Intercâmbio de saberes entre o Sertão e a Floresta

Após receber, entre os dias 16 a 20/05, na sede da Adel, os jovens Tupigá Arlesson (21) e Florian (18), o empreendedor social Thiago Cavalli e a Designer de Produtos Luly Viana da Casa do Rio, chegou o momento dos jovens do Sertão irem à Amazonas conhecer os saberes da Floresta.

Domingo (03/07), Aurigele Alves, Diretora de Programas da Adel; Tales Hilton, Assessor de Formação do Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel; e, a jovem Rayssa Duarte, integrante do Programa e da Caroá – Cooperativa de Jovens Empreendedores Rurais, foram à Amazonas dar continuidade ao intercâmbio de saberes entre as duas organizações.

O Intercâmbio Saberes e Aprendizados entre Adel e Casa do Rio foi viabilizado pela linha de apoio a Arranjos Colaborativos da BrazilFoundation. A iniciativa é inédita no setor social brasileiro e visa promover um ambiente de troca de conhecimentos, habilidades e metodologias entre as organizações sociais.

Equipe Adel e integrantes da Casa do Rio em visita ao Ceará

O intercâmbio iniciou com a vinda dos integrantes da Casa do Rio ao Ceará para conhecer de perto o trabalho dos empreendedores rurais da Adel. Esta semana (03 à 08/07), membros da Adel visitam a Casa do Rio e trocam ideias sobre empreendedorismo, juventude e sustentabilidade ambiental.

Os integrantes do intercâmbio são de lugares bastante diversos, mas compartilham entre si de realidades e propósitos similares. Ambos, desejam oportunizar o desenvolvimento local e fortalecer a juventude rural através do empreendedorismo e da cooperação.

Impactos do Intercâmbio

O Intercâmbio de Saberes e Aprendizados entre Adel e Casa do Rio viabilizado pela BrazilFoundation promove aprendizagens e fortalece o trabalho das organizações participantes.

Para Luly Viana, idealizadora da Saissu e colaboradora da Casa do Rio, o intercâmbio proporciona muitas percepções para os jovens do Amazonas e do Ceará, contribuindo para despir os preconceitos, inseguranças e barreiras culturais. Uma oportunidade para pensar sobre as práticas realizadas, gênero, juventudes e desafios enfrentados em cada lugar.

“Achei incrível conhecer os projetos e a Adel de perto. Percebi o quanto o apoio da instituição faz na vida dos jovens, das famílias e produtores. O jovem aprende a conviver, a socializar com pessoas que é da mesma região, mas de diferentes comunidades e municípios. Me chamou muita atenção a estrutura familiar. Eu já sabia que a mulher aqui do Nordeste é muito forte, e toda a família dos jovens que fomos conhecer, tinha uma figura materna muito forte. Percebi que muitas mães segura a família inteira e isso é inclusão de gênero, é o reconhecimento que elas precisavam para mostrar sua importância”, ressalta a Designer de Produtos Luly.

Florian, Luly e Thiago Cavalli, Casa do Rio; Jéssica e Adriano Batista, Adel e Arlesson, Casa do Rio, em visita a Adel 

O trabalho da Adel é direcionado diretamente aos jovens empreendedores rurais e impacta indiretamente a família, as mães, como bem ressalta Luly. Na Casa do Rio as ações são inversas. A ONG trabalha diretamente com mulheres e compartilha o desejo de construir com os jovens da Amazonas um Centro de Empreendedorismo, a fim de possibilitar o desenvolvimento sustentável das comunidades ribeirinhas.

O primeiro contato dos integrantes da Adel com a Casa do Rio, foi com o grupo de mulheres do município de Careiro Castanho (AM) – Promotoras Populares Legal e participantes do projeto de Alfabetização de Mulheres. “Nossa visita iniciou com muita interação e troca de experiências. Tivemos a oportunidade de conhecer as experiências das mulheres amazonenses, apresentar a Adel e o trabalho com os jovens empreendedores e agricultores”, compartilha Aurigele ao relatar o primeiro dia de intercâmbio no Amazonas.

Encontro dos integrantes da Adel com as mulheres amazonenses, em Careiro Castanho (AM)

Na visita à Adel, o jovem Florian, expressou o quanto foi motivador conhecer os jovens empreendedores rurais da Adel. “Lá na nossa comunidade estamos tentando desenvolver estas mesmas atividades, pra formar jovens empreendedores, e não tínhamos essa imagem de como era. Quando Thiago (um dos fundadores da Casa do Rio) falava pra gente que era possível, a gente não acreditava muito. Ele convidou a gente pra vir visitar e foi muitas surpresas, porque tem gente que já sobrevivi disso e pra mim foi uma experiência muito legal, por aprender tanto com estes jovens e com a Adel”, disse Florian.

Replicação

Com o intercâmbio, os integrantes de cada organização conhecem a diversidade e as expertises de cada instituição e planejam replicar algumas experiências. A ideia da Casa do Rio é utilizar esses aprendizados para a construção do Centro de Empreendedorismo Tupigá, às margens do rio Tupana (AM), que irá beneficiar as comunidades amazonenses.

Thiago Cavalli,  Arlesson e Florian da Casa do Rio e o Jovem Empreendedor Rural Michel (Da esquerda para direita)

A Adel planeja fortalecer o trabalho com jovens mulheres empreendedoras do Sertão e fortalecer o artesanato local. O Projeto Teçume, realizado pela Casa do Rio com sete artesãs da comunidade é inspirador. “Conhecer de perto esta experiência é uma oportunidade para pensarmos como valorizar os recursos locais e proporcionar renda e autonomia para as mulheres”, afirma Adriano Batista, Diretor Executivo da Adel.

Segundo o Empreendedor Social, Thiago Cavalli, o intercâmbio possibilita impactos diversos. “Como somos uma instituição jovem, que acabou de fazer dois anos, ver o quanto a equipe de trabalho da Adel é organizada, apaixonada e comprometida com o que faz, foi muito importante. Um grande aprendizado que deu vontade de conhecer mais, de participar mais e de estar mais perto. Depois que presenciei tudo isso, tenho a convicção que a Casa do Rio tem um longo caminho a ser percorrido, que estamos construindo uma trajetória bacana e que a Adel é um exemplo a ser seguido”.

Integrantes da Casa do Rio no Mercadinho da jovem Ana Maria (à esquerda), em São Gonçalo do Amarante (CE)

Thiago complementa seu relato falando de como os jovens Tupigás foram impactados. “Os jovens que trouxemos viram de perto o que é um jovem empreendedor, perceberam e se identificaram. Eles estão em uma situação socioeconômica semelhante e viram que é possível eles também empreenderem e se desenvolverem em suas comunidades. Além da experiência cultural e regional, porque a Amazônia é um outro universo. Foi a primeira vez que eles saíram de seus Estados, da sua comunidade. Isso vai ficar marcado para eles e para gente a vida inteira”.

O Programa Arranjos Colaborativos da BrazilFoundation proporciona a Adel e Casa do Rio a troca de conhecimentos e culturas. Uma oportunidade para construir muitas transformações no Brasil, respeitando as vivências de cada lugar.

Adel conclui Curso de Empreendedorismo e Gestão de Negócios

Na próxima semana (27/06 à 01/07), os jovens do Programa Jovem Empreendedor Rural participam do último módulo do Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios e apresentam aos pais, parceiros e comunidade seus Planos de Negócios.

O Plano de Negócio é um instrumento de gestão e marketing que faz parte da grade curricular do programa e que ao longo dos quatro meses do Curso os jovens são orientados e direcionados para escrevê-lo.

Após estudarem diversos eixos temáticos, como: Inovação, Gerenciamento de Riscos, Logística de Comercialização, Boas Práticas de Produção e Escala de Negócio, os jovens estão aptos a ingressar na segunda etapa do Programa, que é o acesso ao crédito para empreenderem.

A Adel acredita que esta segunda etapa do Programa é extremamente positiva. É o momento em que os jovens recebem apoio financeiro e assessoria técnica para colocar em prática suas ideias empreendedoras.


Durante o Curso, a equipe de formação da Adel e colaboradores externos discutem com os jovens a importância do planejamento e os desafios de empreender. Mirlânia Lima, graduanda em contabilidade, sócia e integrante do Conselho Administrativo da Adel, esteve nos dias 06 e 07/06, ministrando uma oficina sobre planejamento financeiro.

O planejamento financeiro é uma ferramenta de gestão muito útil para os jovens empreendedores, quando aplicada estrategicamente. Gabriela Brito, 21, que pretende abrir um salão de beleza em Matões, Caucaia, ressalta que a oficina esclareceu suas dúvidas sobre a viabilidade financeira do empreendimento.

“O plano de negócio foi algo que todos os jovens foram se apaixonando à medida que cada palavra era escrita, tínhamos muitas dúvidas a respeito. Para a maioria da turma era a parte mais complicada, mexer com número não é algo fácil, ainda mais quando esses números vão revelar o destino do seu negócio. A oficina nos mostrou que números, gráficos, tabelas e outros não eram nenhum bicho de sete cabeças”, enfatiza Gabriela

A conclusão desta etapa de formação do Programa é muito importante para os jovens e a produção do Plano de Negócio é um processo necessário para implementação dos empreendimentos rurais e para o acesso ao Fundo Veredas, estratégia da Adel para apoiar jovens empreendedores rurais.

Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios

O Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios, integra a primeira etapa do Programa Jovem Empreendedor Rural e tem uma carga horária de 720 horas aulas, cumpridas ao longo de 04 meses.

O curso é destinado aos jovens com idade entre 16 e 32 anos, que desejam abrir seu próprio negócio e permanecer no meio rural. Durante a formação os jovens aprendem sobre as características de um empreendedor, elaboram seus planos de negócios e discutem sobre a implantação de seu empreendimento.

Durante a formação, os jovens participam de um conjunto de oficinas e desenvolvem suas capacidades em áreas como associativismo, cooperativismo, protagonismo, lideranças, empreendedorismo, planejamento, administração rural, gestão, técnicas produtivas, alfabetização digital, comercialização, negócios rurais, microfinanças, agregação de valor, cadeias produtivas, sustentabilidade ambiental, governança e participação em redes, arranjos produtivos locais (APLs) e plano de negócio.

Este ano, a Adel ministrará duas turmas do Curso. A primeira encerra as atividades no dia 01 de julho e a segunda será selecionada nos próximos meses. O Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel conta com o apoio do Instituto Carrefour, Manos Unidas, Instituto Oi Futuro, Fundação Interamericana, Fundo Caixa Socioambiental e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante, e, com o patrocínio da Petrobras para realização do programa.

Jovem realiza o sonho de ser empreendedora

O desejo de ser empreendedora sempre foi o sonho da jovem Maria das Luzes Castro Soares, 19, conhecida por todos como Romênia, primeiro nome que os pais haviam escolhidos antes do seu nascimento. Residente na comunidade de Núcleo B, Pentecoste, ela é a terceira filha do casal de agricultores Carlos Alberto e Maria da Conceição.

Seus pais contam que desde pequena, Romênia era muito autônoma para estudar e buscar seus objetivos. Quando criança “negociava” com os amigos os brinquedos e fazia bingos de doces. Na adolescência vendia cosméticos para adquirir seu próprio dinheiro.

Segundo D. Maria da Conceição, mãe de Romênia, a filha sempre gostava de assistir TV e brincar com os poucos amigos que tinha na comunidade. “Eram poucas crianças, pois a comunidade até então era muito pequena e havia poucas famílias”. Além dos desenhos, o outro passatempo da filha eram as notícias sobre o campo que assistia com o pai.

“Gostava de assistir desenhos, mas ficava encantada em ver aqueles programas de negócios, como o Globo Rural e o Pequenas Empresas e Grandes Negócios. Só eu e meu pai assistia, minha mãe e minhas irmãs não gostavam muito, e com o tempo fui ficando mais interessada com o que via, é muito legal você ganhar seu próprio dinheiro”, diz Romênia.

Romênia e o seu pai, Sr. Carlos Alberto
A primeira atividade empreendedora da jovem foi aos 12 anos. Na época fazia bingos de doces com os amigos. Romênia conta sorridente que esta brincadeira era muito legal. “Além dos doces que minha mãe fazia, eu também pegava coisas que ganhava ou comprava pra sortear e gerar mais dinheiro”.
No ano seguinte, Romênia começou a vender cosméticos em parceria com uma moradora da comunidade. Essa atividade aumentou a renda e também as aprendizagens. “Aprendi muito naquela época com a venda de cosméticos. Foram três anos de vendas, encerrei no primeiro ano do Ensino Médio porque descobri que minha parceira me enrolava (risos)”.
Após concluir o Ensino Médio, em 2013, Romênia ingressou no curso de Serviço Social e através dos amigos da faculdade soube da existência da Adel e do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER). De imediato ela não teve interesse de participar do Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios do PJER. Não sabia como conciliar a faculdade com outra formação, mas o estímulo da família e o sonho adormecido de empreender levou a jovem à participar da seleção e ingressar no Programa.
Romênia apresentando a produção de mamão

Para Romênia, a decisão de fazer os dois cursos ao mesmo tempo foi um desafio bastante válido. “Foi complicado participar da formação, mas valeu muito a pena cada semana que passei lá (Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios do PJER). O curso proporciona muitas atividades que estimula não só aprender a negociar ou gerenciar, mas também incentiva o lado social de empreender e que podemos ajudar não só a nossa família, mas também a comunidade”.

Mudanças

Após concluir o Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios, Romênia acessou uma linha de crédito do Fundo Veredas, estratégia da Adel para apoiar empreendimentos de jovens rurais no semiárido cearense. Ela investiu na produção de mamão, empreendimento agrícola que condiz com as condições climáticas da comunidade, e conta com a parceria do seu pai.

Durante o Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios Romênia identificou esta oportunidade e mesmo com os desafios de acesso à água ela não hesitou em começar o negócio. “Inicialmente não imaginava que iria se identificar com um negócio agrícola, mas depois de muito estudo enxerguei o mamão como uma atividade viável para minha propriedade. Estamos com dez meses de negócio iniciado e quatro meses de produção, a renda ainda é pequena mas já estamos escoando a produção”.

Romênia no seu empreendimento

Seu Carlos Alberto, pai e parceiro da filha no empreendimento, ressalta orgulhoso a decisão da jovem. “Minha filha é muito importante para mim, pois ela permaneceu próximo da família e de mim. Investiu em um negócio que eu ajudo e que beneficia toda a nossa família. Sou grato pelo curso e pela pessoa que ela se tornou”.

O empreendimento de Romênia tem pouco menos de um hectare e conta com 450 mamoeiros. Atualmente a produção é comercializada no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) de Pentecoste, mas ela pretende alcançar novos mercados através da Caroá – Cooperativa de Jovens Empreendedores Rurais do território.

Romênia é uma das jovens beneficiadas pelo Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel que conta este ano, com o apoio do Instituto Carrefour, Manos Unidas, Instituto Oi Futuro, Fundação Interamericana, Fundo Caixa Socioambiental e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante, com o patrocínio da Petrobras.

Adel realiza formação com jovens empreendedores rurais

Ontem (16/05) a Adel iniciou o quarto módulo do Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios do Programa Jovem Empreendedor Rural no Centro de Formação do Jovem Empreendedor Rural, em Sororoca/São Gonçalo do Amarante.
Vinte e nove jovens de seis municípios cearenses – São Gonçalo do Amarante, Caucaia, Umirim, Paracuru e Apuiarés, participam desde março do Programa com o objetivo de aprender sobre empreendedorismo e implantar seu próprio negócio em sua comunidade.

Os jovens integrantes do Curso pretendem criar empreendimentos não-agrícolas com foco na área gastronômica, eletrônica, vendas e estética; e, empreendimentos agrícolas, na área de avicultura e ovinocultura. 

Jovens no Centro de Formação do Jovem Empreendedor Rural, Sororoca/São Gonçalo do Amarante

Fábio Júnior, 18, residente em Apuiarés, pretende abrir uma Tapiocaria em parceria com a mãe Célia Maria, 40. A venda será feita em um carrinho em lugares e horários estratégicos. A jovem Brena Kézia, 26, de Umirim, relata que entrou no Programa com o desejo de abrir uma lanchonete, mas mudou de ideia durante a formação, pois percebeu outras oportunidades.

“Lanchonete era meu foco, mas compreendi depois do estudo de mercado no curso que não era viável, então decidi investir em algo que já trabalhava, mas não enxergava como uma oportunidade, que era fotografia. Fazia muitos bicos na área, mas nunca pensei que poderia ser um negócio, agora sei e vou investir nesta ideia”, conta Brena.

Assim como Fábio Júnior e Brena, ambos os jovens estão analisando o mercado e decidindo qual área empreenderem. A cada módulo do curso, os jovens se especializam mais sobre a escrita do seu plano de negócio e percebem as oportunidades existentes.

Jovens apresentando suas ideias empreendedoras

Esta semana os jovens estudam sobre Matemática Financeira, Contabilidade e Gestão de Custos com a finalidade de planejar o orçamento do empreendimento. Eles também compartilham seus saberes e ideias empreendedoras com os jovens Tupigá – Arlesson, 21 e Florian, 18, da ONG Casa do Rio que estão no Ceará para conhecer as experiências da Adel e do Programa Jovem Empreendedor Rural.

Na próxima quinta-feira (19/05) o empreendedor social Thiago Cavalli e a Designer de Produtos Luly Viana realizam a oficina de empreendedorismo e cadeia da moda sustentável para a turma. A ideia é apresentar aos jovens o projeto Teçume, iniciativa desenvolvida pelo grupo com sete artesãs na comunidade Santa Izabel, no município de Careiro Castanho/Amazonas.

Ainda esta semana, a economista Raquel Ferreira da Adel, discutirá com os jovens o modelo de plano de negócios utilizado pelo Fundo Veredas, iniciativa da Adel para apoiar financeiramente empreendimentos de jovens empreendedores rurais.

Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios

O Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios, integra a primeira etapa do Programa Jovem Empreendedor Rural e tem uma carga horária de 720 horas aulas, cumpridas ao longo de 04 meses.

Fábia Oliveira, monitora educacional, e os jovens do Programa Jovem Empreendedor Rural

O curso é destinado para jovens com idade entre 16 e 32 anos, que desejam abrir seu próprio negócio e permanecer no meio rural. Durante a formação os jovens aprendem sobre as características de um empreendedor, elaboram seus planos de negócios e discutem sobre a implantação de seu empreendimento.

Nesta quarta semana presencial do Curso, entre os dias 16 e 20 de maio, os eixos temáticos são: Matemática Financeira; Contabilidade e Gestão de Custos. Ao final deste módulo, os jovens começam a desenvolver o plano orçamentário dos seus negócios.

Este ano, o Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel conta com o apoio do Instituto Carrefour, Manos Unidas, Instituto Oi Futuro, Fundação Interamericana, Fundo Caixa Socioambiental e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante, e, com o patrocínio da Petrobras para realização do programa.

Casal empreendem juntos após ingresso no Programa Jovem Empreendedor Rural

Michel Barbosa Moreira, 28, conhecido como Xexel, e Maria Aparecida Sousa, 25, trabalham juntos no empreendimento Xexel do Camarão, em Paracuru. A decisão do casal de empreenderem juntos veio após o ingresso de Michel no Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel.

Michel é o filho caçula de três irmãos e desde criança acompanhou o pai na venda de peixes. Seu João Xavier, dono há mais de trinta anos de um box no mercado central de Paracuru, conta que criou todos os filhos graças a este negócio. Mas a família nunca viu a atividade como um negócio sustentável.

Somente Michel seguiu o ofício do pai e fortaleceu o desejo de um dia abrir seu próprio negócio no local. Os dois outros irmãos cedo começaram a trabalhar em outras áreas e Michel aos 25 anos abriu a peixaria Xexel do Camarão em um box vizinho ao do pai. A decisão do jovem de trabalhar por conta própria veio acompanhada da necessidade de ter sua própria renda familiar.

Peixaria Xexel do Camarão

Entretanto, ele continuou vendendo os peixes sem planejamento. A administração do negócio e os
investimentos em marketing e comunicação eram praticamente inexistentes. Michel também não imaginava que era estratégico a vinda da esposa para auxiliar na gestão do negócio.”Eu não via que era possível eu e minha esposa trabalhar juntos e ter nossa própria renda”.

Aparecida Sousa trabalhava como operadora de caixa em um empreendimento particular da cidade e já tinha noções básicas de gestão. Mas, nem ela e nem e o esposo viam que juntando suas expertises poderiam ampliar a peixaria e a renda familiar. Em busca de cursos para se especializar na área de gestão, Aparecida soube das inscrições do Programa e logo viu a possibilidade de Michel participar.

“Incentivei imediatamente o Michel a ir participar do curso no meu lugar. Apesar do meu interesse enxerguei que era bem melhor para ele, tinha a questão do tempo livre e eu não podia, então falei do Programa e que ele precisava daquela capacitação, era uma boa oportunidade”.

Mudanças


Apesar de Michel ter aprendido muito com seu pai sobre a atividade ele conta que por diversas vezes não obteve lucro necessário para investir no negócio. Quando teve a oportunidade de fazer o Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios do Programa Jovem Empreendedor Rural as mudanças começaram a vim.

Durante o curso, Michel aprendeu como gerenciar melhor o seu negócio e percebeu a importância de investir em comunicação e marketing. Ele planejou e decidiu investir na imagem e divulgação do empreendimento. Criou sua própria marca, produziu panfletos e fez anúncios em jornais, rádios e revistas da cidade para divulgar os produtos.

“Antes não tinha noção da importância do marketing. É muito importante, abrange não só a comunidade local, mas também clientes de fora. Investi em várias ações que desse mais visibilidade para o meu negócio, e hoje sei que tudo isso é o que traz mais da metade da minha clientela. Tem dias que recebemos mais encomendas por telefone do que na própria peixaria. Fico até surpreso as vezes.”

Além de ampliar o empreendimento, o jovem empreendedor rural Michel conta que o relacionamento do casal melhorou. “Antes Aparecida trabalhava como operadora de caixa durante oitos horas diárias, não tinha tempo para outra atividades, as vezes no fim do dia mal conversávamos devido o tempo e o cansaço. Agora ela me ajuda na peixaria, estuda e tem mais tempo livre para sairmos juntos”.

Jovem Empreendedor Rural Michel

O atendimento na peixaria, a recepção dos clientes e a organização dos produtos também foi fundamental para o aumento das vendas. Com as orientações do Programa Michel passou a compreender o fluxo de caixa, orçamento e gestão de custos do seu negócio.

“O melhor de tudo foi a aproximação da minha esposa quanto ao meu negócio. Ela não tinha tanto interesse como tem agora. Acredito que foi a partir do conhecimento que eu repassava para ela quando chegava da formação que passamos a enxergar juntos a oportunidade que tínhamos em mãos, e que só juntos poderíamos desenvolvê-la. ”

Aparecida que acompanha de perto o esposo diz que a iniciativa da Adel contribui para a formação do jovem como empreendedor e pessoa. “O curso colaborou bastante nas mudanças da nossa família, Michel de certa forma é mais atencioso, acredito que é os momentos reflexivos que ele tanto falava que tinha lá que ajudaram a ampliar sua visão. Agora nós gerenciamos melhor nossas finanças, fico feliz por ele ter participado do programa”.

Empreendimento Xexel do Camarão

A peixaria Xexel do Camarão está localizada em um box no mercado central na sede do município de Paracuru. No empreendimento são vendidos camarões e frutos do mar, produtos com maior demanda do comércio local e principalmente dos turistas.

Michel e Aparecida atendendo uma cliente

Com apoio financeiro do Fundo Veredas, estratégia da Adel para apoiar jovens empreendedores rurais, Michel reestruturou a peixaria, diversificou os produtos e comprou mais equipamentos. O atendimento ao cliente melhorou juntamente com a renda do casal e as perspectivas futuras.

“Nossa renda e autoestima melhorou, porque cada um ganhava mais ou menos um salário mínimo. Apesar do meu afastamento do outro trabalho, estamos conseguindo obter essa renda, até mais só com a peixaria, apesar de termos mais despesas. Temos bastantes motivos agora para acreditar no sucesso do negócio. A nossa união fortaleceu o empreendimento e motivou a nossa família a acreditar também, e isso é muito gratificante” ressalta Aparecida que planeja fazer o curso em breve.

O Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) é desenvolvido pela Adel com o patrocínio da Petrobras, apoio do Instituto Carrefour, Fundação Interamericana (IAF), Oi Futuro, Manos Unidas, Fundo Socioambiental Caixa e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante.

Jovens do Programa Jovem Empreendedor Rural recebem visita da Adel

Entre os dias 04 e 06/05, os participantes do Curso de Empreendedorismo e Gestão de Negócios do Programa Jovem Empreendedor Rural receberam a segunda visita dos assessores de formação da Adel.

Durante três dias, Tales Rilton e Fábia Oliveira, da Adel, visitaram as famílias dos vinte e nove jovens que moram em dezoito comunidades de seis municípios do território – São Gonçalo do Amarante, Caucaia, Umirim, Paracuru e Apuiarés. O intuito da visita foi fortalecer o diálogo com as famílias e reafirmar a importância do acompanhamento e apoio dos pais aos jovens.

Segundo Fábia Oliveira, na visita às famílias demonstraram muita satisfação na participação dos filhos no Programa. A maioria dos pais passam a compreender os projetos dos filhos e acreditar na concretização dos mesmos. 

“É nítida a satisfação da família durante a visita, pais e jovens demonstram atenção quando falamos e total apoio nas atividades propostas. Também conseguimos pensar junto a família estratégias de como melhorar a formação e consequentemente o desenvolvimento dos jovens”, enfatiza Fábia Oliveira.

Fábia Oliveira (monitora educacional), Cleidiana Sousa (jovem), D. Antonizia e Sr. César (pais) e Meiriane Sousa (jovem). 

As visitas às famílias é um dos passos mais importante do Programa. Além de conhecer os pais de cada jovem, a Adel identifica a localização de cada unidade familiar e estabelece um contato direto com a família. Ainda este semestre, ocorrerá mais uma visita próximo da conclusão do curso, com o intuito de garantir a participação e o apoio dos pais aos jovens durante e após a formação.


Impactos

D. Raimunda Soares, 50, mãe do jovem Ricardo Rodrigues, 24, conta que o filho era muito inibido, sem perspectivas e que não gostava de participar de atividades na comunidade. Ao participar do Programa o filho ficou mais ativo e alegre na comunidade Catuana, Caucaia.

“O desejo de expandir o negócio da família se renova a cada visita dos colaboradores. Ricardo deixou de lado a vergonha e agora está mais participativo, até a venda de frutas e legumes flui melhor depois do apoio da Adel. Espero que ele aprenda mais e que recebamos mais visitas”, destaca animada.

D. Raimunda (mãe), Ricardo Rodrigues (jovem beneficiado) e Tales Rilton (assessor de formação da Adel).

Segundo Tales Rilton, assessor de formação da Adel os pais agradecem muito o apoio. “Os pais relatam que não tiveram oportunidades como esta e que é muito significativo saber que os filhos estão tendo. Eles também enfatizam que o Programa é grandioso, que falam para amigos colocarem seus filhos também, porque segundo eles nem todo curso disponibiliza gratuitamente o acompanhamento técnico as famílias, e que isso é muito bom.”

Este ano, a Adel conta com o apoio do Instituto Carrefour, Manos Unidas, Instituto Oi Futuro, Fundação Interamericana, Fundo Caixa Socioambiental e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante, e, com o patrocínio da Petrobras para realização do programa.

Adel apresenta Programa Jovem Empreendedor Rural em evento nacional da IAF

Entre os dias 25 e 29/04, a Adel participou do Encontro Nacional de Donatários da IAF (Fundação Interamericana), em João Pessoa/PB. Aurigele Alves, diretora de programas e o jovem empreendedor rural Benedito Barbosa, estiveram no evento representando a instituição.

Cerca de 70 entidades do Brasil, que atuam na área de direitos humanos, agricultura familiar, educação popular, negócios inclusivos, agroecologia, cooperativas e economia solidária estiveram no evento. Além da Adel, participaram do Ceará, a ADELCO e COPEMA, ambas com sede em Fortaleza.

Abertura do Encontro IAF – Foto: Rádio ABC

O evento possibilitou a troca de conhecimentos entre as organizações apoiadas pelo IAF e discutir coletivamente os desafios identificados e as formas de cooperação e parcerias entre as organizações. A Adel apresentou no evento os resultados do Programa Jovem Empreendedor Rural, que é desenvolvido desde 2014, com o apoio da IAF e outros patrocinadores, incluindo a Petrobras.

Benedito Barbosa, um dos jovens beneficiados do Programa Jovem Empreendedor Rural compartilhou os impactos alcançados a partir do ingresso no programa e os objetivos que ele e os demais jovens da Rede de Jovens Empreendedores Rurais desejam alcançar. Benedito, que é produtor de aves caipira, é um dos articuladores da Cooperativa Caroá, iniciativa dos próprios jovens, com o apoio da Adel a fim de proporcionar a comercialização dos empreendedores da região.

No decorrer da semana, cada participante teve a oportunidade de pensar intercâmbios entre si e visitaram o Centro de Educação Popular (CENEP) em João Pessoa, organização parceira da IAF. “A semana foi de muita aprendizagem. Foi uma grande oportunidade participar desse grandioso evento, que proporcionou uma maior compreensão da atuação da IAF e sobretudo da cooperação existente entre os projetos e organizações”, ressalta o jovem Benedito.

Benedito Barbosa, jovem empreendedor rural, e, Aurigele Barbosa, diretora de programas da Adel – Foto: Rádio ABC

Para Aurigele Alves, diretora de programas da Adel, o evento contribuiu com a construção e consolidação de novas parcerias. “Além de conhecer de perto outras organizações, o encontro nos possibilitou compartilhar nossas experiências, saberes e desafios enfrentados em nossa organização. Foi uma experiência única, encontrar pessoas de várias regiões do país com sotaques e culturas diversas. Toda esta diversidade é importante para a construção do Brasil que queremos e sonhamos.”

A IAF é um órgão independente do governo dos Estados Unidos que incentiva parcerias entre organizações comunitárias, empresas e governo local, a fim de colaborar com a qualidade de vida das pessoas e fortalecer as práticas democráticas.

Mais informações: http://portugues.iaf.gov

Jovem decide permanecer no meio rural após ingressar no PJER

Morando na sede do município de Paracuru, litoral oeste do Ceará, desde os três anos de idade, Mikaele de Sousa Reis, 18, não imaginava que aos 13 anos tivesse que morar na pacata comunidade de Lagoa do Mato, em São Gonçalo do Amarante.

A jovem conta que a vinda dela e da família para a comunidade foi motivada pela separação dos pais. “Foi muito difícil se adaptar, eu não queria vim para cá, vim meio que obrigada. Morava em Paracuru, um centro urbano bastante diferente, mas aos poucos comecei a me adaptar e participar de atividades na comunidade, hoje não me vejo saindo daqui. Minha mãe até pensa em voltar, mas eu não quero”.

Diferente da sede do município de Paracuru, a comunidade de Lagoa do Mato apresenta alguns desafios. O acesso à Escola, transporte, áreas de lazer e trabalho para juventude é bastante limitado e muitos jovens chegam até migrar para a cidade. No entanto, Mikaele ao ingressar no Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel viu que na comunidade existem muitas oportunidades.

Muito participativa, Mikaele começou a se engajar no grupo de jovens local e apesar das dificuldades de acesso à Escola, concluiu o Ensino Médio e fez vários cursos com o propósito de se especializar e ajudar a sua mãe. “Eu sabia das dificuldades que ela tinha para cuidar da gente sozinha e queria muito ajudar. Também sempre quis ter uma renda”.

Mikaele Reis, jovem beneficiada e D. Leda, mãe da jovem.

A mãe de Mikaele, D. Leda, fazia alguns “bicos”e vendia roupas para criar os três filhos. Mikaele por ser a filha mais velha, cedo começou a ajudar a mãe. “Quando decidi que queria empreender, inicialmente foi por necessidade, minha mãe é sacoleira e através de seu esforço conseguiu segurar a barra que foi a separação de meu pai. Vendo isso eu enxerguei que ela não sabia gerenciar bem o negócio e como eu me identificava resolvi investir na ideia de ter uma loja de roupas”.

O Programa Jovem Empreendedor Rural

Em 2015, Mikaele soube através de uma amiga, das inscrições do Curso de Empreendedorismo e Gestão de Negócios do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) desenvolvido pela Adel. De imediato, ela buscou mais informações e se inscreveu.

No início, os seus avôs e tios não lhe apoiaram. Consideravam que não era viável a sua ida para as formações presenciais. Mas, D. Leda deu todo apoio a filha e reconhece que o Programa trouxe muitas transformações para Mikaele e sua família.

“Quando vejo a Mikaele interessada em estudar, a participar de grupos religiosos e buscando algo para nos ajudar me emociona, incentivo muito a ela a investir nos seus sonhos, ela sempre enfatiza que irá me ajudar muito com os conhecimentos que aprendeu no curso da Adel”, conta emocionada D. Leda.

Mikaele e D.Leda apresentando a gestão financeira do empreendimento

Mikaele conta que no Programa Jovem Empreendedor Rural aprendeu as ferramentas básicas para empreender e compartilhar com outros jovens seus sonhos. “No curso, aprendi a lidar com as outras pessoas, com as diferenças, os conteúdos me ajudaram muito. Não era como na escola, não era uma coisa que você era obrigado a fazer, você fazia porque você queria, porque queríamos de verdade aprender”.

Após o Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios, Mikaele acessou um microcrédito no Fundo Veredas, estratégia da Adel para apoiar os jovens rurais que desejam empreender. Apresentou o plano de negócios do empreendimento “Mika Looks”, uma loja especializada em roupas femininas e com o suporte financeiro da Adel iniciou o seu negócio.

Mudanças

Com o apoio do Fundo Veredas Mikaele juntamente com sua mãe comprou mais roupas e ampliou o número de clientes. Juntas, mãe e filha continuaram trabalhando como sacoleiras e começaram a utilizar as redes sociais para divulgar os produtos.

Na comunidade, Mikaele é vista como uma jovem de sucesso e já inspirou mais duas outras jovens a ingressarem no Programa. “Hoje sou além de sacoleira, uma empreendedora. No curso compreendi e pude mostrar para minha mãe a importância do fluxo de caixa, de criar uma tabela e acompanhar a entrada e saída de produtos”.

Após dez meses de implantação do empreendimento, a vida da família mudou. O empreendimento de Mikaele ampliou e ela passou a fazer com a mãe o fluxo de caixa para acompanhar o retorno financeiro da atividade. Também o desejo da jovem de voltar para Paracuru já não é o mesmo.

“Inicialmente não me identificava com o meio rural, não queria mesmo vir para a comunidade. Aí, quando vi a chance do PJER pensei que eu poderia ser um exemplo para outros jovens na comunidade. Hoje já sou exemplo, me destaco quando falo da minha experiência no Programa”, conta entusiasmada.

A mãe orgulhosa diz que o Programa trouxe muitas transformações e Mikaele ressalta que ser o apoio financeiro é essencial para empreender. “Depois do acesso ao Fundo Veredas as coisas melhoraram. Hoje eu posso comprar o que eu quero, tenho autonomia financeira e ajudo minha família. Espero ampliar o número de clientes e ser referência para outros jovens”.

Mikaele, D. Leda e Raimundo Abreu, assessor técnico da Adel realizando a atividade de acompanhamento aos jovens

O Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) é desenvolvido pela Adel com o patrocínio da Petrobras, apoio do Instituto Carrefour, Fundação Interamericana (IAF), Oi Futuro, Manos Unidas, Fundo Socioambiental Caixa e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante.

Jovem empreende e inspira outros jovens de sua comunidade

Benedito Barbosa Marques, 21, é um dos treze (13) filhos do casal de agricultores, Antônio e Maria de Fátima e mora na comunidade de Carnaúba, em Umirim/CE. Desde pequeno, ele e os irmãos foram estimulados pelos pais a trabalharem na agricultura.

O pai, seu Antônio, lembra saudoso do tempo em que ele, a esposa e os filhos iam trabalhar juntos. “Nós e os meninos saia cedinho para o roçado, não existia tempo ruim, toda manhã acordávamos cedo para fazer alguma coisa”.
O tempo passou e a rotina da família foi se modificando. Dona Maria de Fátima, que de vez em quando ajuda o esposo na agricultura, foi aprovada em concurso municipal e tornou-se auxiliar de serviços gerais na Escola da comunidade. Alguns filhos casaram, outros foram morar nos centros urbanos, Benedito e os dois irmãos mais novos permaneceram com os pais.
Motivado pelos pais, Benedito sempre procurou conciliar os estudos com o trabalho para ajudar no sustento da casa. Quando cursava o Ensino Médio, Bené teve que se ausentar temporariamente das atividades agrícolas. A Escola ficava distante da comunidade e como sua mãe conseguiu no colégio um expediente para um de seus filhos lhe ajudar, ele começou a trabalhar com ela nesse período.
Benedito Barbosa, Dona Maria de Fátima, David (sobrinho) e seu Antônio (da esquerda para a direita)
“Um a um, eu e meus irmãos foram passando por esse emprego, até que chegou minha vez. Foi o meu primeiro emprego, passei três anos como auxiliar, varrendo, enxugando, e por fim consegui ser monitor de um projeto que ajudava jovens na alfabetização, daí surgiu a vontade de melhorar minha comunidade”.
Em 2014, Bené começou o curso de Pedagogia à distância na Universidade Federal do Ceará (UFC) e tentou conciliar os estudos com algum trabalho para obter uma renda. Durante dois anos, trabalhou em vários estabelecimentos no município, mas nenhum correspondeu aos seus anseios. Ele queria continuar os estudos, trabalhar e colaborar com outros jovens. “Suas ideias era de um empreendedor”, disse uma amiga.
Oportunidade de empreender
Uma amiga de Benedito que conhecia os seus projetos de vida soube das inscrições do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) no município e indicou para ele, que não hesitou em conhecer a ideia. De imediato, Bené apostou que o empreendedorismo seria uma estratégia para alcançar seus objetivos: ter independência financeira, continuar morando na comunidade e inspirar outros jovens.
“A necessidade de ser independente, ajudar minha família e aprender mais, me convenceu imediatamente a participar do PJER e tentar conciliar mais uma atividade nos meus dias de trabalho. No início de 2015 me inscrevi, fui selecionado e ingressei em mais uma jornada, que me proporcionou um leque de oportunidades que até então não compreendia”.
No curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios do Programa, Bené foi instigado a pensar qual o negócio poderia ser viável em sua propriedade. Após fazer uma pesquisa de mercado ele identificou que investir em avicultura caipira era uma grande oportunidade. A atividade condiz com as condições climáticas e é muito apropriada para a propriedade.
“No início (do curso) eu não tinha uma ideia clara de negócio, a única coisa que eu pensava era em como eu poderia começar a ganhar dinheiro, ter autonomia, e ser uma referência na minha comunidade. Falei na entrevista que montaria um negócio na área agrícola, pois tinha noção da necessidade”. Com os conhecimentos adquiridos sobre gerenciamento e empreendedorismo no Programa, apoio financeiro do Fundo Veredas e de sua família, ele criou um empreendimento de avicultura caipira.
Empreendimento de avicultura caipira do jovem Benedito
Bené organizou um espaço no quintal de casa, construiu um galpão e comprou 150 pintos para iniciar o negócio. Após quatro meses, ele começou a vender frangos na própria comunidade e sonha em comercializar seu produto através da Caroá – Cooperativa de Jovens Empreendedores Rurais, que está sendo articulada por ele e outros jovens do território.
Os lucros da primeira remessa de pintos foram investidos no próprio empreendimento, a fim de ampliar a produção e atender novos mercados. Nesse ínterim, sua irmã Raquel e mais três jovens de Carnaúba inspirados por sua história ingressaram no Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel e compartilham o desejo de fortalecer seus empreendimentos e planejar projetos sustentáveis na comunidade.
O Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) é desenvolvido pela Adel com o patrocínio da Petrobras, apoio do Instituto Carrefour, Fundação Interamericana (IAF), Oi Futuro, Manos Unidas, Fundo Socioambiental Caixa e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante.

Programa Jovem Empreendedor Rural beneficia jovens de seis municípios cearenses

Neste primeiro semestre de 2016, mais trinta jovens de seis municípios cearenses – Apuiarés, Pentecoste, Paracuru, Umirim, Caucaia e São Gonçalo do Amarante são beneficiados pelo Programa Jovem Empreendedor Rural.

Morando em comunidades diversas, as 22 meninas e os 08 meninos que ingressaram no programa compartilham o sonho de tornar-se um empreendedor. Ser referência em suas comunidades é o desejo da maioria que conheceu o programa a partir de um outro jovem empreendedor do território que se fixou na comunidade e tem sua autonomia financeira.

O Programa Jovem Empreendedor Rural, tecnologia social desenvolvida desde 2009 pela Adel já beneficiou cerca de 650 jovens de 45 comunidades no semiárido cearense. Com o objetivo de apoiar jovens de comunidades rurais na criação e no fortalecimento de pequenos negócios em suas propriedades, o programa tem gerado novas perspectivas para a juventude que vive no meio rural.

A estratégia de atuação do programa consiste no desenvolvimento de quatro componentes: acesso ao conhecimento por meio do Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios; acesso a microcrédito, através do Fundo Veredas; participação em redes colaborativas; e, acesso as tecnologias de informação e comunicação (TICs). Significa uma oportunidade para a juventude rural que quer empreender e precisa de apoio para implementar sua ideia.

Tales Rilton, assessor de formação da Adel (à direita), jovens do programa e Luiz Barreto, colaborador externo (à esquerda)
Cada jovem que ingressa no Programa Jovem Empreendedor Rural pode acessar os quatro componentes e contam com o apoio da equipe da Adel para que possam iniciar e desenvolver seus empreendimentos – agrícolas (atividades das cadeias produtivas da agricultura familiar) ou não-agrícolas (prestação de serviços e atividades produtivas que não envolvem práticas de agricultura).

Os jovens que ingressaram este semestre no programa, a maioria deseja criar empreendimentos não-agrícolas com foco na área gastronômica, eletrônica, vendas e estética. Eles acreditam que este é um mercado promissor a ser explorado no meio rural. São serviços necessários à população e apenas disponibilizados nos grandes centros urbanos.

Alessandra Felix de Sousa, 19, reside na comunidade Queimadas, distante 30 km da sede de São Gonçalo do Amarante, pretende abrir uma loja de roupas. “O local mais próximo que disponibiliza estes produtos fica a uns 5km, muitos moradores não têm transporte e optam sempre pela acessibilidade das sacoleiras, minha mãe é uma e pode me dá todo o suporte no desenvolvimento do meu negócio”, afirma.

Este ano, a Adel conta com o apoio do Instituto Carrefour, Manos Unidas, Instituto Oi Futuro, Fundação Interamericana, Fundo Caixa Socioambiental e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante, e, com o patrocínio da Petrobras para realização do programa.

Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios

O Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios, integra a primeira etapa do Programa Jovem Empreendedor Rural e tem uma carga horária de 720 horas aulas, cumpridas ao longo de 04 meses. No curso, os jovens aprendem sobre as características de um empreendedor, elaboram seus planos de negócios e discutem sobre a implantação de seu empreendimento.

Álvaro Neto, colaborador externo, ministrando a oficina de associativismo e cooperativismo

Na primeira semana presencial do Curso, que ocorreu entre os dias 14 e 18 de março, os eixos temáticos estudados foram: Noções de gestão ambiental e empreendedorismo; Associativismo; Cooperativismo; Liderança; Habilidades Interpessoais e Negócios rurais sustentáveis.

Após a semana de estudos, os jovens foram orientados a compartilhar com a família sua ideia empreendedora e fazer um diagnóstico local das oportunidades. A finalidade é analisar qual a viabilidade de realizar seus empreendimentos.

A Adel acredita que este momento com a família é primordial para o jovem aprimorar suas ideias com os pais e a cada formação apresentar com clareza o propósito do empreendimento. Na segunda semana presencial que inicia hoje (04/04) e segue até sexta-feira, os assessores técnicos estarão discutindo com os jovens quais são as oportunidades de mercado viáveis.


Visitas de estudos

Durante o Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios acontece a cada módulo visitas de estudos a outros jovens empreendedores do programa. Na primeira semana presencial do Curso, a turma visitou o empreendimento “Agricultura do Vale” dos jovens empreendedores Vitor Esteves e Rayssa Duarte.

O empreendimento “Agricultura do Vale”, localizado na comunidade Boca da Picada, São Gonçalo do Amarante, consiste na produção de hortaliças, frutas, grãos, ovinos, galinha caipira, abelhas, gado e produção de adubo orgânico. Tem como propósito valorizar a agricultura familiar e suas práticas agrícolas beneficiando jovens e agricultores do território.

“Agricultura do Vale”, Boca da Picada, São Gonçalo do Amarante/CE (Foto: Divulgação Fanpage Empreendimento)

Durante a visita, Vitor e Rayssa apresentaram o empreendimento, os desafios enfrentados quanto a abertura, manutenção e comercialização dos produtos, enfatizando quais as estratégias utilizadas para superar esses desafios.

Com isso, os jovens conheceram na prática os desafios de empreender e o quanto devem ser ousados e persistentes para alcançar seus objetivos. Na visita, eles tiveram contato com experiências agrícolas e não-agrícolas. Rayssa além de colaborar com Vitor nas atividades do Sítio, trabalha com artesanato.

Segundo Tales Rilton assessor de formação da Adel, o primeiro contato dos jovens com o programa é fantástico.” Os jovens ficam super empolgados com as temáticas do curso e a forma como os conteúdos são trabalhados. Ao final da primeira semana todos estavam muito felizes por terem enxergado muitas oportunidades que até então não haviam constatado. Essas mudanças trouxeram mais esperança, percebi isso nos relatos do último dia. Tudo isso nos inspira ainda mais a buscar mais conhecimentos para compartilhar com a turma”, ressalta.

Jovens durante conversa com Vitor e Rayssa no Sítio Agricultura do Vale