“Inicialmente me inscrevi no curso só por curiosidade. Meu amigo Alisson me indicou e falou da oportunidade, ai decidi participar. Foi durante a formação, que surgiu em mim o desejo de verdade de empreender na área de costura porque eu tinha o conhecimento prático, só que faltava o técnico para poder saber botar o negócio pra frente, sem falar do crédito que tive acesso após a formação. Foi um ótimo incentivo para colocar meu empreendimento”.

Gilberlane Oliveira Arruda, 22 anos, reside na comunidade de Muquém. Desde muito jovem, já demonstrava autonomia nas tarefas de casa. A primeira atividade foi na agricultura com o pai dele aos dez anos. Um dos filhos mais jovens de cinco irmãos, destacava-se por sempre estar disposto a ajudar o próximo.

Filho de Maria Ecilda, 53 anos, e Gilberto Honório, 53 anos, sempre foi dedicado e disposto a ajudar os pais quando solicitado. Ecilda conta que o incentivou ainda pequeno a bordar e costurar por achar muito cansativo para o filho trabalhar na agricultura e outras atividades braçais por pouca remuneração. “Enxerguei que, se ele aprendesse a bordar, iria ganhar mais, ficar mais próximo a mim e se desgastaria menos. Lembro que ele, no início, se escondia das visitas quando estava bordando ou costurando por achar que ainda não estava preparado para assumir a nova ocupação. Era engraçado. Eu chamava a atenção dele, explicando que não era só mulher que fazia aquilo, até que ele perdeu a vergonha e começou a se dedicar a atividade”.

Ecilda relata que o filho foi um dos poucos jovens da comunidade que fez diferente, que quis permanecer e ficar próximo à família e que a mãe dela, Maria Zilda, 78 anos, que reside próximo à casa dela, ficou feliz por ver o neto dando continuidade a um trabalho passado por gerações. “É muito bom ficar com os filhos próximos de casa, principalmente trabalhando e ajudando, Gil aprendeu a bordar e costurar comigo, eu aprendi com minha e ela com minha vó e por aí vai. Ela ficou muito feliz quando soube que seu neto iria dá continuidade aos costumes da família, e eu também fiquei né”, relata.

Gil era dedicado em casa e também no colégio. Durante todo o ensino básico, o jovem conciliava as atividades escolares com a agricultura e serviços de casa. Aos dezessete anos, concluiu o ensino médio. Naquela época, Gil já sabia bordar e costurar, mas, naquele momento, não enxergava como uma atividade rentável.

Foi, então, que surgiu a oportunidade de trabalhar como vendedor na região com Rafael, amigo que residia na comunidade e que mais tarde viria a ser seu cunhado. Durante dez meses, Gil se dedicou à atividade de vendedor. Apesar de ocupar muito seu tempo a ponto de sair muito cedo e chegar só de noite, ele era bem remunerado e supria suas necessidades daquela época.

No ano posterior, já com dezenove anos, surgiu a oportunidade de Gil ingressar no Curso de Empreendedorismo e Gestão de Negócios do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel. Soube do curso por intermédio de outro jovem que já havia ingressado. Após receber o incentivo, Gil ficou interessado, decidiu então conciliar as atividades de vendedor com a formação.

“Inicialmente me inscrevi no curso só por curiosidade. Meu amigo Alisson me indicou e falou da oportunidade, ai decidi participar. Foi durante a formação, que surgiu em mim o desejo de verdade de empreender na área de costura porque eu tinha o conhecimento prático, só que faltava o técnico para poder saber botar o negócio pra frente, sem falar do crédito que tive acesso após a formação. Foi um ótimo incentivo para colocar meu empreendimento”, afirma Gil.

O jovem conciliou o curso com as atividades de cobrança. Apesar de ter se afastado das vendas, ainda continuou no negócio de outra forma. Também retornou a bordar com a mãe dele. Dessa vez, sendo bem remunerado, fortalecendo ainda mais o desejo de investir no próprio negócio. Desde o início, o pai Gilberto incentivou o filho na busca de oportunidades, mas enfatizava que essa oportunidade tinha que ser na região, na comunidade. “Sempre incentivei ele em tudo que fazia. Apesar das dificuldades da comunidade, eu via que tinha como ele permanecer aqui e ganhar seu próprio dinheiro. Ele aprendeu com a mãe a bordar, entrou no curso e hoje está aqui próximo da gente, fazendo sua própria renda e ajudando comunidade e a nossa família.

No final de dezembro de 2013, Gil concluiu o curso e, no ano posterior, acessou a linha de crédito do Fundo Veredas, iniciativa da Adel para apoiar financeiramente empreendimentos de jovens empreendedores rurais. Após o acesso, Gil deu início ao negócio dele e ao relacionamento com Juliana, 19 anos, jovem da comunidade, irmã de Rafael, que empreendeu com Gil a bordar, o auxiliando diretamente no empreendimento.

Depois de um ano, Gil já havia comprado as máquinas e materiais necessários e já estava empreendendo com Juliana na casa dos pais dele. Em 2015, Gil construiu a própria casa próximo a dos pais e passou a residir nela com Juliana. Lá, o jovem organizou um espaço para o negócio.