Gestão das águas

Comunidade Brinco de Ouro, João Câmara (RN), realiza a gestão coletiva da rede de abastecimento de água, conta também com um poço profundo, um dessalinizador e uma microusina solar

 

*Por Wagner Gomes  (Diretor de Negócios Adel)

O acesso à água potável é um direito de todos os cidadãos, é fundamental para a segurança alimentar e nutricional e condição prévia para usufruir de outros direitos humanos básicos. Apesar de considerado um direito, 35 milhões de pessoas no Brasil ainda não têm acesso à água potável.

Segundo o Instituto Trata Brasil, 95% da população urbana contam com água tratada em suas casas. Mas apenas 27,8% dos domicílios rurais estão ligados à rede de distribuição de água. As áreas rurais contabilizam 20 milhões de pessoas sem acesso ao líquido. Além disso, as formas de abastecimento são, em sua maioria, precárias e não têm controle efetivo e vigilância sobre a qualidade para consumo.

Na região Nordeste existem milhares de organizações comunitárias que atuam no meio rural fazendo o mínimo controle de qualidade da água para as famílias. São as próprias comunidades mobilizadas para solucionar esse desafio. Mas, essas organizações são completamente invisíveis, não fazem parte de nenhum censo ou dado estatístico do país. Existem evidências de que nas zonas rurais onde elas existem, as comunidades são as mais bem assistidas neste quesito. As organizações comunitárias, comitês de água, cooperativas ou associações gerenciam as águas da comunidade e o sistema que abastece as residências a partir de definições estabelecidas coletivamente como, por exemplo, a implantação da tarifa e sua cobrança e a suspensão do serviço em caso de não pagamento.

Neste cenário, diversas experiências interessantes realizam os serviços de abastecimento de água em escala nas comunidades rurais do nordeste brasileiro e tornaram-se alternativas institucionais, sociais, técnicas e financeiras sustentáveis que merecem destaque e disseminação no país. É o caso dos modelos de gestão autossustentáveis desenvolvidos pelo Sistema Integrado de Saneamento Rural (SISAR) do Ceará, Piauí e Alagoas (onde é conhecido como Sisal) e da Central de Associações Comunitárias para Manutenção dos Sistemas de Saneamento, da Bahia.

Entretanto, milhares de comunidades e famílias do meio rural brasileiro não têm acesso a água potável. Não há, portanto, diretriz política de incentivo a replicação dos modelos citados acima, por parte dos municípios, estados e órgãos federais. Na Adel (Agência de Desenvolvimento Econômico Local) buscamos junto a 3 mil famílias e lideranças comunitárias nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte desenvolver uma autogestão das águas. Por meio de cursos e oficinas em operação e gestão das tecnologias socioambientais de acesso à água para consumo humano e produção de alimentos temos contribuído para avançar nestes modelos. É necessário que a gestão dos serviços rurais de abastecimento de água seja institucionalizada e regulamentada no país.

 

Texto originalmente publicado na versão impressa do Diário do Nordeste do dia 14 de abril de 2019.

Jovem assume posição de liderança em comunidade rural

Brena coordena a Casa de Sementes MandacaruBrena de Araújo, 21, nasceu e cresceu na comunidade rural Sítio do Meio, distante cerca de 14 km da sede do município de Pentecoste (CE). Filha de Raimundo Camilo, 69, e Lucilene Sousa, 53, é a mais velha de duas irmãs e atual líder comunitária da Associação para o Desenvolvimento Comunitário (ADESCO).

Desde 2017, Brena exerce a função de Coordenadora da ADESCO. Chegar a posição de liderança comunitária foi um desafio para ela. Mesmo acompanhando junto com sua irmã, Camila Araújo, 20, os pais nas reuniões comunitárias, ela conta que essa trajetória não foi fácil.

Brena e sua família são exemplos de protagonistas sociais

“A reunião foi marcada para montar a diretoria e diante das minhas atividades desenvolvidas, apesar de ter só 17 anos na época, eu me candidatei para ser coordenadora. Mas outros apoiadores do outro candidato disseram ao meu pai que não era pra eu ir, porque era melhor, uma mulher e jovem não ia dá conta, era melhor um homem. Encarei aquilo como um desafio no qual contornei e venci.”

A motivação veio do seu envolvimento comunitário desde criança. “Eu sempre gostei de história, às vezes passava horas conversando com pessoas mais velhas aprendendo sobre um pouco de tudo, principalmente sobre o lugar onde nasci,” conta Brena. Ainda na escola, ela descobriu sua paixão pelo desenho, hobby que se tornou sua principal fonte de renda após concluir o Ensino Médio em 2014.

“Eu passei a trabalhar com artesanato, fazendo desenhos em telha e gesso e participava da associação como ouvinte”. No ano posterior ela foi tesoureira da Associação e nesse período participou de várias capacitações. De lá para cá, as oportunidades só aumentam e o envolvimento de Brena também. Em 2015, ela assumiu a coordenação da Casa de Sementes Mandacaru, construída pelo Programa Sementes do Semiárido da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). No segundo semestre de 2015, a jovem participou de um intercâmbio apresentando o projeto com sementes em outra cidade.

Em 2016, Brena organizou na própria comunidade um intercâmbio com integrantes de outras Casas de Sementes do Ceará. No mesmo ano, ela ingressou no Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel e participou do Curso de Empreendedorismo e Gestão de Negócios. Elaborou um Projeto de Negócio com foco no artesanato e passou a produzir artesanatos por encomenda.

No mesmo ano, Brena e seu pai montaram um pequeno meliponário próximo de casa com oito caixas povoadas de abelhas jandaíras e envolveu toda a família nessa atividade. “Desde pequena eu ouvia muito meus pais falarem que o ser humano tinha que saber um pouco de tudo, porque diante das dificuldades a gente poderia ‘migrar’ para outra para complementar a renda”.

O sonho de Brena é fortalecer ainda mais atividades comunitárias, abrir uma loja física para expor os produtos artesanais, e expandir a produção de mel em parceria com seu pai. Segundo Brena, as vivências na família, na comunidade e na escola lhe motivam a ser “uma mulher líder, empreendedora, uma mãe, esposa, e eu não vejo essa questão de por ser uma mulher, ser incapaz de realizar uma atividade na minha comunidade”.

Adel alerta sobre a gestão sustentável das águas

 

Neste Dia Mundial da Água, a Adel alerta sobre os desafios de acesso à água para o consumo humano e produtivo enfrentados pelas famílias que residem no semiárido e a importância de uma gestão sustentável deste líquido tão necessário à humanidade.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), até 2050, o planeta deve chegar a marca dos 10 bilhões de habitantes. Com isso, a água para utilização doméstica, equivalente a cerca de 10% da captação hídrica do mundo, deve aumentar de forma exponencial. Neste cenário, a busca por soluções inovadoras, sustentáveis e de baixo custo para o uso e reuso dos recursos hídricos se torna ainda mais premente para a geração atual e gerações futuras.

De acordo com a Agência Nacional das Águas (ANA), em janeiro de 2018, dos 436 reservatórios da região nordeste usados exclusivamente para armazenamento de água, 240 (55%) estavam com nível inferior a 10% de sua capacidade. Destes, 143 estavam completamente vazios. Este fenômeno deixou danos irreparáveis, como a falta de água nas cidades e a perda de rebanhos e de safras nas lavouras.

Entretanto, ao mesmo tempo em que o período de estiagem, dos últimos cincos anos, trouxe danos à produtividade no meio rural, ele possibilitou também o fortalecimento de uma convivência harmoniosa com o semiárido. Diversas tecnologias socioambientais foram implementadas permitindo um convívio mais tranquilo diante a realidade das secas e a busca por uma gestão sustentável das águas.

Implantação de tecnologias socioambientais

Nesse ínterim, a Adel foi fortalecendo suas expertises e implementando diversas tecnologias socioambientais em comunidades rurais do Nordeste brasileiro. A mais recente iniciativa implementada foi a construção de cisternas “telhadão” para o armazenamento de águas pluviométricas nos municípios de Touros e Jandaíra no Rio Grande do Norte.

A cisterna “telhadão” é uma tecnologia de captação de água da chuva por meio de um telhado de 100m², em forma de galpão. O telhado capta a água da chuva e por um sistema de calhas e canos leva-a a uma cisterna com capacidade de armazenar 52.000L de água. A área coberta tem muitas utilidades. Os agricultores usam para armazenar alimentos na forma de feno ou silagem, guardar as ferramentas, criação de pequenos animais, entre outros usos.

Cisterna “telhadão” construída no município de Touros, RN

 

Essa tecnologia foi implantada desde março de 2018 por meio do Programa EDP Renováveis Rural desenvolvido pela EDP Renováveis. O objetivo é fortalecer a capacidade produtiva e a segurança hídrica de 40 (quarenta) famílias. A infraestrutura hídrica das comunidades rurais beneficiadas pelo Programa era composta basicamente por poços artesianos em condições precárias e uma rede de abastecimento ligada a uma adutora local.

Antes do projeto, as famílias enfrentavam severas dificuldades com o abastecimento de água potável, atrelado ao funcionamento irregular da adutora. Segundo os agricultores, o alto grau de salinidade da água proveniente dos poços sem dessalinizadores e a ausência de periodicidade das adutoras eram dois agravantes para a segurança hídrica local.

Para Júlia Batista, 74, moradora da comunidade Tubiba, em Touros/RN, viver na comunidade tem dois lados. “O lado bom é o sossego, a tranquilidade, o outro é que nós temos dificuldades de água, quando chove é uma benção, todo mundo tem as coisas. Quando não chove só não é pior porque a gente tem água do governo né. Mas quando não vem a gente tem que comprar uma carrada de água por R$140,00. A gente quer plantar uma horta, mas não planta porque não tem água para aguar. É difícil, mas a gente tem esperança de ver uma coisa boa com esse projeto”, ressalta a agricultora.

Mandala construída na comunidade Barra do Leme, Pentecoste, CE

 

Além de proporcionar aos agricultores o acesso à água para consumo, as cisternas “telhadão”, possibilitam o desenvolvimento da produção. Cada beneficiário do Programa recebe diversas hortaliças e plantas frutiferas para implantar seu quintal produtivo. As cisternas “telhadão” construídas pelo Programa já estão sendo abastecidas com as primeiras chuvas que caem na região. Cada família avalia a melhor finalidade para a água captada, seja para consumo dos animais, irrigação, uso doméstico, dentre outros. Com orientação da equipe técnica da Adel elas utilizam as tecnologias implantadas com eficiência máxima.

Adel lança Campanha Mulheres Empreendedoras

 

O dia 8 de março é reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1975 como sendo o Dia Internacional da Mulher. Mais que comemorar a vida das mulheres fortes, determinadas, resilientes, perseverantes, empreendedoras, dentre outras características que lhes tornam únicas, a data é um convite para fortalecer o empoderamento feminino.

A Adel lança, a partir de hoje, a Campanha Mulheres Empreendedoras com o objetivo de celebrar, ao longo do mês de março, as realizações de mulheres empreendedoras e protagonistas que atuam no Nordeste brasileiro. As mulheres empreendedoras são grandes protagonistas de suas vidas e de suas histórias. Elas lutam de forma resiliente por dias melhores, por uma sociedade mais justa e igualitária.

Diversas mulheres empreendedoras contribuem diretamente com o desenvolvimento econômico e social de comunidades rurais no Nordeste. São mulheres que inspiram outras mulheres a realizar seus sonhos. Quatro histórias dessas empreendedoras abrem a Campanha.

Meliponicultura e as mulheres de Cabeço

 

Jailza Oliveira, 33, agricultora e meliponicultora, acredita que o empreendedorismo é uma ferramenta essencial para o empoderamento feminino. Ela integra a equipe de gestão da Associação de Jovens Agroecologistas Amigos do Cabeço (JOCA), localizada na comunidade de Cabeço, Jandaíra (RN), que fomenta o protagonismo de mulheres e jovens.

A JOCA foi criada em 2009, a partir de discussões sobre agroecologia estimulada por Adriana Lucena, moradora local. É um ponto de organização de mulheres e jovens em um cenário de desmobilização e esvaziamento de atividades produtivas. Além de fortalecer a identidade comunitária e rural, a JOCA estimula o desenvolvimento das atividades ligadas a meliponicultura, tais como a produção de jardins catingueiros e de hortaliças e frutas.

Jailza e os demais associados da JOCA tem atuação ativa nos espaços de construção e fortalecimento dos Fóruns de Agroecologia, Economia Solidária, Comércio Justo e Desenvolvimento Territorial. Desde 2010, a Associação foi reconhecida mundialmente pelo seu trabalho de preservação da abelha nativa Jandaíra e integra o movimento internacional Slow Food.

Cabeço foi escolhido como Comunidade do Alimento e integra a Rede Mundial Terra Madre do Movimento Slow Food, instituição que compreende 1.800 comunidades de todo o mundo que compartilham suas experiências e seus trabalhos com o objetivo de proteger a qualidade dos alimentos e a produção local. A proteção das abelhas nativas sem ferrão e a divulgação do mel como produto de excelência é o foco do trabalho das mulheres e jovens da JOCA.

O sertão e a cultura nerd

 

A jovem Leonilda Soares, 32, decidiu usar seus conhecimentos de Informática para empreender na pacata Serrota, comunidade rural localizada no município de Pentecoste (CE). Única filha mulher de quatro irmãos, aos dezoito anos, foi sozinha morar em Fortaleza para fazer um Curso Técnico de Informática. Entretanto, após três meses trabalhando com telemarketing, retornou para sua comunidade. “Não era viável permanecer lá, era muito desgastante e a remuneração baixa”.

De volta à comunidade, Leonilda começou a trabalhar em uma Fábrica de Calçados. A função em nada se aplicava aos conhecimentos da informática, mas por necessidades trabalhou lá por dois anos. Nesse período ela fez algumas economias e manteve sua esperança de atuar na área de informática. Por motivos de saúde ela saiu desse emprego e no período em que recebia o seguro-desemprego decidiu começar um pequeno negócio dentro da própria casa.

“Eu tinha um computador e comecei a disponibilizar para os amigos e os vizinhos acessarem suas redes sociais, fazerem alguma atividade, entrar na internet. Acontece que o número aumentou e eu comecei a pedir uma taxa. Daí, comecei a lan house. Em seguida, eu percebi que todo mundo já tinha smartphones e agora eles precisavam era fazer uma impressão. E aí eu vendi os computadores e fui diversificando minha loja. Hoje eu produzo diversos brindes e vendo inclusive no mercado livre”.

Uma das inovações dos brindes feitos pela Leonilda é a divulgação da cultura nerd. “Eu gosto muito de rock, de tudo isso sabe. Aí eu comecei a fazer canecas, blusas com uma arte que fala desses dois universos [o sertão e a cultura nerd]. Porque a gente que é jovem curte isso. E eu sei que até existe certo preconceito de achar que o jovem do meio rural não consome esse tipo de cultura. E não é assim, eu curto muito rock, as pessoas curtem e aqui na loja a gente ouve muito. Eu me distraio muito e adoro o que faço”.

Catuana Artesanatos

 

Taís Lima, 27, é uma das jovens beneficiada pelo Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) desenvolvido pela Adel e fundadora do Catuana Artesanatos — empreendimento familiar que existe há mais de 10 anos na comunidade Catuana, em Caucaia (CE).

“Sou uma mulher empreendedora, sou protagonista da minha história dentro da minha comunidade. Antes do Catuana Artesanato eu era uma vendedora no Centro de Fortaleza, sem tempo para minha família, para minha filha, superlotada de trabalho e de dívidas, porque quando você não mora no seu local, onde reside a sua família, você fica com sua renda bastante comprometida por conta de aluguel, transporte, alimentação. E depois do Catuana Artesanato, nossa! Depois que eu tive o apoio da Adel através do PJER, eu tive a certeza que o artesanato era o que eu queria para minha vida”.

O Catuana Artesanatos aos poucos está envolvendo outras pessoas da comunidade, produz artesanato e peças decorativas tendo como matéria-prima o barro. Além do empreendimento gerar autonomia e renda para Taís, possibilitou o retorno da jovem aos estudos. Hoje Taís faz um curso técnico de meio ambiente para agregar conhecimentos e aprimorar o seu trabalho.

Mulheres de Zabelê

Grupo de mulheres que produzem bolo para a merenda escolar: Carla Juliana da Silva, Maria de Lourdes Ferreira, Maria de Fátima Fernandes, Maria do Socorro Silvano, Maria das Graças Fernandes, Maria Bernadete Ferreira, da esquerda para a direita

Em Zabelê, no município de Touros (RN), um grupo de mulheres improvisaram uma cozinha artesanal na sede da Associação do Assentamento Quilombo dos Palmares e estão mudando a cara da comunidade.

Desde 2012 elas trabalham juntas na produção artesanal de bolos e vendem os produtos para os programas de compras governamentais, gerando renda e trabalho para outras mulheres. Além da produção de bolos, as mulheres participam ativamente da associação, realizam reuniões, debates e discussões sobre os espaços de atuação da mulher na comunidade, planejam como ampliar a produção e a inserção de outras integrantes.

Inicialmente, o trabalho teve o apoio do Instituto Potiguar de Desenvolvimento de Comunidades (IDEC) que além de estimular a organização das mulheres, viabilizou a comercialização dos produtos (compra com doação simultânea) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). Atualmente, o grupo é apoiado pela Adel e pelo Programa EDP Renováveis Rural que busca fortalecer a inclusão socioprodutiva das mulheres na comunidade.

Adel assessora e capacita agricultores beneficiados pelo Projeto São José

Atividade prática para a produção de canteiro de flores para abelhas nativas, Comunidade Riacho do Paulo, Apuiarés (CE)

Desde 2018, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) assessora e capacita quatro (4) associações comunitárias e uma (1) cooperativa de agricultores familiares na região do Médio Curu, municípios Apuiarés e General Sampaio; e, Região Metropolitana de Fortaleza, municípios Cascavel, Horizonte e Maranguape. No total, 147 agricultores familiares são beneficiados pela Adel por meio do Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável – PDRS/Projeto São José III.

O Projeto São José III tem como foco o fortalecimento da agricultura familiar e o bem-estar de comunidades rurais. É uma iniciativa do Governo Estadual do Ceará através da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), em parceria com o Banco Mundial (BIRD). O Projeto é desenvolvido por diversas instituições selecionadas por meio de licitação, sendo a Adel uma delas.

A proposta do Projeto São José III fortalece a agricultura familiar, grande responsável pela produção de alimentos no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tem mais de 4 milhões de famílias agricultoras, o que corresponde a 84% dos estabelecimentos agropecuários e responde por aproximadamente 33% do valor total da produção do meio rural. Dentro da cadeia produtiva do Brasil, o agricultor familiar abastece o mercado brasileiro com: mandioca (87%), feijão (70%), carne suína (59%), leite (58%), carne de aves (50%), milho (46%), dentre outros.

Além de fornecer boa parte dos alimentos, a agricultura familiar tem se tornado chave na construção de políticas públicas, na adoção de incentivos financeiros, na formulação de normas e leis, na criação de modelos de compras, inclusive a compra direta pelo governo, possível por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Participantes da Oficina sobre Pasto Apícola, realizada na comunidade Riacho do Paulo, Apuiarés (CE)

Os grupos assessorados pela Adel por meio do Projeto São José trabalham com apicultura, ovinocaprinocultura, fruticultura e agricultura de sequeiro, isto é, técnica agrícola de cultivo em terrenos de baixo pluviosidade e solo firme. As primeiras ações desenvolvidas no projeto foram: mobilização dos agricultores, caracterização das propriedades rurais e elaboração de planos de trabalho em cada grupo.

A assessoria técnica é contínua e acontece em cada propriedade. Já as capacitações são desenvolvidas de forma coletiva a partir das demandas e especificidades de cada grupo. Ambas as atividades visam a disseminação de técnicas sustentáveis, agroecológicas e com rentabilidade às entidades representativas e aos agricultores familiares beneficiados, com inclusão e adequação de novas tecnologias nos empreendimentos produtivos. Proporcionam também a inclusão e ampliação do acesso a mercados formais pelos agricultores, inclusive na oferta de alimentos aos programas governamentais, como PAA e PNAE.

Capacitações com agricultores

Os agricultores consideram que as capacitações são fundamentais para o desenvolvimento das atividades agrícolas. Segundo Francisco Alves, agricultor que reside no Assentamento Ramalhete, em General Sampaio, as oficinas ministradas pela Adel possibilitam aos agricultores o acesso ao conhecimento. “Os cursos, encontros que a gente faz, facilita mais o nosso trabalho, a vida, só vem aperfeiçoar ainda mais o nosso conhecimento sobre o semiárido”, ressalta Francisco.

As capacitações realizadas pela Adel com os grupos produtivos envolvem diversas temáticas como: associativismo, cooperativismo, empreendedorismo, defensivos naturais, importância de reflorestamento na atividade agrícola e apícola, produção de forragem e armazenamento, boas práticas e conservação de produtos alimentícios apícolas, práticas de agricultura orgânica, manejo alimentar de abelhas, auxílio da elaboração de planos de negócio e comercialização, gestão de custos, dentre outros.

“Eu acho muito importante esses encontros porque a gente fica sabendo de assuntos que não conhecemos. Apresentam os projetos que surgem para beneficiar a comunidade, também tiram dúvidas dos produtores sobre vários assuntos, gosto de participar”, afirma Ana Lúcia, agricultora que reside no Assentamento Ramalhete, em General Sampaio.

Para a Especialista de Projetos da Adel, Pollyanna Quemel, o impacto do Projeto tem sido positivo, os beneficiários estão recebendo sistematicamente uma visita de assistência técnica. “Isso [a assessoria técnica], é algo muito positivo, porque o agricultor está sendo acompanhado bem de perto mensalmente, recebendo as orientações e aplicando no seu dia a dia”, destaca.

Outros resultados percebidos ao longo das ações foram o aumento da interação social e cooperação entre os agricultores; elevação da produtividade e da rentabilidade das atividades agrícolas, o que consequentemente gera trabalho e renda; inclusão econômica e social das famílias nos processos de produção e beneficiamento de produtos; organização produtiva para o processo de comercialização; além da forte presença e participação de mulheres nas atividades produtivas e nos momentos de discussões coletivas.

As atividades do Projeto executadas pela Adel seguirão até abril de 2019, com realização de capacitação e assessoria técnica na produção, gestão e comercialização dos produtos da agricultura familiar. Além da assessoria técnica aos grupos produtivos do São José III, a Adel desenvolve diversas ações com agricultores familiares no Nordeste brasileiro. Por meio da área de Novos Negócios, a instituição oferece diversos serviços que contribuem com o desenvolvimento produtivo e a sustentabilidade da agricultura.

O Projeto São José III

A perspectiva do Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável – PDRS/PSJ III é aumentar a inserção econômica, a agregação de valor dos empreendimentos familiares da área rural, com financiamento de projetos produtivos no âmbito de cadeias produtivas promissoras, numa perspectiva de fortalecimento dessas cadeias e da inserção sustentável da agricultura familiar nos respectivos mercados.

Os beneficiários são agricultores familiares que desenvolvem atividades agrícolas e não-agrícolas em comunidades rurais representados por suas organizações, tais como: associações, cooperativas condomínios ou outras desde que legalmente constituídas. São beneficiados também grupos sociais específicos, tais como quilombolas, povos indígenas, pescadores artesanais e outros grupos. O Projeto visa atender ao todo 32.400 mil famílias por meio da implantação de 490 Projetos.

Para saber mais acesse: https://www.sda.ce.gov.br/ugp-sao-josee-iii/

Adel e Casa do Rio publicam Edital de Seleção para Monitor Educacional do PJER

 

A Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) e a Casa do Rio divulgam o processo seletivo para recrutamento de jovens que desejam desenvolver habilidades e competências para exercerem a função de Monitor Educacional no Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER), tecnologia social da Adel, que será reaplicada em Careiro Castanho, no Amazonas, a partir deste semestre.

Nesta chamada, a Adel e a Casa do Rio vão selecionar 2 (dois) jovens que residam no território de atuação da Casa do Rio, no Amazonas (Careiro Castanho, Manaquiri, Autazes e Careiro da Várzea), com idade entre 18 e 32 anos e que tenham o desejo de contribuir com o desenvolvimento de suas comunidades. Os jovens serão capacitados e engajados em um processo de compartilhamento, cooperação, troca e aprendizagem sobre os desafios e, principalmente, as soluções e boas ideias de empreendimentos e projetos que contribuam para o desenvolvimento local.

Após o período de formação, os Monitores atuarão como facilitadores do PJER junto à Casa do Rio, dando suporte na seleção de outros jovens, na organização da documentação do projeto e de eventos, apoio na tutoria individual, orientação e acompanhamento dos selecionados, entre outras atividades relativas à dinâmica do Programa.
Os jovens selecionados neste Edital receberão da Casa do Rio uma ajuda de custo durante a execução do projeto, no período de março a dezembro deste ano.

As inscrições estão abertas até o dia 28 de fevereiro de 2019.
Acesse o Edital.

Reaplicação do PJER no Amazonas

A reaplicação do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) no Amazonas faz parte da aliança estratégica firmada entre Adel e a Casa do Rio no final de 2018. O objetivo é ampliar o impacto social das ações da Adel e aumentar a escala de sua operação em benefício de mais pessoas e comunidades em todo o Brasil.

A Amazônia traz uma realidade socioeconômico muito particular, mas com um quadro de desafios e oportunidades para jovens empreendedores e protagonistas muito semelhante ao quadro vivenciado no semiárido do Nordeste brasileiro – desafios tais como pressão migratória, êxodo rural, cadeias de valor pouco estruturadas, mesmo em cenários com potencialidades econômicas diversas e que oferecem caminhos para criação de novos negócios.

A parceria com a Casa do Rio, instituição que atua desde 2009 no município Careiro Castanho, vai apoiar a transformação da realidade socioeconômica dos povos da floresta que vivem em um ambiente de alta resiliência para adolescentes, jovens e agricultores, em que as demandas por conhecimento, crédito, redes e tecnologias são bastante parecidas com o Nordeste, embora não sejam iguais.

Adel oferece serviços em gestão socioambiental

Brinco de Ouro, João Câmara (RN), beneficiada pelo Projeto Segurança Hídrica, executado pela Adel por meio do Programa Raízes da CPFL Renováveis

A Adel oferece, paralela à sua atuação programática e aproveitando as expertises e os diferenciais gerados em sua história, diversos serviços em gestão ambiental para promoção do desenvolvimento sustentável de territórios rurais. A organização já beneficiou ao longo de sua história, cerca de 9 mil agricultores e agricultoras em quatro estados do Nordeste brasileiro (Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte e Piauí).

Durante quase 10 anos a Adel dependeu, exclusivamente, de doações, apoio de parceiros e patrocínios para manter seus programas, projetos e, principalmente, seu quadro de colaboradores. Hoje, como uma organização híbrida, ela disponibiliza diversos serviços para empresas, governos e outros atores da sociedade civil no intuito de disseminar práticas de sustentabilidade corporativa ou ainda compensar, controlar e mitigar impactos derivados de suas operações.

“A Adel aderiu a esse modelo e alia as estratégias programáticas, sem fins lucrativos e orientadas totalmente para a missão, em que as expertises da instituição são tratadas por seu valor agregado e oferecidas a clientes no formato de prestação de serviços de consultoria, assessoria em gestão do desenvolvimento local e gestão de impactos socioambientais em comunidades resilientes”, explica o Diretor de Negócios, Wagner Gomes.

Construção de cisterna em Zabelê, Touros (RN), para o Programa EDP Renováveis Rural da EDP Renováveis

Na área de Negócios, a agência realiza uma gama de ações e atividades com metodologias reconhecidas e premiadas que foram desenvolvidas em campo. E todos os projetos são alinhados e orientados com a missão da instituição, que é promover o desenvolvimento local de comunidades rurais por meio do empreendedorismo e do protagonismo social de jovens e agricultores.

Principais serviços

Entre os principais serviços prestados em gestão socioambiental para o desenvolvimento local e sustentável estão: consultoria, assessoria e capacitação em suas diversas dimensões; gestão, gerenciamento e operacionalização de projetos de intervenção; mapeamento, engajamento e articulação de stakeholders, de redes territoriais e gestão das relações institucionais; pesquisas, estudos e diagnósticos que gerem subsídios para o planejamento, elaboração e gestão de projetos socioambientais; desenho e implementação de estratégias de comunicação social e relações comunitárias; disseminação de tecnologias e estruturas, especialmente em contextos de elevada resiliência; e monitoramento, avaliação, elaboração e gestão de políticas e programas sociais.

Ação realizada para a EDP Renováveis em Chico Mendes II, Touros (RN)

Desde a criação da área de Novos Negócios, que possui uma Diretoria específica para sua gestão, a Adel vem desenvolvendo um portfólio de serviços prestados a clientes como: CPFL Renováveis, Siemens Gamesa, EDP Renováveis, Danone, Banco do Brasil, Instituto Cesmt, ChildFund, STCP Engenharia e Governo do Ceará.

“A Adel acredita que há valor agregado no desenvolvimento local e que empresas, governos, fundações e outras organizações da sociedade civil reconhecem isso na medida em que percebem e avaliam com clareza os impactos positivos e negativos que seus investimentos e ações geram comunidades em suas cadeias de valor. Impactos que podem ser traduzidos, em maior prazo, em resultados tangíveis na forma de ganhos”, ressalta Wagner.

Atualmente, o portfólio de clientes da Adel está relacionado com organizações que estão se instalando no Nordeste ou já possuem atuação na região, com destaque para o mercado de energias renováveis. Sem esquecer do desenvolvimento social, a Adel, ao migrar para um modelo de negócios híbrido e criar uma área específica para tratar da captação de receitas, continua buscando a promoção do impacto sustentável.

Adel oferece serviços em gestão socioambiental para o desenvolvimento de territórios rurais

Construção de cisterna na Comunidade Zabelê, Touros (RN), para o Programa EDP Renováveis Rural da EDP Renováveis

A Adel oferece, paralela à sua atuação programática e aproveitando as expertises e os diferenciais gerados em sua história, diversos serviços em gestão ambiental para promoção do desenvolvimento sustentável de territórios rurais. A organização já beneficiou ao longo de sua história, cerca de 9 mil agricultores e agricultoras em quatro estados do Nordeste brasileiro (Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte e Piauí).

Durante quase 10 anos a Adel dependeu, exclusivamente, de doações, apoio de parceiros e patrocínios para manter seus programas, projetos e, principalmente, seu quadro de colaboradores. Hoje, como uma organização híbrida, ela disponibiliza diversos serviços para empresas, governos e outros atores da sociedade civil no intuito de disseminar práticas de sustentabilidade corporativa ou ainda compensar, controlar e mitigar impactos derivados de suas operações.

Comunidade Brinco de Ouro, João Câmara (RN), contemplada com o Projeto Segurança Hídrica executado pela Adel por meio do Programa Raízes da CPFL Renováveis

“A Adel aderiu a esse modelo e alia as estratégias programáticas, sem fins lucrativos e orientadas totalmente para a missão, em que as expertises da instituição são tratadas por seu valor agregado e oferecidas a clientes no formato de prestação de serviços de consultoria, assessoria em gestão do desenvolvimento local e gestão de impactos socioambientais em comunidades resilientes”, explica o Diretor de Negócios, Wagner Gomes.

Na área de Negócios, a agência realiza uma gama de ações e atividades com metodologias reconhecidas e premiadas que foram desenvolvidas em campo. E todos os projetos são alinhados e orientados com a missão da instituição, que é promover o desenvolvimento local de comunidades rurais por meio do empreendedorismo e do protagonismo social de jovens e agricultores.

Principais serviços

Entre os principais serviços prestados em gestão socioambiental para o desenvolvimento local e sustentável estão: consultoria, assessoria e capacitação em suas diversas dimensões; gestão, gerenciamento e operacionalização de projetos de intervenção; mapeamento, engajamento e articulação de stakeholders, de redes territoriais e gestão das relações institucionais; pesquisas, estudos e diagnósticos que gerem subsídios para o planejamento, elaboração e gestão de projetos socioambientais; desenho e implementação de estratégias de comunicação social e relações comunitárias; disseminação de tecnologias e estruturas, especialmente em contextos de elevada resiliência; e monitoramento, avaliação, elaboração e gestão de políticas e programas sociais.

Ação para a EDP Renováveis em Chico Mendes II, Touros (RN)

Desde a criação da área de Novos Negócios, que possui uma Diretoria específica para sua gestão, a Adel vem desenvolvendo um portfólio de serviços prestados a clientes como:CPFL Renováveis, Siemens Gamesa, EDP Renováveis, Danone, Banco do Brasil, Instituto Cesmt, ChildFund, STCP Engenharia e Governo do Ceará.

“A Adel acredita que há valor agregado no desenvolvimento local e que empresas, governos, fundações e outras organizações da sociedade civil reconhecem isso na medida em que percebem e avaliam com clareza os impactos positivos e negativos que seus investimentos e ações geram comunidades em suas cadeias de valor. Impactos que podem ser traduzidos, em maior prazo, em resultados tangíveis na forma de ganhos”, explica o diretor.

Atualmente, o portfólio de clientes da Adel está relacionado com organizações que estão se instalando no Nordeste ou já possuem atuação na região, com destaque para o mercado de energias renováveis. Sem esquecer do desenvolvimento social, a Adel, ao migrar para um modelo de negócios híbrido e criar uma área específica para tratar da captação de receitas, continua buscando a promoção do impacto sustentável.

Jovem contribui com o desenvolvimento social e cultural de sua comunidade

Marcos Antônio, conhecido como Marquinhos

Marcos Antônio Rocha, 29, ingressou no Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel em 2012. Trazia com ele o desejo de permanecer na comunidade Chaparral, onde nasceu e cresceu, distante cerca de 14 km da sede do município de Tejuçuoca (CE). Filho e neto de agricultores, Marquinhos, como é conhecido em Chaparral, é o quarto de seis filhos do casal Antônio Floriano e Maria Ieda.

Desde muito cedo ele começou a trabalhar na agricultura. Aos nove anos, já ajudava o pai no roçado e auxiliava também sua mãe nas tarefas domésticas. Marquinhos acompanhou desde a infância os desafios e o crescimento do local onde nasceu. Sua família foi uma das pioneiras no assentamento, que conta com 50 famílias.

Antes, a comunidade não tinha acesso a transporte escolar, saúde e saneamento básico, menos ainda algum tipo de lazer. Não havia entretenimento e nem acesso à primeira fase do ensino básico. Ele e os irmãos começaram a estudar apenas a partir da primeira série do Ensino Fundamental e se deslocavam a pé, cerca de meia hora, para a escola que funcionava em uma comunidade vizinha.

O tempo foi passando e logo a administração municipal disponibilizou transportes escolares para transportá-lo para escola. O assentamento foi se desenvolvendo e ao mesmo tempo, o número de famílias e de jovens cresceu. Marquinhos guarda boas lembranças dos momentos de diversão com os amigos e das paixões que ele cultiva desde a adolescência. Primeiro o futebol, em seguida a música.

“A gente se reunia nos campos improvisados, muita gente assistia. Passei a jogar em categorias de base em Tejuçuoca com um técnico local, até que surgiu a oportunidade de jogar profissionalmente em outros lugares. Mas na época eu tinha outra paixão que conciliava com o esporte e que me fez desistir dessa oportunidade, a música”, relata.

Talento musical

O talento musical do jovem rendeu uma renda financeira para ajudar os pais nas despesas de casa. E aos quinze anos, ele começou a cantar profissionalmente em uma banda do município. No mesmo período, ele viu sua família se desestruturar após o falecimento de sua mãe.

Em 2010, seguindo o costume de muitos jovens do interior, inclusive dos irmãos mais velhos, Marquinhos foi embora para São Paulo em busca de novas oportunidades. No entanto, não se adaptou e após seis meses voltou de vez para a sua comunidade natal.

Em Chaparral, retomou suas atividades musicais e não parou mais. Durante essa nova fase ele passou a colaborar com diversos projetos sociais na comunidade. O pai de Marquinhos foi o primeiro presidente da associação local e sempre incentivou os filhos a participarem das reuniões. E a inquietude do jovem com a ausência de projetos para a juventude lhe fez buscar novos conhecimentos e mobilizar outros jovens para fortalecer o trabalho comunitário.

Marquinhos reunido com outros jovens de Chaparral, Tejuçuoca (CE)

Marquinhos reuniu um grupo com mais de trinta jovens para pensar e criar ações voltadas para a comunidade. Em 2012, ele teve a oportunidade de ingressar no Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) desenvolvido pela Adel, e, passou a difundir entre os amigos da comunidade o que aprendia no Programa. O objetivo era compartilhar os conhecimentos adquiridos e debater com os jovens novas ideias e projetos para a promoção do desenvolvimento local.

“Como a maioria dos jovens da comunidade em geral que eu me incluo no meio, a gente não conhece a nossa própria identidade. Ou seja, a gente não sabe a nossa origem, não sabe de onde a gente veio e com isso a gente fica um pouco perdido. Principalmente quando termina o ensino médio. E aos poucos a gente vem fazendo isso, vem mudando”, enfatiza Marquinhos após citar a importância do PJER em sua vida.

Fortalecimento Comunitário

Durante a Formação do PJER ele elaborou um projeto com foco na reestruturação da associação comunitária e na valorização da cultura local. Em 2013, o assentamento Chaparral recebeu por meio do Programa Territórios Digitais desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), em parceria com o Ministério das Comunicações, uma Casa Digital. Marquinhos tornou-se monitor da Casa Digital e passou junto com outros jovens a gerir o espaço, que é composto por 11 computadores, sendo um servidor, estabilizadores e mobiliário.

A Casa Digital funciona na sede da Associação Comunitária e além de manter o espaço limpo e funcionando todos os dias de forma voluntária, os jovens auxiliam os moradores no acesso aos computadores e a realizar oficinas básicas de informática. “Mudou muita coisa aqui. Além de estimular a juventude a desenvolver atividades dentro da comunidade, tinha também muitos jovens que tinham que andar muito longe para fazer algum trabalho”, enfatiza Marquinhos.

Nos últimos cinco anos, diversos projetos foram desenvolvidos no local com o apoio de Marquinhos. Atualmente, além de trabalhar como cantor, ele tornou-se sucessor na liderança comunitária, assumindo em 2018 o posto de novo presidente da Associação dos Assentados da Fazenda Chaparral. Investiu ainda na área de ovino para corte, formou seu próprio núcleo familiar, hoje é pai e referência na região como empreendedor social e liderança local.

Marquinhos, sua esposa Edilene Mota e seu filho Luan

Marquinhos idealiza para o futuro um novo rural com mais oportunidades para os jovens. Seu desejo é que surjam  mais projetos para Chaparral e Tejuçuoca que viabilizem o engajamento e a participação dos jovens e de agricultores no desenvolvimento da comunidade e do município.

Adel realiza projeto com escolas públicas do Ceará

 

Durante o ano de 2018, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) beneficiou, por meio do Projeto Jovens Empreendedores e Protagonistas Rurais nas Escolas, cerca de 400 jovens de 15 a 17 anos e 50 professores de quatro escolas públicas do interior do Ceará – EEM São Sebastião em Apuiarés; EEM Waldemar Alcântara em São Gonçalo do Amarante; EEM Etelvina Gomes Bezerra em Pentecoste; e, EEFM Edite Alcântara Mota em General Sampaio.

O Projeto integra o portfólio de ações do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER), que visa o desenvolvimento e a formação empreendedora de jovens em situação de vulnerabilidade. O PJER apoia jovens rurais, que, comumente, se vêem obrigados a deixar suas comunidades em busca do que seria um futuro melhor.

Por meio da educação contextualizada, a Adel realizou oficinas de convivência sustentável, desenvolvimento local, empreendedorismo rural de jovens, protagonismo social, direitos humanos e convivência com o clima da região. O intuito foi apresentar aos estudantes e professores conceitos, ferramentas e abordagens, a serem incorporadas nos conteúdos formais e no dia a dia escolar. Arnon Vieira, um dos jovens beneficiados, conta que foi gratificante sua participação no Projeto. “Com as oficinas aprendi muito, questões como os nossos direitos. Com esse Projeto a gente abriu um pouco mais nosso conhecimento e o nosso olhar para as coisas típicas do nosso Nordeste”.

Além de oficinas, foram realizados quatro intercâmbios educativos no Parque Estadual Botânico do Ceará e um seminário para discutir o tema Empreendedorismo e Protagonismo Social nas Escolas. Durante o Seminário, os jovens apresentaram microprojetos elaborados na Oficina de Inovação e Tecnologias Socioambientais e que abordam os temas bullying na escola, educação ambiental, inclusão do público LGBTQ+ em sala de aula, combate às drogas, empatia no convívio escolar, dentre outros. A ideia é implantar a partir deste ano, os microprojetos nas escolas.

Aurigele Alves, Diretora de Programas da Adel, afirma que a iniciativa representou uma oportunidade ímpar na vida escolar dos adolescentes e jovens. “Mais que acesso a conhecimentos transversais do currículo básico, os jovens tiveram a oportunidade de trocar experiências, ideias, planos, angústias, sonhos e diversos saberes. Isso traz um caráter especial e diferenciado a esse projeto, evidencia a importância que ele tem representado a cada participante no que diz respeito a seu desenvolvimento crítico em relação à suas escolas, comunidades e sociedade como um todo”, enfatiza a Diretora.

 

O Projeto também inclui a elaboração de cartilhas educativas sobre as temáticas das oficinas. Esse material será distribuído nas escolas beneficiadas e espera-se que esta ação seja reaplicada e mais jovens tenham acesso a conhecimentos de impacto social, econômico e ambiental.

O Projeto Jovens Empreendedores e Protagonistas Rurais nas Escolas foi resultado de parcerias firmadas com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e Rede Globo através do Criança Esperança, com o Conselho de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Ceará (CEDCA/CE) e Secretaria Estadual de Educação (Seduc).