“Apesar de tudo, sempre tive coragem e otimismo por dias melhores, foi então que tive esta grande oportunidade de ajudar minha comunidade, abrir um negócio que, além de trazer rentabilidade para minha família, estaria facilitando a vida de pessoas que gosto”.

 

Filha mais velha de nove irmãos, dividiu com os pais a responsabilidade de cuidar da família, da casa e da roça. Com apenas quatorze anos e cursando a sexta série, mudou completamente os projetos de vida dela. Logo que engravidou, parou os estudos e assumiu a responsabilidade de cuidar do filho e da casa da nova família. E, apesar das mudanças prematuras, ela e o esposo, Rubens, deram novos rumos às histórias do casal.

Com o nascimento dos dois filhos, Ana Maria passou a cuidar das crianças e das atividades do lar, e Rubens trabalhava fora para adquirir o sustento da família. Após uma década, Ana viu a necessidade de retomar os estudos. Os filhos cresceram e traziam atividades para casa do colégio, mas ela não conseguia ajudá-los devido sua baixa escolaridade.

Durante cinco anos, cursou o Ensino Fundamental e Médio e, logo após, viu que, além de ajudar os filhos poderia fazer um curso profissionalizante e investir em alguma atividade produtiva. Daí surgiu a vontade de empreender, pois descobriu que agrupar prática, conhecimento e força de vontade poderiam lhe trazer bons frutos.

Paralelo à busca de emprego, Ana ingressou no curso do Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel. No curso, ela identificou várias oportunidades na comunidade em que ela mora e optou por investir em um negócio que os moradores tinham mais necessidade. As famílias de Livramento enfrentavam muitas dificuldades para ter acesso aos estabelecimentos comerciais.

“Nasci e cresci nesta comunidade, desde pequena vi as dificuldades devido à acessibilidade. Muitas vezes, minha mãe se deslocava quatro a seis km a pé para comprar um quilo de açúcar e isso era muito desgastante. Apesar de tudo, sempre tive coragem e otimismo por dias melhores, foi então que tive esta grande oportunidade de ajudar minha comunidade, abrir um negócio que, além de trazer rentabilidade para minha família, estaria facilitando a vida de pessoas que gosto”.

Em parceria com o esposo e apoio financeiro da Adel, através do Fundo Veredas, Ana decidiu montar uma mercearia em um dos cômodos da casa em julho de 2015. No primeiro mês de funcionamento, eles tiveram mais de 80% de retorno de acordo com os investimentos aplicados. Após oito meses de funcionamento, Ana afirma que conseguiu melhorar a renda da família a ponto de adquirir outros bens além da alimentação, como um telefone celular para o filho.