Fundo Veredas possibilita acesso a crédito por jovens LGBT+

Stefany Melo, 20, jovem empreendedora rural

No primeiro semestre de 2019, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) iniciou o Projeto Diversidade no Empreendedorismo de Jovens Rurais, sua primeira iniciativa voltada exclusivamente para jovens LGBTs, selecionada na primeira edição do edital nacional LGBT+ Orgulho do Itaú em parceria com a consultoria Mais Diversidade. Vinte e cinco (25) jovens finalizaram a etapa formativa do Projeto, destes, nove (9) acessaram linhas de crédito por meio do Fundo Veredas.

Implantado em 2015, o Fundo Veredas trata-se de uma iniciativa própria e particular de crédito criada e gerida pela Adel através de doações e investimentos de seus parceiros. Já conta com mais de 600 mil reais em volume de operações e oferece empréstimos exclusivamente a jovens empreendedores nos territórios em que o Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) é implantado.

Durante o Curso de Empreendedorismo e Protagonismo Social, os jovens desenvolvem capacidades técnicas e gerenciais, aprendem os primeiros passos para empreender e elaboram os Projetos de Negócios para submeterem ao Fundo Veredas.

Os jovens LGBT+ acessaram o crédito no final de 2019 e investiram em empreendimentos nas áreas de estamparia, hamburgueria, artesanato, confeitaria e estúdio de maquiagem. Para Marcelo Barros, 21, jovem de Pentecoste/CE, que trabalha com a produção de bolos e doces, o recurso financeiro foi muito importante. “O Fundo Veredas permitiu novas oportunidades de ampliação para o meu negócio, trazendo mais qualidade e eficiência para os clientes. Participar do PJER Diversidade e acessar o crédito deram ao meu negócio uma oportunidade única de crescimento”, destaca o jovem.

O acesso ao crédito compreende etapas como visitas da equipe técnica da Adel para análise do contexto onde está inserida a proposta do negócio; e, análise do projeto pela comissão gestora do Fundo Veredas, formada por representantes da própria Adel, que avaliam a viabilidade, período de carência e planos de pagamentos.

Formação PJER Diversidade

Segundo Simão Pedro, 24, maquiador profissional de São Gonçalo do Amarante/CE, trabalhar por conta própria não é fácil, mas tem seus benefícios e ele acredita que fez a escolha certa. “Participar do PJER Diversidade abriu muitas portas, obtive novos conhecimentos, depois tive a oportunidade de acessar o crédito e consegui dar uma alavancada no meu negócio”. Simão já empreende desde os 18 anos, com o valor concedido ele fortaleceu seu estoque e seu ambiente de trabalho. “A cliente chega e tenho um espaço bonito, reservado. Quero continuar essa parceria com a Adel porque eu só tive benefícios. Empreender não é fácil, porém vale mais a pena do que você investir no sonho de outras pessoas né, você tá investindo nos seus sonhos”, enfatiza Simão.

Inclusão socioprodutiva da população LGBT+

O Projeto Diversidade e Empreendedorismo de Jovens Rurais surgiu como uma estratégia de fomento ao desenvolvimento de empreendimentos de negócios e de impacto socioambiental em meio rural, no contexto do semiárido do Nordeste brasileiro, aliando o acesso dos jovens beneficiados a conhecimentos, crédito, redes colaborativas e tecnologias. A Adel acredita que no cenário de forte hostilidade onde jovens LGBT+ estão inseridos, a aliança entre empreendedorismo e protagonismo social cria alternativas reais de trajetórias para mobilidade social positiva e garantia de liberdades fundamentais.

No Brasil, a garantia de direitos da população LGBT+ ainda é um desafio, são poucos os equipamentos nacionais, estaduais e municipais que promovem a cidadania dessas pessoas. O contexto de vulnerabilidade social e o direito à vida ainda são pautas que merecem bastante atenção. Hoje, 29, Dia Nacional da Visibilidade de Transexuais e Travestis, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) divulga o Dossiê dos assassinatos e violência contra travestis e transexuais brasileiras em 2019.

Segundo dados da associação, o Brasil permanece no 1º lugar no ranking dos assassinatos durante os últimos 10 anos. De acordo com o dossiê, em 2019 o país chegou ao número de 124 assassinatos. 99% das pessoas LGBT+ não se sentem seguras. 11 pessoas trans são agredidas diariamente no Brasil.

Para Stefany Melo, 20, mulher trans beneficiária do Projeto Diversidade e Empreendedorismo de Jovens Rurais, participar da iniciativa teve um grande impacto na sua vida social e econômica. “Após o curso eu percebi que tenho capacidade de fazer o que eu quiser, basta querer e lutar para conseguir. Hoje, dia da visibilidade trans, fico contente por estar viva. Espero que a data possa nos tornar visíveis para muitos, mostrar que somos pessoas como todas as outras. Temos sonhos, sentimentos e o mais importante, temos direito à vida”, destaca Stefany.

Iniciativas que buscam fortalecer a rede de proteção e promoção à cidadania LGBT+ são imprescindíveis e necessárias, sendo acima de tudo, um direito humano.

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