Seminário Todxs Podem Empreender

José Carlos Lázaro (UFC), Gláucio Gomes (Adel), Emanuelly Oliveira (Social Brasilis), Gerson Pacheco (ChildFund) e Daiane Mulling (Unifor), da esquerda para a direita. Foto: Lia de Paula

Na última terça-feira (4), a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) e o ChildFund Brasil realizaram o Seminário Todxs Podem Empreender: Empreendedorismo e Protagonismo de Adolescentes e Jovens em situação de resiliência, no Teatro Celina Queiroz da Universidade de Fortaleza (Unifor), em Fortaleza/CE.

No Seminário, as instituições lançaram o livro Todxs Podem Empreender: Empreendedorismo e Protagonismo para Adolescentes e Jovens que reúne histórias de jovens empreendedores integrantes do Programa Jovem Empreendedores Rurais (PJER) da Adel, além de conceitos e saberes importantes para que adolescentes e jovens possam empreender e serem protagonistas de suas histórias de vida.

O evento iniciou com a apresentação cultural das crianças do Coral do Projeto Criança Feliz, uma iniciativa apoiada pelo ChildFund Brasil e que atua nas comunidades do Jardim Iracema e Padre Andrade localizada a oeste de Fortaleza. Logo após a apresentação, o Professor Josimar Costa, Coordenador do Curso de Administração da Unifor; junto com Gerson Pacheco, Diretor do ChildFund Brasil; e, Adriano Batista, Cofundador e Diretor Executivo da Adel, abriram oficialmente o evento evidenciando a importância do empreendedorismo e protagonismo de adolescentes e jovens para promoção do desenvolvimento local.

Palestrantes locais e nacionais estiveram debatendo sobre os desafios, as oportunidades, as tendências, as práticas e soluções já em experiência ou consolidadas no Brasil hoje que influenciam as escolhas e as possibilidades para que adolescentes e jovens possam inovar, empreender e protagonizar mudanças para o desenvolvimento de suas comunidades.

A Professora Dra. Daiane Mulling da Unifor, estava mediando o primeiro Painel, cujo tema foi Empreendedorismo e inovação social por jovens e adolescentes no atual contexto brasileiro. Ela instigou os demais painelistas a trazerem casos de sucesso, histórias de vidas que têm comprovado que nem só os grandes centros urbanos são sinal de oportunidades, nem o rural é lugar só de escassez e pobreza.

Gláucio Gomes, Diretor de Desenvolvimento da Adel, remeteu-se a história de fundação da própria organização. “A Adel é o maior exemplo que eu posso contar de um caso de sucesso, de empreendedorismo e protagonismo de pessoas que se mantêm mobilizadas até hoje, de oito jovens que tiveram a oportunidade de cursar a universidade e decidiram retornar para contribuir com desenvolvimento de suas comunidades”, destacou.

Para Gerson Pacheco, Diretor do ChildFund Brasil, os jovens precisam de visão, precisam acreditar nos sonhos e nas possibilidades. “Nós precisamos absorver a era do conhecimento, sair da zona de conforto, eventos como esse mexem com o nosso interior e nos movem para um futuro que já está aí e não devemos temer. O Brasil é um terreno fértil, abracem as oportunidades”, reforçou.

Para o Professor Dr. José Carlos da UFC e Emanuelly Oliveira, Fundadora e Diretora Executiva do Social Brasilis, a educação é um conceito chave para o empreendedorismo e para a vivência do futuro que já está chegando. Entender o novo mundo, a internet das coisas, o poder das conexões. Analisar a teoria é fundamental para o sucesso da prática. É preciso desenvolver nas pessoas competências para o uso das tecnologias digitais, mostrar como é possível utilizar essas ferramentas para gerar impacto social positivo.

Tião Rocha (CPCD), Helena Singer (Ashoka), Rogers Mendes (SEDUC/CE), Sabrina Santos (PJER) e Maristela Crispim (Eco Nordeste), da esquerda para a direita. Foto: Lia de Paula

Adentrando o tema educação e aprofundando o debate, veio o segundo Painel, Educação para o empreendedorismo e protagonismo de adolescentes e jovens em situação de resiliência, mediado pela jornalista Maristela Crispim, idealizadora da Agência Eco Nordeste. A mediadora abriu o momento reforçando que é possível sim ter esperança de desenvolvimento no semiárido, que jovens podem se manter produtivos em suas comunidades.

Nessa perspectiva, a jovem Sabrina Santos, integrante do Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel e idealizadora da floricultura Flor do Sertão, contou sobre sua trajetória como empreendedora e como driblou as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho. Com apoio, acesso a conhecimento e resiliência foi possível enxergar as oportunidades no território.

O Secretário Executivo do Ensino Médio e Profissional da Secretaria da Educação do Estado do Ceará (SEDUC/CE), Rogers Mendes, trouxe um pouco da perspectiva futura para a educação em instituições formais de ensino. Instigou os participantes a pensarem como a escola pode interagir e fortalecer o empreendedorismo e reforçou que é preciso inverter um pouco a lógica da sala de aula. Sair de educação estática, de um modelo arcaico e defasado, onde só o professor fala e os estudantes escutam.

“Precisamos pensar a ideia de uma escola de negócios, um ambiente para formação e compartilhamento de ideias, serviços inteligentes, criativos, fora daquilo que está no escopo tradicional, para que os jovens consigam exercitar o empreendedorismo e o protagonismo. Transformar a escola em um celeiro de preparação e estímulo para que as pessoas vivenciem conceitos e não apenas aprendam para replicar num futuro distante”, discutiu Rogers.

Helana Singer, Líder da Estratégia de Juventude na Ashoka América Latina, reforçou a importância de se pensar uma nova educação. “Toda escola pode ser um celeiro para a transformação social, por uma nova educação. A escola não está formando mais pessoas produtivas e eficientes para o novo mundo, esse novo mundo que funciona numa lógica muito mais da colaboração, da criação. As pessoas precisam aprender a lidar com estruturas que são fluídas. Para esse novo mundo a gente precisa da empatia, precisamos reconhecer o lugar do outro, inclusive com quem pensa diferente e está num lugar diferente. Para que o bem comum seja para todos e não só para alguns”, destacou.

Na perspectiva de uma nova educação, foi apresentada a breve história de fundação do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD), organização não governamental criada em Minas Gerais que atua nas áreas de educação popular e desenvolvimento comunitário sustentável. O Centro foi idealizado por Tião Rocha, Antropólogo, Educador Popular e Empreendedor Social. Tião enfatizou que para ser educador é preciso fazer perguntas e desaprender. Seus primeiros questionamentos ao iniciar o CPCD foram sobre a possibilidade de pensar a educação sem escola e onde era possível encontrar educadores.

“Educação e escolarização são diferentes, educação é algo que só acontece no plural, é necessário no mínimo duas pessoas. Educação é o que eles trocam, os aprendizados diferentes que se cruzam, é possível fazer educação em qualquer lugar, mas precisamos dos bons educadores e eles não estão sendo formados pelas universidades”, destacou.

Tião finalizou sua fala afirmando que o jovem precisa pensar no futuro, ser ousado, ter sonhos, pensar diferente do mundo que ele vive. Ele acredita que é preciso driblar o vazio do sentido da humanidade, dos jovens que se sentem invisíveis. Para isso se faz necessário o empoderamento, que segundo ele, é potência. “É preciso olhar o lado cheio do copo, que mede a capacidade de aprendizado, de talentos, convocar esses jovens para uma causa. Canalizar as energias para algo que seja transformador. Incentivar as pessoas a construírem juntas um lugar que seja bom para todos”.

O Seminário culminou com a realização do Coquetel de lançamento do Livro Todxs Podem Empreender: Empreendedorismo e Protagonismo para Adolescentes e Jovens, uma estratégia do ChildFund Brasil e da Adel para apoiar o desenvolvimento de adolescentes e jovens em contextos de resiliência em todo o Brasil, através da promoção do empreendedorismo e do protagonismo.

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O Seminário Todxs Podem Empreender: Empreendedorismo e Protagonismo de adolescentes e jovens em situação de resiliência foi um evento de caráter nacional, promovido pela Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) em parceria com o ChilFund Brasil, e, apoio da Universidade de Fortaleza (Unifor) e da Universidade Federal do Ceará (UFC) por meio do Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade (FEAAC).

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