de Patos. Na comunidade vizinha, Pachicu, foi inaugurada também uma casa de farinha ao final do dia.

O momento contou com mais de trinta agricultores e agricultoras em cada comunidade, além de crianças e visitantes. Nosso Diretor Executivo, Adriano Batista, ao lado do nosso Diretor de Negócios, Wagner Gomes, prestigiaram o momento junto com Christiana de Almeida e Fernando Di Franco, Gerente de Sustentabilidade e Superintendente de Sustentabilidade da CPFL Renováveis, respectivamente. Também estiveram presente Samuel Protetti e Rafael Ferreira, ambos da Transforma Aí, parceira na implantação do projeto.

Inauguração Centro Comunitário revitalizado

A Casa de Farinha é uma unidade artesanal onde os agricultores beneficiam a mandioca proveniente de suas plantações. Além da farinha, eles geram outros produtos como a goma, matéria prima para tapiocas e beijus, por exemplo. As casas de farinha implantadas são compostas de um sistema de ralação, prensagem e um forno artesanal.

O ambiente é também um espaço de fortalecimento do trabalho coletivo e de interação entre os membros da comunidade, pois o espaço físico é coletivo e beneficia a todos. O Centro Comunitário inaugurado também tem a função de ser um ponto de união entre os moradores e contribuir com o desenvolvimento local.

Para Adriano Batista é gratificante fazer parte de um projeto que está intrinsecamente ligado à missão da Adel, ao buscar formas e tecnologias para o fortalecimento de cadeias produtivas e a valorização da produção local. O Presidente da Associação Comunitária dos Pequenos Agricultores de Patos, Marcílio de Sousa, 42, afirmou que foi uma tarefa árdua realizar o projeto desde início. Houve muita descrença por parte dos moradores e até dele mesmo, de que nada seria finalizado. Agora acredita que vão fazer um produto de qualidade e reunir os moradores no Centro Comunitário.

Participantes da inauguração, Comunidade Patos, Itarema/CE

Após a inauguração, o Programa Raízes realizará com os moradores capacitações sobre gestão e bom uso das casas de farinha. Todos os envolvidos na concepção e execução do projeto acreditam que as percepções das comunidades foram respeitadas, fortalecendo uma relação de confiança e respeito entre os envolvidos.

Para saber mais sobre o Projeto, acesse:  http://www.adel.org.br/adel-e-cpfl-renovaveis-implantam-projeto-de-agricultura-sustentavel-no-ceara/

Empoderamento feminino

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O dia hoje é reconhecido pela ONU desde 1975 como sendo o Dia Internacional da Mulher. Mais que comemorar a vida das mulheres fortes, determinadas, resilientes, perseverantes, empreendedoras, dentre outras características que lhe tornam únicas, a data é um convite para fortalecer o empoderamento feminino.

A Adel, desde 2009, vem colaborando com o empreendedorismo e o protagonismo feminino através do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER). Quando o Programa foi criado não tínhamos a ideia de que ele seria tão feminino, pois no ambiente patriarcal implantado, poucas jovens mulheres acreditavam que poderiam ter o seu próprio negócio, investir em conhecimentos e contribuir com o desenvolvimento das suas comunidades.

Os dados do Programa apresentam uma elevada participação das mulheres e, atualmente, várias jovens mulheres estão empreendendo e dando uma nova cara ao sertão. Neste dia internacional da mulher compartilhamos a história de oito jovens mulheres, que representam mais de cem e que contribuem diretamente com o desenvolvimento econômico e social do território. São jovens com maior autonomia e que inspiram outras jovens a realizar seus sonhos.

Jovens Mulheres Empreendedoras beneficiadas pela Adel

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Ana Maria Macieira
Nasceu e cresceu na comunidade Livramento, em São Gonçalo do Amarante/CE. Ingressou no curso do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel em 2015. Em parceria com o esposo e apoio financeiro da Adel, por meio do Fundo Veredas, decidiu montar uma mercearia em um dos cômodos da casa. Hoje, além do mercadinho, ela possui uma criação de galinha caipira e um quintal produtivo. Recentemente, assumiu a liderança da Associação Comunitária.

Brena Castro
Nasceu e cresceu na comunidade Venâncio, em Tejuçuoca/CE. Ingressou no curso do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel em 2017 e criou o empreendimento Venâncio – Leite e derivados. Produção familiar existente há mais de 20 anos, vista pela jovem como uma oportunidade de elevar a renda. Produz leite, queijo, doce de leite e nata.

Fabiana Lima
Mora em Pentecoste/CE. Ingressou no curso do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel em 2017 e criou o empreendimento Biana Biscuit. Produz diversas miniaturas e lembranças para aniversários e casamentos de biscuit. As peças de artesanato em biscuit são a principal fonte de renda da jovem.

Leonilda Soares
Disponibiliza serviços gráficos e personalizados para comunidade Serrota, em Pentecoste. Através das canecas e camisas que produz valoriza a arte e a cultura do Sertão.

Liliane Bernardo
Após ingressar no Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) decidiu investir no Projeto Pracaju – Cooperativa de Mulheres que trabalha com a coleta e o beneficiamento de polpas de frutas. Produz doces, cocadas, salgados e cajuína com a fibra de caju. Atualmente, exerce a função de Coordenadora Executiva.

Romênia Castro
Reside na comunidade Núcleo B, Pentecoste (CE). Participou do PJER em 2014 e investiu na produção de mamão, empreendimento agrícola que condiz com as condições climáticas da comunidade, e conta com a parceria de seu pai. Romênia também cursa Serviço Social e acredita que permanecendo no território pode colaborar no desenvolvimento do município.

Rayssa Duarte
Deixou a capital do Estado, Fortaleza, onde sempre morou, para ingressar no Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) em 2015. Recém-formada em Design de Moda viu no Programa a possibilidade de se reinventar, decidindo inclusive morar na comunidade Boca da Picada, em São Gonçalo do Amarante com seu companheiro. Juntos, eles cultivam diversos produtos no sítio da família e contribuem diretamente com a gestão da Caroá, primeira cooperativa de jovens do território, na qual Rayssa foi eleita Coordenadora Executiva este ano.

Sabrina Santos
Mora em uma comunidade rural chamada Vila Bezerra, em São Luís do Curu/CE. Ingressou no Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel em 2016 e hoje possui o empreendimento Flor do Sertão, onde produz vasos rústicos de cactos e suculentas ornamentais. Ela busca utilizar material reciclado para produção dos jarros, como quengas de coco ou troncos de árvore. Acredita que pode ajudar sua comunidade através do seu trabalho, realizando uma atividade sustentável. É integrante do Conselho Fiscal da Cooperativa Caroá.

Diretoria da Adel realiza Planejamento Anual

 

Nos dias 22 e 23 de fevereiro, os Diretores da Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) participaram em Fortaleza do evento de Planejamento, Monitoramento e Avaliação do Plano Estratégico do triênio 2016-2018. O objetivo era avaliar as atividades desenvolvidas no ano de 2017, os indicadores, as metas alcançadas e definir os objetivos estratégicos para 2018.

Estavam presentes: Adriano Batista, Diretor Executivo; Gláucio Gomes, Diretor de Desenvolvimento; Aurigele Alves, Diretora de Programas; Wagner Gomes, Diretor de Negócios; Evilene Abreu, Diretora de Comunicação; Helano Luz, Diretor Financeiro; e, Kátia Layanne Silva, assistente de comunicação e relatora da reunião.

Além de ser uma reunião estratégica, o encontro foi um momento de celebração das conquistas alcançadas ao longo dos dez anos de atuação da Adel. Adriano Batista parabenizou o papel de liderança dos gestores, valorizando a atuação de forma ética e transparente.

 

Gláucio Gomes, Diretor de Desenvolvimento, que esteve conduzindo o encontro, acredita que o momento representou mais uma conquista no processo de desenvolvimento da instituição, na sua profissionalização e preparação para ser uma organização qualificada e eficiente na gestão dos investimentos de seus doadores e investidores sociais e nos contratos de negócios com seus clientes.

O Diretor defendeu ainda, a leitura dos números apresentados de acordo com o contexto e pautado no entendimento que todos os resultados são questões de escolha. Cada escolha feita durante o ano gerou um impacto e precisa ser estudada e avaliada. Todas as áreas e os Diretores da Adel apresentaram um crescimento significativo. Os gestores estão familiarizados com as ferramentas utilizadas no terceiro ano consecutivo de realização do planejamento.
No encontro foram tratados assuntos como formação e sucessão interna, internacionalização e consolidação da marca, estruturação do setor de comunicação, fidelização de parceiros e diversificação do conteúdo programático e do portfólio de serviços da área de novos negócios.

 

Foi discutido ainda sobre a atuação da Adel como uma Cadeia Híbrida de Valor. Cada dia mais a organização avança nesse sentido, gerando valor através de suas expertises ao oferecer a clientes serviços especializados no campo do desenvolvimento rural e local, em uma lógica de negócios. Ao mesmo tempo em que reforça seu papel e compromisso como uma ONG promotora do desenvolvimento de comunidades rurais através do empreendedorismo e do protagonismo de jovens e agricultores.

Ao final do encontro cada Diretor ficou responsável por preencher posteriormente as metas do segmento de sua respectiva responsabilidade, que serão validadas e apresentadas para o Conselho de Administração da Adel.

Fazendo arte e empreendendo no Sertão

Evileno expondo seu trabalho na Feira de Empreendedorismo e Protagonismo Social (2017)

Os jovens beneficiados pelo Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) desenvolvido pela Adel vem nos últimos anos elaborando diversos projetos de negócio para implantar em suas comunidades. O mais recente empreendimento criado é no campo artístico e foi instalado na comunidade Rio Novo, distrito de Serrote, composto por cerca de 2500 habitantes e distante cerca de 30 km do município de São Gonçalo do Amarante.

Evileno Sousa, 23, ainda criança ajudava seu pai, Evandro Sousa, 45, em trabalhos manuais na oficina que funciona na própria casa da família, voltada principalmente para conserto e manutenção de bicicletas. Na adolescência, ele desenvolveu a paixão por produção de miniaturas de carros antigos. Junto com o pai começou a reciclar os materiais que sobravam dos trabalhos realizados na oficina, transformando o que iria para o lixo em lindas miniaturas de carros, ônibus e motos, além de outros brinquedos produzidos para familiares e amigos.

Evileno e seu pai, Evandro

Quando ingressou no Programa Jovem Empreendedor Rural em 2015, Evileno logo apresentou como proposta de Negócio investir em um projeto coletivo com o pai. Ele acessou crédito do Fundo Veredas para investir na infraestrutura da oficina.

Entretanto, a paixão pelas miniaturas de brinquedos e a preocupação com os impactos sociais e ambientais do lixo gerado pela oficina foram propulsores para tornar a fabricação de brinquedos reciclados o foco principal do empreendimento. Além do material reaproveitado da oficina, eles passaram a reutilizar materiais doados pelos vizinhos, como peças de mdf que sobram de móveis e materiais plásticos.

INTERARTE

 

Em 2017, após assessoria em design promovida pela Adel ele repensou todo o projeto de negócio e criou sua própria marca, a Interarte. Empreendimento especializado na produção de brinquedos artesanais.

A produção é totalmente artesanal. Inicia com o desenho dos projetos dos brinquedos pelo próprio jovem que em seguida confecciona junto com o pai as miniaturas de carros. Aquelas mais elaboradas levam em torno de uma semana para ficarem prontos.

Evileno conta que gosta do que faz e planeja fortalecer sua marca para trabalhar somente com a produção de brinquedos. Atualmente, ele realiza outros serviços paralelos para complementar a renda, mas com o fortalecimento da marca pretende trabalhar apenas com o que realmente acredita ter aptidão.

Com o pai, planeja assim que possível, abrir um canal no YouTube e começar a divulgar o que faz em diversas mídias, com o intuito de expor todo o processo de criação, desde a rotina de produção aos eventos que participam. Ambos fazem parte de um grupo de artesãos que se reúnem nos finais de semana para realizarem feiras em São Gonçalo do Amarante, onde expõe e vende os produtos.

Em 2017, o INTERARTE expôs seus produtos na Feira de Empreendedorismo e Protagonismo Social, realizada em Pentecoste, e na Mostra Jovem Empreendedor Rural, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza.

Evileno é um dos exemplos dos muitos jovens empreendedores rurais que estão dando uma nova cara ao sertão. Ele acredita que através da arte é possível contribuir com o desenvolvimento da sua comunidade e na redução de danos ambientais.

Jovem usa paixão por plantas ornamentais e abre o empreendimento Flor do Sertão

 

Sabrina Santos, 22, mora em uma comunidade rural chamada Vila Bezerra, localizada no município São Luís do Curu/CE, distante cerca de 80Km da capital do estado. Ela tem orgulho em ser filha de agricultores, com quem aprendeu muito sobre a vida no campo e os cuidados com a natureza. A paixão pelo meio rural a fez concluir o curso técnico em Agropecuária.

Sabrina participou do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel em 2016 e hoje possui o empreendimento Flor do Sertão, onde produz vasos rústicos de cactos e suculentas ornamentais. E busca utilizar material reciclado para produção dos jarros, como quengas de coco ou troncos de árvore. Ela acredita que pode ajudar sua comunidade através do seu trabalho, realizando uma atividade sustentável.

 

A Flor do Sertão também atua como uma mini floricultura onde são trabalhados os cuidados com o meio ambiente e a ideia de reciclar para florir. Além disso, realiza montagens e restauração de jardins, tendo como missão difundir as cores do sertão mundo afora através das plantas. Para ela, ser uma empreendedora ajudou mais do que em sua vida profissional, contribuiu também para se tornar uma pessoa melhor. “Eu preservo, eu cuido, eu refloresto, sou mulher, sou jovem e sou agricultora! Tenho um enorme orgulho da minha história e de quem eu sou”, afirma.

Sabrina, apesar das dificuldades enfrentadas após finalizar seu curso técnico e de não conseguir um emprego, conseguiu voltar para sua comunidade para trabalhar com algo que gosta e que tem vocação, gerando renda para ela e mais 4 jovens locais – novos postos de trabalho gerados a partir da escolha de Sabrina em empreender em sua comunidade. Eles acreditam que sem cooperação nada acontece. Ela é mais um exemplo dos muitos jovens que estão dando uma nova cara ao sertão através de seus esforços e sonhos.

Conheça a Flor do Sertão no Instagram: @flordosertaoce.

Adel segue atuação no Projeto Paulo Freire

 

Há cerca de dois meses, demos início às atividades no âmbito do Projeto Paulo Freire. A Adel está desenvolvendo o Projeto de Capacitação em Acesso às Políticas Públicas, que busca promover ações de capacitação e educação sobre o tema para os povos do semiárido. Assim como analisar suas conquistas, dificuldades e desafios, potencializando o desenvolvimento das competências individuais e coletivas por agricultores e agricultoras. Um dos principais objetivos é contribuir para construção do pensamento crítico sobre o papel das políticas públicas na vida dos envolvidos com o projeto, que atua em 86 comunidades de 10 municípios no Território Cariri Oeste.

No último dia 10 de janeiro foram realizadas duas oficinas com agricultores e agricultoras nas comunidades de Riacho Verde em Tarrafas e Pereiro no município de Antonina do Norte. As oficinas abordam temas divididos em quatro eixos: Direitos Humanos e Educação; Terra, Trabalho e Produção; Mulheres, Jovens, Povos e Comunidades Tradicionais; Água, Soberania e Segurança Alimentar.

 

Já foram realizadas 17 oficinas desde o início do Projeto. Até a conclusão do Projeto, serão realizadas 172 oficinas em todo o Cariri Oeste. Elas têm como público prioritário jovens e mulheres, no entanto, contempla demais membros das famílias, já atendidas ou não pelo Projeto Paulo Freire. Enquanto os pais e mães participam das oficinas, seus filhos são atendidos em atividades recreativas paralelas.

Segundo Dario Lima, um dos beneficiados, o momento é importante para que as comunidades tomem conhecimento de seus direitos: “Todos nós temos o direito de dar sugestão no que estamos construindo juntos. O encontro nos dá oportunidade para discutir sobre o que podemos ter. É um momento interessante e bem organizado”, afirma. Dario, também conhecido na região como Inácio, ajudou a fundar o Sindicato de Tarrafas na década de 1980 e hoje vive em Assaré. Ele acredita na união das pessoas pela busca da cidadania.

 

Para Aurigele Alves, Diretora de Programas da Adel e gestora do Projeto, os percursos formativos realizados permitem ouvir as comunidades, abre espaço para que os moradores mostrem suas vozes e disseminam conhecimentos essenciais sobre políticas públicas, legislação e governança local para o exercício da cidadania pelos agricultores e agricultoras. Colabora também para o protagonismo social das comunidades no processo de desenvolvimento local, na construção de soluções para seus maiores desafios para melhorar suas condições de vida e de trabalho em maior prazo. É um momento rico e forte do início ao fim, destaca.

Sobre o Projeto

O Projeto Paulo Freire visa contribuir para a redução da pobreza rural em 31 municípios cearenses por meio do desenvolvimento do capital humano e social e do desenvolvimento produtivo sustentável pautado na geração de renda, no âmbito agrícola e não agrícola, com foco principal em jovens e mulheres.

É uma realização da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), gerenciado através da Unidade de Gerenciamento de Projeto (UGP) que tem a competência para definir as linhas gerais de política e diretrizes.