Adel conquista título de OSCIP

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A Adel (Agência de Desenvolvimento Econômico Local) conquistou neste mês de setembro o título de OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). A titulação foi concedida pelo Ministério da Justiça do Brasil, através da Secretaria Nacional de Justiça.

O título de OSCIP é concedido à ONGs (Organizações Não-Governamentais) com a finalidade de facilitar convênios e parcerias com órgãos públicos em todos os níveis de governo. A certificação ocorre após análise minuciosa do poder público federal do cumprimento de diversos requisitos, especialmente aqueles derivados de normas de transparência administrativas.

O Diretor Executivo e co-fundador da Adel, Adriano Batista, fala o quanto é significativo esta certificação para a história da organização. “Esse título amplia as possibilidades do nosso trabalho, pois através dele podemos fazer novas parcerias e convênios. Sem dúvida, teremos maiores chances de investir e dá continuidade aos nossos programas e projetos. Além disso, essa titulação representa também o crescimento institucional e a seriedade das ações que fazemos na Adel. De fato, estamos bastante felizes com esta conquista”.

Diretoria Adel - Helano Luz (Administrativo-Financeiro), Aurigele Alves (Programas), Adriano Batista (Executivo), Gláucio Gomes (Desenvolvimento), Wagner Gomes (Relações Institucionais) e Evilene Abreu (Comunicação).

Diretoria Adel – Helano Luz (Administrativo-Financeiro), Aurigele Alves (Programas), Adriano Batista (Executivo), Gláucio Gomes (Desenvolvimento), Wagner Gomes (Relações Institucionais) e Evilene Abreu (Comunicação).

 

A Diretoria da Adel compartilha com seus sócios, parceiros e público beneficiado este reconhecimento que é fruto do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos nove anos em dez municípios do Estado do Ceará (Apuiarés, Pentecoste, General Sampaio, Tejuçuoca, Itarema, Umirim, Caucaia, São Gonçalo do Amarante, Paracuru e São Luís do Curu).

Programação do I Seminário Cearense de Meliponicultura

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No dia 30 de setembro a Adel promove o I Seminário Cearense de Meliponicultura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, Campus Umirim (Fazenda Floresta, s/n – Floresta, Umirim/CE).

Direcionado para pesquisadores da área, estudantes e meliponicultores o evento visa discutir o cenário da criação de abelhas nativas sem ferrão no Estado e como a atividade pode contribuir com a preservação da caatinga.

Em sua primeira edição, será abordado o tema “A Meliponicultura como uma prática de preservação da Caatinga”. O seminário será composto por palestras, oficinas e painéis temáticos, que abordam os principais temas da área.

Programação:

8h30min – Início do Credenciamento
9h – Coffee Break
9h30min – Mesa de Abertura (Adel, ACMEL, UFC, IFCE)
10h – Palestra I: Abelhas sem Ferrão e a Caatinga: Um olhar para o futuro
11h – Palestra II: Diagnóstico da Meliponicultura no Estado do Ceará
12h – Almoço
13h30min – Oficinas
14h30min – Painel: Experiências de Meliponicultura no Ceará –
15h30min – Encerramento e Coffee Break

Além das atividades acima, durante o evento, haverá uma exposição, com materiais, equipamentos e produtos da meliponicultura, degustação de mel e exposição de espécies de abelhas sem ferrão.

O evento é realizado pela Adel com o apoio da Associação Cearense de Meliponicultura (ACMEL), Rede Néctar do Sertão, Instituto Federal Ceará – Campus Umirim (IFCE), e, Universidade Federal do Ceará (UFC). Também conta com a parceria da Bovespa Social e do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) por meio do Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-ECOS).

Rebrotando Olhos D’água e compartilhando Tecnologias Socioambientais no Semiárido

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No dia (16/09), a Adel realizou a Mesa Redonda: Rebrotando Olhos D’água e compartilhando Tecnologias Socioambientais no Semiárido em apoio ao Projeto Rebrotando Olhos Dágua, iniciativa de jovens e agricultores do Assentamento Barra do Leme, em Pentecoste.

Cerca de cinquenta jovens e produtores rurais compareceram ao evento e discutiram a importância das tecnologias socioambientais para o desenvolvimento local sustentável. O casal de agricultores Ivânia Maria e Manoel Inácio, idealizadores do Projeto Rebrotando Olhos D´água apresentaram a tecnologia desenvolvida no Assentamento e como é possível replicar em outras comunidades.

Mesa Redonda e apresentação do Projeto Rebrotando Olhos D´água

Mesa Redonda e apresentação do Projeto Rebrotando Olhos D´água

 

Além de Ivânia Maria e Manoel Inácio, Helano Luz, Agrônomo e Diretor Financeiro da Adel, e o Sr. Antônio Bandeira, representante da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará (FETRAECE) falaram da importância das tecnologias socioambientais e da viabilidade do Projeto Rebrotando Olhos D´água.

Para Ivânia, rebrotar os olhos d´água não é uma técnica difícil de implementar, pois é uma prática presente na memória e no cotidiano das pessoas que vivem no meio rural. “Se formos conversar com nossos avós, com nossos familiares a respeito da época de abundância em que viviam, poderíamos compreender a importância dos olhos d´águas e a qualidade de vida que eles proporcionavam para as pessoas que os preservavam”, lembra Ivânia.

“O Rebrotando Olhos D´água é uma forma que encontramos para revitalizar o meio natural em que vivemos sem agredi-lo, investindo em técnicas sustentáveis para suprir nossas necessidades de água limpa, perene, de alimentos orgânicos gerados através dessa água que vai fortalecer todo um ciclo natural desgastado com o tempo de depreciação do homem”, responde Manoel Inácio ao ser questionado sobre as motivações para criação do projeto.

 

Manoel Inácio e Ivânia Maria, idealizadores do Rebrotando Olhos Dágua, e Helano Luz, Adel (da direita para esquerda)

Manoel Inácio e Ivânia Maria, idealizadores do Rebrotando Olhos Dágua, e Helano Luz, Adel (da direita para esquerda)

 

Além de jovens e agricultores, os meliponicultores da Rede Néctar do Sertão, iniciativa que conta com o apoio da Adel, também estiveram no evento. Os participantes parabenizaram os integrantes do projeto pela ousadia e manifestaram o apoio e o desejo de implementar a tecnologia em suas propriedades.

D. Marilac, agricultora da comunidade de Boa Vista, Apuiarés, parabenizou o casal pela iniciativa e manifestou o desejo de visitar o Assentamento para conhecer na prática a iniciativa. “Fiquei com uma vontade muito grande de visitar a propriedade de vocês e replicar a ideia na minha, porque são ações como essa que melhora a nossa qualidade de vida. Sou uma senhora de quase setenta anos, mas tenho um espirito jovem que tem sede de lutar para o bem da minha comunidade”.

Além da Mesa Redonda foi realizado uma Rifa em prol do Projeto Rebrotando Olhos D’água. Promovida pela Adel, o sorteio contou com a colaboração da equipe da organização, sendo sorteado um kit da Campanha Rebrotando Olhos D´águas, uma Cesta de Produtos da Rede Néctar do Sertão e uma Cesta de Produtos da Agricultura Familiar. Os vencedores do sorteio foram Evilene Abreu, Wagner Gomes e o jovem Rafael Marques, respectivamente.
Helano Luz entrega brinde da Rifa para o jovem empreendedor Rafael Marques

Helano Luz entrega brinde da Rifa para o jovem empreendedor Rafael Marques

Projeto Rebrotando Olhos Dágua

O Rebrotando Olhos D´água é um projeto socioambiental de criação de um sistema subterrâneo de reservatórios de água interligados no Assentamento Barra do Leme, em Pentecoste/CE.

Idealizado pelo casal de agricultores do Assentamento Barra do Leme – Ivânia Maria e Manoel Inácio, a iniciativa trata-se de um projeto piloto para uma tecnologia adaptável à maior parte das áreas que compõem o Semiárido Brasileiro. As características de solo e subsolo fundamentais para sua aplicabilidade estão presentes em 80% da extensão das áreas pertencentes a este domínio morfoclimático.

Ivânia Maria e Manoel Inácio, idealizadores do Projeto Rebrotando Olhos D´águas

Ivânia Maria e Manoel Inácio, idealizadores do Projeto Rebrotando Olhos D´águas

 

Acredita-se portanto que esta tecnologia denominada de Artiquífero ou Sistema Cisterrâneo é uma ferramenta importante para a construção de uma convivência com o Semiárido de forma digna, sadia e equilibrada, baseada na utilização dos recursos de forma consciente e planejada em contraposição aos métodos tradicionais de combate à seca, que se mostraram insuficientes diante da problemática.

A ideia é aplicar o projeto piloto no Assentamento Barra do Leme, que será compartilhado com outras comunidades e assentamentos no Semiárido por meio de caravanas de intercâmbio realizadas de bicicleta.

Para concretização do projeto, você pode colaborar acessando a Campanha Rebrotando Olhos D´água no Catarse: https://www.catarse.me/rebrotandovida

Jovem diversifica a produção na propriedade familiar

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Francisco de Assis Gomes de Sousa, 31, reside na comunidade de Monte Alverne, Apuiarés. É o filho mais jovem de três irmãos, do Sr. Geremias Gomes e da D. Vera Lucia.

Didi, como é conhecido por todos na pequena comunidade, composta por apenas 50 famílias, desde muito jovem ajuda os pais nas atividades agrícolas e na gestão da propriedade familiar.

Sua família, além de ter um pequeno comércio em casa, trabalha com agricultura tradicional (cultivo de milho, feijão) e com a criação de animais (ovelhas, cabras, gado, aves). Por complicações de um acidente que o jovem sofreu aos três anos de idade e lhe deixou em coma por alguns dias, ele conviveu com algumas dificuldades no processo de aprendizagem.

A mãe de Didi, D.Vera, ressalta que um dos desafios que o filho enfrentou foi o retardamento dos estudos. Aos seis anos, Didi ingressou no Ensino Básico e não conseguia acompanhar as atividades igual as outras crianças da sala. “Faltou muitas vezes por não querer passar por situações constrangedoras que alguns colegas o fazia passar. Os irmãos e nós ajudava muito ele com as atividades escolares e aos poucos ele foi se recuperando”.

A partir dos dez anos, ele já conseguia ter sua autonomia e ir com frequência para escola. Mas Didi conta que sua principal paixão sempre foi plantar e cuidar dos animais. “Ganhei com doze anos do Vô uma ovelhinha e isso me estimulou a criar meus próprios animais e buscar minha independência financeira no campo”.

Didi na propriedade da família

Didi na propriedade da família

 

O presente do Avô multiplicou e aos dezoito anos, Didi tinha vinte ovelhas e já próximo de concluir o Ensino Médio, começou a participar voluntariamente de diversos grupos na comunidade.

Atuação na comunidade

Primeiro Didi ingressou no grupo de jovens da comunidade. Em seguida, ele começou a promover atividades para unir a comunidade, desde a realização de campanhas para arrecadar alimentos para doação, quanto para incentivar os jovens a permanecer no campo.

Didi atendendo no comércio da família

Didi atendendo no comércio da família

“Eu o incentiva bastante nas atividades sociais dele. É muito bonito ver ele motivando outros jovens a fazer o bem ao próximo. Ás vezes os custos eram próprios, mas mesmo assim eu o ajudava, é muito importante o que ele fez e faz pela comunidade”, enfatiza a mãe.

Dedicado na criação de ovelhas e ajudando o pai no comércio, após concluir o Ensino Médio decidiu fazer alguns cursos e buscar novos conhecimentos para fortalecer ainda mais o seu trabalho e sua atuação na comunidade.

Participou em 2012 da Formação Empreendedora do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel, e logo viu que as oportunidades de diversificar a produção familiar.

“Enxerguei outras oportunidades na minha comunidade através do curso, pude trazer novas técnicas de manejo para as atividades do campo e outros conhecimentos humanos para aplicar nas ações sociais da comunidade”, relata o jovem.

Diversificação da produção

No final da Formação Empreendedora, Didi apresentou um Projeto de ampliação da criação de ovelhas e diversificação da produção familiar. Como a ovinocultura já era uma atividade que ele desenvolvia, apenas a tornou mais rentável. A partir das novas práticas de criação, Didi multiplicou suas ovelhas para oitenta, comprou bovinos e outros animais para ampliar a renda.

A atividade mais recente que o jovem implantou na propriedade foi a criação de abelhas nativas sem ferrão. Ele, juntamente com outros jovens da comunidade participaram de um curso sobre meliponicultura da Rede Néctar do Sertão e decidiram investir na atividade.

Produção de abelhas nativas sem ferrão

Produção de abelhas nativas sem ferrão

Em 2014 ele tinha dois enxames de jandaíras e atualmente conta com vinte e um. É um dos coordenadores do grupo de produtores e jovens da comunidade de Monte Alverne e Riacho do Paulo.

Didi é um dos jovens beneficiados pelo Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) desenvolvido pela Adel que está dando uma Nova Cara ao Sertão. Ele encontrou no empreendedorismo a oportunidade para diversificar a produção familiar e dá continuidade ao seu trabalho na comunidade.

Sr. Geremias, Didi e D. Vera Lúcia

Sr. Geremias, Didi e D. Vera Lúcia23

Adel realiza I Seminário Cearense de Meliponicultura

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No dia 30 de setembro acontece o I Seminário Cearense de Meliponicultura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, Campus Umirim (Fazenda Floresta, s/n – Floresta, Umirim/CE).

Em sua primeira edição, o evento discute o tema “A Meliponicultura como uma prática de preservação da Caatinga” e objetiva reunir os meliponicultores cearenses e de outros Estados, pesquisadores e estudantes para discutir como a criação de abelhas nativas sem ferrão pode gerar renda para os produtores rurais e contribuir com a preservação da caatinga.

O seminário será composto por palestras, oficinas e painéis temáticos, que abordam os principais temas da área. As temáticas vão desde a criação de abelhas sem ferrão como uma prática de preservação da caatinga até o panorama da atividade no Estado.

A perspectiva dos realizadores do evento é promover uma rica troca de conhecimentos técnicos e tradicionais entre pesquisadores, estudantes e produtores de diversas comunidades do território. Nas oficinas e nos painéis serão apresentadas experiências exitosas do Ceará de diversos meliponicultores.

A Associação Cearense de Meliponicultores (ACMEL) e a Rede Néctar do Sertão estão entre as experiências do Estado que serão apresentadas. A ACMEL atua desde 2013 e uma de suas finalidades é preservar a vida das abelhas sem ferrão (meliponíneos) e divulgar os processos de multiplicação e manejo racional das espécies. A Rede Néctar do Sertão surgiu em 2014 e reúne jovens e produtores do Território do Vale do Curu. Ambas as experiências buscam fortalecer a cadeia produtiva do mel.

Para Anderson Vieira, técnico de campo da Adel e mestre em zootecnia, o evento é o primeiro passo para fortalecer ainda mais a atividade no Ceará. “Espero no final do evento encaminharmos um documento com os principais desafios e oportunidades que a atividade enfrenta a partir do olhar dos participantes, integrando produção, pesquisa e ensino”.

Luiz Wilson Lima-Verde, pesquisador da área vinculado ao Departamento de Biologia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e Jânio Félix, Doutorando em Zootecnia, também na UFC, ministrarão as palestras – Abelhas sem ferrão e a Caatinga: Um olhar para o futuro e, Diagnóstico da Meliponicultura no Ceará, respectivamente.

No período da tarde, serão realizadas oficinas com as seguintes temáticas: Nutrição de abelhas sem ferrão; Técnicas de Multiplicação de enxames; e, Recuperação de áreas com introdução de pasto apícola. Simultaneamente às palestras, oficinas e painéis haverá uma exposição, com materiais, equipamentos e produtos da meliponicultura, degustação de mel e exposição de espécies de abelhas sem ferrão.

O evento é realizado pela Adel com o apoio da Associação Cearense de Meliponicultura (ACMEL), Rede Néctar do Sertão, Instituto Federal Ceará – Campus Umirim (IFCE), e, Universidade Federal do Ceará (UFC). Também conta com a parceria da Bovespa Social e do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) por meio do Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-ECOS).

Mais informações:
adel@adel.org.br
85 3352.1222 | 99199.8416

Jovem empreende e possibilita o acesso da comunidade as tecnologias

dsc76652Leonilda Soares Silva, 28, reside na comunidade de Serrota, Pentecoste. Filha de D. Zeneida Soares e José Leôncio, é a única mulher de quatro irmãos, e desde muito jovem desejou ter uma renda própria.

Ainda criança, os pais migraram para capital do Estado em busca de melhores condições de vida, mas por medo e insegurança, logo a família retornou para Serrota. Leonilda aos dezoito anos, após concluir o Ensino Médio, ainda morou sozinha em Fortaleza para fazer um Curso Técnico de Informática.

A jovem conta que logo após concluir o Curso surgiu a primeira oportunidade de trabalho em Fortaleza. Ela começou a trabalhar com telemarketing, mas logo após três meses, decidiu novamente voltar para Serrota devido a qualidade de vida. “Não era viável permanecer lá, era muito desgastante e a remuneração baixa”.

Retornando para Serrota, surgiu uma outra oportunidade de trabalho. Desta vez, foi em uma Fábrica de Calçados. A função em nada se aplicava aos conhecimentos da informática, mas por necessidades ela trabalhou por dois anos como assistente de produção na Fábrica.

“Eu tinha um objetivo de buscar mais conhecimento para futuramente aplicar em uma profissão ou negócio. Naquele momento não deu, não tinha mercado na comunidade, então decidi buscar outras ocupações remuneradas para poder suprir minhas necessidades”.

Devido os problemas de saúde que começaram a surgir ela saiu da Fábrica e passou um período em casa recebendo o seguro desemprego. “Era muitas horas em pé e prejudiquei minha coluna, também não tinha disponibilidade para estudar e ter um lazer”.

Retomando projetos

No período que Leonilda trabalhou na Fábrica de Calçados ela fez algumas economias e permaneceu com a esperança de um dia trabalhar na área de informática. Isso fez com que no período em que ela estava sem trabalho percebesse uma oportunidade de negócio dentro da própria casa.

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A jovem tinha um computador que acessava as redes sociais e que disponibilizava as vezes para os amigos e os vizinhos fazerem alguma atividade ou acessar a internet. Um dia, um dos amigos de Leonilda decidiu pagar para acessar o computador, e diante do número de pessoas que frequentava a sua casa para usufruir desta ferramenta ela decidiu estipular uma taxa para o acesso.

Com o passar do tempo, as habilidades de informática começaram a ser utilizadas. Leonilda digitava trabalhos, fazia alguns desenhos gráficos, atividades escolares, pesquisas, entre outros. Mais tarde, ela percebeu que estava ganhando mais do que na Fábrica. Daí, foi comprando outros computadores e impressoras, até montar uma lan house em um ponto comercial que o pai tinha construído em casa.

Visão empreendedora

Depois de meses vendendo os serviços na comunidade, Leonilda conta que ainda não tinha uma visão empreendedora. “Eu não planejei ser uma empreendedora, apenas percebi que dava pra empreender. Com o tempo e o surgimento dos smartphones, eu percebi que o negócio não estava rendendo como antes e que as pessoas estavam buscando outros serviços”.

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Somente a partir de 2013, quando ingressou no Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel, que ela adquiriu conhecimento para gerir e lidar com as situações adversas do negócio. Durante a formação, Leonilda conta que compreendeu a importância de elaborar estratégias para gerir o negócio, se adaptar ao mercado e torná-lo mais rentável.

“O meu negócio está mais organizado depois da formação, consegui novos clientes, sem falar dos fixos, tem mês que é super rentável, mas outros nem tanto”. Além da formação, Leonilda também elaborou um projeto de negócio do empreendimento e acessou crédito do Fundo Veredas da Adel e ampliou seu empreendimento.

Hoje, além de vender pequenos insumos de informática, presta serviços de impressão, encadernação, plastificação, convites personalizados, estampa em camisetas, banners, gravação, internet e vende roupas para a sua mãe.

Os planos de Leonilda, após acessar por três vezes crédito no Fundo Veredas, é oferecer materiais para festas (aniversários a casamentos). Lembrancinhas, convites, camisas, copos, e chaveiros. Ela acredita que inovando estará possibilitando o acesso da comunidade a estes serviços e colaborando com o desenvolvimento das pessoas.

 

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Leonilda é uma das jovens beneficiados pelo Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) desenvolvido pela Adel que está dando uma Nova Cara ao Sertão. Ela encontrou no empreendedorismo a oportunidade para ter sua própria renda e possibilita o acesso da comunidade as tecnologias de informação e comunicação.

Jovem empreende e valoriza o artesanato local

Gilberlane Oliveira Arruda, 22, reside na comunidade de Muquém, em Pentecoste/CE. Desde muito jovem, já demonstrava autonomia nas tarefas de casa. A primeira atividade foi na agricultura com o pai aos dez anos.

Filho de Maria Ecilda e Gilberto Honório, Gil, como é conhecido por todos, sempre foi dedicado e disposto a ajudar os pais quando solicitado. Ecilda conta que o incentivou ainda pequeno a bordar e costurar por achar muito cansativo para o filho trabalhar na agricultura e outras atividades braçais por pouca remuneração.

“Enxerguei que, se ele aprendesse a bordar, iria ganhar mais, ficar mais próximo a mim e se desgastaria menos. Lembro que ele, no início, se escondia das visitas quando estava bordando ou costurando por achar que ainda não estava preparado para assumir a nova ocupação. Era engraçado. Eu chamava a atenção dele, explicando que não era só mulher que fazia aquilo, até que ele perdeu a vergonha e começou a se dedicar a atividade”.

Gilberlane Oliveira com a mãe Ecilda Oliveira e a avó Maria Zilda

Gilberlane Oliveira com a mãe Ecilda Oliveira e a avó Maria Zilda

Ecilda relata que o filho foi um dos poucos jovens da comunidade que fez diferente, que quis permanecer e ficar próximo à família e que a mãe dela, Maria Zilda, 78, ficou feliz por ver o neto dando continuidade a um trabalho passado por gerações. “É muito bom ficar com os filhos próximos de casa, principalmente trabalhando e ajudando, Gil aprendeu a bordar e costurar comigo, eu aprendi com minha mãe e ela com minha vó e por aí vai. Ela ficou muito feliz quando soube que seu neto iria dá continuidade aos costumes da família, e eu também fiquei né”, relata.

Gil era dedicado em casa e também no colégio. Durante todo o Ensino Básico, o jovem conciliava as atividades escolares com a agricultura e serviços de casa. Aos dezessete anos, concluiu o Ensino Médio. Naquela época, Gil já sabia bordar e costurar, mas, naquele momento, não enxergava como uma atividade rentável.

Foi, então, que surgiu a oportunidade de trabalhar como vendedor na região com Rafael, amigo que residia na comunidade e que mais tarde viria a ser seu cunhado. Durante dez meses, Gil se dedicou à atividade de vendedor. Apesar de ocupar muito seu tempo a ponto de sair muito cedo e chegar só de noite, ele era bem remunerado e supria suas necessidades daquela época.

Visão Empreendedora

No ano posterior, já com dezenove anos, surgiu a oportunidade de Gil ingressar no Curso de Empreendedorismo e Gestão de Negócios do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel. Soube do curso por intermédio de outro jovem que já havia ingressado. Após receber o incentivo, ficou interessado e decidiu então conciliar as atividades de vendedor com a formação.

Gilberlane Oliveira

Gilberlane Oliveira

“Inicialmente me inscrevi no curso só por curiosidade. Meu amigo Alisson me indicou e falou da oportunidade, ai decidi participar. Foi durante a formação, que surgiu em mim o desejo de verdade de empreender na área de costura porque eu tinha o conhecimento prático, só que faltava o técnico para poder saber botar o negócio pra frente, sem falar do crédito que tive acesso após a formação. Foi um ótimo incentivo para colocar meu empreendimento”, afirma Gil.

O jovem conciliou o curso com as atividades de cobrança. Apesar de ter se afastado das vendas, ainda continuou no negócio de outra forma. Também retornou a bordar com a mãe. Dessa vez, sendo remunerado e fortalecendo ainda mais o desejo de investir no próprio negócio. Gilberto, pai de Gil, sempre apoiou o filho nas decisões e incentivou a investir nas oportunidades existentes na região.

“Sempre incentivei ele em tudo que fazia. Apesar das dificuldades da comunidade, eu via que tinha como ele permanecer aqui e ganhar seu próprio dinheiro. Ele aprendeu com a mãe a bordar, entrou no curso e hoje está aqui próximo da gente, fazendo sua própria renda e ajudando a comunidade e a nossa família”.

Artesanato e desenvolvimento

No final de dezembro de 2013, Gil concluiu o curso e, no ano posterior, acessou a linha de crédito do Fundo Veredas, iniciativa da Adel para apoiar financeiramente empreendimentos de jovens empreendedores rurais. Após o acesso, Gil deu início ao negócio dele e ao relacionamento com Juliana, 19, jovem da comunidade, irmã de Rafael, que logo tornou-se parceria no empreendimento e lhe auxilia diretamente nas costuras.

Residência e empreendimento do casal Gilberlane e Juliana

Residência e empreendimento do casal Gilberlane e Juliana

Depois de um ano, Gil já havia comprado as máquinas e materiais necessários e estava empreendendo com Juliana na casa dos pais dele. Em 2015, eles construíram a própria casa na comunidade de Muquém e organizaram um espaço para o negócio.

Inicialmente, ele decidiu trabalhar com a produção de jalecos. Ele conta que o primeiro desafio foi cortar e costurar. Mas, sua força de vontade lhe fez buscar esse aprendizado. Na primeira oportunidade que foi para a casa da irmã em Maranguape, contatou uma senhora para lhe ensinar em troca de uma simples galinha caipira.

O casal de empreendedores, Juliana e Gilberlane

O casal de empreendedores, Juliana e Gilberlane

Após três anos de implantação do empreendimento, Gil e Juliana sonham em ampliar a produção de jalecos e diversificar o trabalho com artesanato. Hoje eles costuram uma média de 200 a 300 jalecos por mês e contam com o trabalho de seis bordadeiras da comunidade.

Gil é um dos jovens beneficiados pelo Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel que conta este ano, com o apoio do Instituto Carrefour, Manos Unidas, Instituto Oi Futuro, Fundação Interamericana, Fundo Caixa Socioambiental e Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante. Ele enxergou nos bordados, a oportunidade de obter uma renda e colaborar com o desenvolvimento da sua comunidade.