Jovem aposta na venda de frutas e verduras fresquinhas na comunidade

Ricardo Rodrigues de Sousa, 25, reside na comunidade de Catuana, Caucaia. Filho de Raimunda Soares e Antônio Rodrigues, é o mais velho de dois irmãos. Integrante do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) desde 2016, Ricardo enxergou na área de vendas a oportunidade de empreender e também colaborar com o desenvolvimento da sua comunidade.

A distância da comunidade de Catuana, onde Ricardo vive, do Centro da cidade de Caucaia é estimado em 29Km e com isso torna-se inviável para a maioria dos moradores comprar produtos alimentícios em Caucaia. Além dos custos de deslocamento, existe as dificuldades de logística.

A compra de frutas e verduras fresquinhas por exemplo torna-se impossível. Pensando nesta comodidade para as famílias e seguindo a mesma ideia da sua mãe que trabalha com vendas de porta em porta, Ricardo começou a trabalhar com as vendas de frutas e verduras na comunidade.

Ricardo Rodrigues durante vendas na comunidade de Catuana

Semanalmente, ele equipa um carrinho de mão de frutas e verduras e vende para os moradores. Antes de enxergar esta atividade como um Projeto de Negócio, trabalhou auxiliando a mãe nas vendas de cosméticos e roupas, como cobrador de ônibus e em uma oficina mecânica. Destas três experiências, a primeira foi sua inspiração.

“Lembro da minha mãe no seu pequeno comércio que tínhamos quando morávamos em Caucaia, ela também fazia dindin para mim vender em jogos de futebol e outras atividades empreendedoras que se tornaram um inspiração para mim”. A família de Ricardo antes de morar na comunidade de Catuana, tinha em Caucaia um pequeno comércio.

Ricardo cresceu nesse ambiente e aos quinze anos (período que foi morar em Catuana) já pensava em trabalhar para ter sua própria renda e ajudar a família. Mas a comunidade não oferecia muitas oportunidades de trabalho formal e ele ainda estava concluindo o Ensino Médio. Com isso, ele começou a participar de diversos cursos técnicos.

Ricardo ao lado da mãe, D. Raimunda

“Eu fazia cursos para aprender mais, tinha o objetivo de conseguir um emprego, sei que o desejo de ser meu próprio patrão era importante para mim, mas tinha que conseguir ter minha própria renda e depois investir em algo”, enfatiza Ricardo.

Ingresso no Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER)

No ano de 2016, Ricardo soube através de uma amiga das inscrições do Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel e decidiu se inscrever e investir na oportunidade.

No mesmo ano ele foi selecionado e ingressou na formação. Durante quatro meses se dedicou ao curso e elaborou um Projeto de Negócio com foco na venda de frutas e verduras. Acessou uma linha de crédito do Fundo Veredas da Adel e investiu na compra de frutas e de uma carrinho maior para poder levar mais frutas e gerar mais rentabilidade.

Atualmente, Ricardo vende verduras e frutas fresquinhas para comunidade, ganha mais de uma salário e ajuda sua família. Além das vendas no carrinho, ele comercializa os produtos em casa e discute juntamente com outros jovens empreendedores rurais do território a possibilidade de vender em feiras.

Ricardo é um dos jovens beneficiados pelo Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) desenvolvido pela Adel que está dando uma Nova Cara ao Sertão. Ele enxergou no empreendedorismo a oportunidade para ter o seu próprio negócio, ajudar sua família e oferecer comodidade e produtos de qualidade para comunidade.

Fundo Veredas recebe projetos de jovens empreendedores rurais

Nos dias 16 e 17 de fevereiro, o Fundo Veredas, estratégia da Adel que compõe o Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) recebe novos projetos de negócios de jovens empreendedores rurais para serem apoiados neste semestre.

A equipe do Fundo Veredas estará na quinta-feira (16) em São Gonçalo do Amarante, atendendo jovens do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) e na sexta-feira (17), na sede da Adel, os demais jovens do território que buscam apoio financeiro para ampliar ou implantar seu Projeto de Negócio.

Segundo Raquel Ferreira, Coordenadora de Projeto da Adel, a expectativa é que neste semestre aproximadamente 22 jovens egressos do Curso Empreendedorismo e Gestão e Negócios acessem o Fundo Veredas.

“Nossa perspectiva é que todos esses jovens (egressos do Curso) estejam com seus projetos bem elaborados e preparados para seguir todas as etapas do processo: inscrição, aval de vizinhança/análise do projeto de negócio”, ressalta Raquel.

Turma de jovens 2016.2 do Curso Empreendedorismo e Gestão de Negócios

Após apresentação dos Projetos de Negócios, acontece a reunião da comissão de avaliação de crédito, a pactuação com o jovem, contratação e liberação de crédito.

Cada etapa é fundamental para o desenvolvimento do Fundo Veredas e para o jovem. A Adel busca ao longo destas etapas auxiliar os jovens no planejamento do negócio e o apoio das famílias e da comunidade.

Sobre o Fundo Veredas

O Fundo Veredas é uma estratégia da Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) e integra um dos componentes do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER). Ele foi criado em 2012 para apoiar a abertura e o desenvolvimento de empreendimentos de jovens empreendedores rurais no Semiárido cearense.

Atualmente, mais de 200 jovens com idade entre 18 e 32 anos e com residência no território foram beneficiados com os recursos do Fundo Veredas. No total, foram concedidos até 2016, R$ 481.079,99 em créditos aos jovens.

A perspectiva é que novos jovens empreendedores rurais acessem o crédito e possam contribuir com o desenvolvimento econômico local de suas comunidades.

Jovem transforma a paixão por artesanato em projeto de negócio

Janaína Sousa, 22, reside no Assentamento Ramalhete, em General Sampaio/CE. Filha de uma “família empreendedora”, como ela denomina, empreende desde criança. Aos seis anos, apanhava latinhas de bebidas para vender no ferro velho e ganhar seu próprio dinheiro.

“Era uma época que me divertia muito, apesar do interesse de ter dinheiro para comprar coisas de criança, vender latinhas foi mais um momento de lazer do que um negócio”, relata Janaína sorrindo.

Depois, aos oito anos, Janaína e os dois irmãos vendiam os dindins produzidos pela mãe nos jogos de futebol da comunidade. Essa era uma maneira de ajudar no sustento da família.

“Eles saiam juntos para vender os dindins nos jogos, às vezes consumiam mais que vendiam, coisa de crianças, mas eram bem responsáveis com o dinheiro e com a venda”, enfatiza D.Piedade, mãe de Janaína.

Filha mais velha de quatro irmãs e a segunda de seis irmãos, Janaína cresceu em um ambiente familiar de muita resiliência. Os pais dela criaram a família com menos de dois salários mínimos. Sr. Manoel Filho, pai de Janaína, é pescador e D. Piedade é Agente de Saúde na comunidade.

Janaína e os irmãos foram crescendo e também começaram a ajudar no sustento da casa. Aos poucos cada um foi buscando ter sua independência financeira. Entretanto, as oportunidades de trabalho e formação no município são bastante limitadas.

Com isso, dois dos irmãos de Janaína, Enyo Tallys e Damião, logo migraram para Fortaleza. Lá, eles criaram uma marcenaria e também vendem produtos gelados e bolos no bairro onde moram. Janaína e as irmãs permaneceram em Ramalhete. Ela quando cursava o Ensino Médio, em 2010, teve a oportunidade de ingressar no Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) desenvolvido pela Adel.

Ingresso no Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER)

A jovem conta que enxergou no PJER a chance de se capacitar e criar seu próprio negócio. “Vi que era uma oportunidade, tinha as atividades do colégio para conciliar, então me inscrevi, mas quando me vi sozinha, porque minha amigas não haviam sido selecionadas, fiquei com medo de ir, mas com a insistência e apoio dos meus pais ingressei na formação e fui muito feliz por isso”, enfatiza.

Em 2010, a formação empreendedora do Programa ocorria no período de um ano e Janaína conciliava a formação com as aulas do último ano do Ensino Médio. Ela conta que nesse período vendia bijuterias e também planejou implementar na propriedade da família um empreendimento de avicultura.

Janaína e sua família

“Tivemos muitas dificuldade para conseguir esse apoio financeiro, Janaína era menor de idade naquela época e isso complicou muito no acesso a políticas públicas como DAP e posteriormente o Pronaf jovem. Apesar do esforço e interesse dela não deu certo, mas ela persistiu muito”, relata o Sr. Manoel Filho.

A atividade era bastante propulsora, mas os desafios daquele período fizeram Janaína desistir da ideia e enxergar na sua paixão por artesanato em crochê a criação de um novo empreendimento.
“Apesar das dificuldades continuei como sacoleira e com um novo olhar para o empreendedorismo, dei continuidade com a venda de bijuterias e após acessar vários tutoriais no youtube comecei a fazer crochê”.

Oportunidade para empreender

No início, fazer artesanato em crochê era apenas uma arte, mas logo ela enxergou que era a oportunidade que buscava para empreender. As primeiras peças em crochê que ela fez logo foram vendidas e após compartilhar seu trabalho na sua rede social, em pouco mais de um mês triplicou o valor que ganhava como sacoleira.

Janaína e sua mãe (D.Piedade)

Atualmente, Janaína juntamente com a mãe, cria, borda e costura as peças em crochê. O pai dela também atua nas horas vagas no empreendimento. Sr. Manoel Filho ajuda nas entregas e compra de materiais.

“Futuramente quero ter minha própria loja virtual, produzo atualmente apenas cropped´s, biquínis e acessórios, como bolsas. Mas, pretendo ampliar o negócio e futuramente atender todo o território”, ressalta.

Janaína é uma das jovens beneficiadas pelo Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) desenvolvido pela Adel que está dando uma Nova Cara ao Sertão. Ela enxergou na paixão por artesanato em crochê a oportunidade para ter o seu próprio negócio e permanecer no município.

Adel participa de reunião do Conselho de Desenvolvimento Territorial

Na última terça-feira (24/01), a Adel participou da reunião do Conselho de Desenvolvimento Territorial (CDT) com o intuito de discutir ações para o território e a aprovação/validação do Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável (PTDRS) projetado pelo CDT para 2017.

Na reunião foram discutidas as seguintes pautas – recomposição do Núcleo Dirigente do CDT; planejamento das ações do Conselho no território; e, reestruturação do colegiado. Como o Conselho é formado por representantes do poder público e sociedade civil organizada os participantes da reunião avaliaram que seria necessário fazer uma assembleia para atualização do colegiado.

Com este intuito, foi agendado uma Assembleia Geral para o dia 22 de fevereiro, às 9h, no IFCE de Umirim. Na ocasião, serão convocados representantes do poder público e sociedade civil para participar efetivamente do Conselho. Acredita-se em uma revitalização para 2017, com uma maior participação da juventude e a ampliação de projetos coletivos entre os municípios dos Vales do Curu e Aracatiaçu.

Além da Adel, estavam presentes no encontro representantes de organizações que atuam nos processos de capacitação sobre as temáticas de desenvolvimento territorial, mobilização dos atores sociais e na organização das oficinas e plenárias para elaboração e qualificação do PTDRS – Instituto Agropolos do Ceará, FETRAECE, Universidade Vale do Acaraú (UVA), Instituto SESEMAR, Secretaria de Agricultura de Apuiarés e Sindicato dos Agricultores Rurais de Pentecoste e Apuiarés.

As organizações presentes priorizam a inclusão social e a valorização das potencialidades do território. Segundo a Diretora de Programas da Adel, Aurigele Alves, que esteve na reunião, o Conselho é um importante espaço para fomentar estratégias de desenvolvimento no território.

“A Adel valoriza e acredita que o CDT é um importante espaço político para discutirmos ações para o território. E, estamos entusiasmados a congregar mais atores sociais locais para juntos construir um plano estratégico de desenvolvimento dos Vales do Curu e Aracatiaçu”.

Sobre o Conselho de Desenvolvimento Territorial (CDT)

O Conselho de Desenvolvimento Territorial dos Vales do Curu e Aracatiaçu (CDT) é um espaço social, político, cultural, econômico e geográfico que busca contribuir com a redução dos índices de miséria, pobreza, analfabetismo e violência dos municípios onde atua.

Tem seu colegiado territorial organizado em quatro instâncias: plenária geral com caráter deliberativo; núcleo dirigente com perfil de gerenciamento; núcleo técnico e conselho fiscal. Toda esta estrutura organizacional conta com o apoio permanente do assessor territorial.

Adel recebe equipe do Projeto São José III

Na última quinta-feira (26/01), a Adel recebeu no Centro de Formação do Jovem Empreendedor Rural, na comunidade de Sororoca, em São Gonçalo do Amarante, cerca de vinte integrantes do Projeto Desenvolvimento Rural Sustentável (PDRS), também conhecido como Projeto São José III, da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA).

O objetivo da visita foi apresentar a equipe da SDA o trabalho realizado pela Adel com jovens empreendedores rurais no território e aproximar a equipe das experiências realizadas com a comunidade.

“O momento foi bastante produtivo, todas as falas dos palestrantes foram muitas vezes interceptadas pelos visitantes, mostrando o interesse e motivação dos mesmos pela forma de trabalho da Adel”, ressaltou Anderson Vieira, Assistente de Projetos da Adel que esteve acompanhando o grupo.

Durante a visita, a equipe da Adel apresentou a história da organização e o Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER). Na ocasião, os jovens beneficiados pelo Programa – Vitor Esteves, Ricardo Rodrigues, Rayssa Duarte, Neto Ribeiro, Rafael Marques e Dayane Maciel também contaram as ideias empreendedoras que desenvolvem nas comunidades onde moram.

Ambos os jovens foram beneficiados pelo Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER), que cria oportunidades para o desenvolvimento de empreendimentos rurais por jovens empreendedores. O PJER utiliza uma abordagem integrada e trabalha com as habilidades empreendedoras da juventude possibilitando o acesso a conhecimento, crédito orientado, redes e tecnologias.

Desde 2009, o Programa já beneficiou mais de mais de 700 jovens de nove municípios do Estado do Ceará – São Gonçalo do Amarante, Pentecoste, Paracuru, Umirim, Caucaia, São Luís do Curu, Tejuçuoca, General Sampaio e Apuiarés.

Segundo Ricardo Rodrigues, jovem beneficiado pelo Programa, que trabalha com vendas de frutas e hortaliças, compartilhar sua experiência e conhecer as ações do Projeto São José III foi inspirador. “O encontro foi muito bom, tivemos uma roda de conversa e trocamos muitas ideias. Pude aprender e compartilhar muitas experiências com os visitantes da SDA”.

Na oportunidade, a Coordenadora Técnica do Projeto São José, Karina Holanda, apresentou as ações do Projeto São José III e as perspectivas futuras. Para Karina, “processos de formação, de capacitação, intercâmbio, estudos, e toda essa relação institucional no Estado é importante para fazer acontecer as ações do projeto. Foi um imenso prazer de estar aqui, de poder escutar muito mais do que repassar as informações do projeto, e ver o quanto que a gente ainda pode galgar do trabalho voltado para a questão da juventude”.

Além da SDA, estavam presentes funcionários da Secretaria de Desenvolvimento Social (STDS), e outras coordenadorias afins como a CODETE e SIECO, ligadas a Comissão de Segurança Alimentar e Nutricional.