Adel participa de lançamento do Programa EDP Renováveis Rural no Rio Grande do Norte

 

Hoje (25/06), às 15h, nossa equipe participou na comunidade Tubiba, em Touros, Rio Grande do Norte, do lançamento do Programa EDP Renováveis Rural desenvolvido pela EDP Renováveis em quatro comunidades rurais do entorno das Centrais Eólicas JAU e Aventura 1.

O Programa EDP Renováveis Rural objetiva contribuir com o desenvolvimento sustentável das comunidades rurais onde atua e beneficia 40 agricultores familiares nos municípios de Touros e Jandaíra. A primeira atividade desenvolvida pelo Programa em parceria com a Adel foi o diagnóstico de potencialidades e vulnerabilidades para o desenvolvimento rural que foi apresentado hoje, aos moradores de Tubiba, e que será divulgado amanhã, na sede da Associação de Jovens Agroecologistas (AJOCA) para as famílias de Cabeço, Lagoa da Serra Verde e Zabelê.

Durante os meses de abril e maio, a equipe da Adel visitou as famílias dessas quatro comunidades e através de entrevistas e oficinas de Diagnóstico Rural Participativo (DRP) coletou dados que evidenciam as potencialidades dos estabelecimentos produtivos das famílias que residem em Cabeço, Lagoa da Serra Verde, Tubiba e Zabelê.

As comunidades têm suas particularidades e apresentam em comum o desejo dos moradores de obterem melhores condições de trabalho e renda, e, a inexistência de práticas de produção e de gestão dos estabelecimentos por parte dos agricultores. Os dados e informações elencadas no diagnóstico são essenciais para identificar vulnerabilidades e oportunidades das ações junto as 40 propriedades rurais que serão beneficiadas pelo Programa EDP Renováveis Rural.

Para o Diretor de Negócios da Adel, Wagner Gomes, as principais oportunidades elencadas no diagnóstico estão relacionadas a implantação de soluções e tecnologias socioambientais para a convivência com o semiárido, como sistemas de captação de água da chuva, produção agroecológica, criação de galinha caipira, produção de mel, reuso da água e reserva estratégica para pequenos animais.

Após apresentação do diagnóstico nas comunidades, os agricultores vão participar de oficinas sobre associativismo, gestão rural, cooperativismo, entre outros temas. O Programa também realizará visitas técnicas e contribuirá com a implantação de tecnologias socioambientais de convivência com o semiárido.

Todas estas ações do Programa contam com a parceria da Adel, que também é responsável pela elaboração e execução de uma estratégia de comunicação para dar visibilidade as atividades do Programa, e, assessoria técnica e gerencial para a formação continuada e o uso eficiente das tecnologias implantadas no período de dezoito meses.

Sobre o Programa EDP Renováveis Rural

 

O Programa EDP Renováveis Rural tem como objetivo gerar trabalho e renda para moradores de propriedades do entorno das Centrais Eólicas JAU e Aventura 1, por meio de capacitações voltadas à competitividade e sustentabilidade dos empreendimentos rurais no sertão potiguar e do fomento à inovação, ao empreendedorismo e à difusão das tecnologias sociais – de produção, gestão e boas práticas de convivência com o semiárido.

As atividades nos municípios de Touros e Jandaíra iniciaram em abril de 2018 e se estenderão até setembro de 2019. O Programa é realizado junto às comunidades do entorno das Centrais Eólicas JAU e Aventura 1 e é desenvolvido em parceria com a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) e com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A ação é organizada pela EDP Renováveis com apoio do Instituto EDP, organização que coordena as ações socioambientais do Grupo.

Mais informações: https://www.edpr.com/pt-pt/edpr/fundacion-edp

Cooperação para o desenvolvimento de Organizações da Sociedade Civil

*Por Gláucio Gomes

Acreditamos em desenvolvimento. É isso que move a Adel todos os dias. Sua comunidade institucional: fundadores que seguem hoje como gestores da organização, colaboradores, parceiros, aliados, beneficiários e todas as demais pessoas que compartilham de nossa missão.

Acreditamos em desenvolvimento sem adjetivos. Mas com contexto. Desenvolvimento por uma perspectiva ecológica, sistêmica, que se aplica aos territórios enquanto espaços em que as pessoas funcionam social, cultural, econômica e politicamente. Em que interagem entre si, em suas comunidades, com as instituições presentes, com a infraestrutura, com os recursos naturais existentes. Com o meio ambiente. Mais uma vez: acreditamos em desenvolvimento por uma perspectiva realmente ecológica.

Mas tem algo em que acreditamos com tanta força quanto cremos em desenvolvimento: cooperação. Que o desenvolvimento apenas é possível em um ambiente em que há cooperação entre aqueles que compartilham valores, ideias, propostas, conceitos, objetivos e motivações. Que comungam das recompensas também.

Considerar a possibilidade de conseguir realmente transformar algo nesse mundo complexo de hoje atuando sozinho é um engano descomunal. Um engano que custa caro para quem trabalha na ponta do atendimento, para quem investe em impacto social e, especialmente, para as pessoas e comunidades que são alvos de tantos projetos e iniciativas que, solitárias, dificilmente conseguem alcançar pontos nevrálgicos e realmente estruturantes, entraves para o desenvolvimento, para a proteção social e para a garantia de direitos.

Atuar em parcerias sempre foi uma premissa para a Adel. Jamais uma organização com o nosso histórico teria chegado até aqui em sua trajetória sem ter cultivado relações de trocas e de complementaridade com tantos aliados: investidores, doadores, com as comunidades e com amigos técnicos e institucionais.

Sempre dizemos que a Adel tem a resiliência como um atributo fundamental em sua história. Pois bem. Saber reconhecer suas limitações e se aproximar de pares que nos complementem e nos ajudem com aquilo que não somos totalmente competentes, ao mesmo tempo em que oferecemos o que temos de melhor, é um exercício de resiliência. De adaptabilidade para superar os desafios do meio tão hostil, muitas vezes, em que atuamos em prol do desenvolvimento.

Anderson Pires (Coordenador Administrativo e Financeiro ITEVA), Gláucio Gomes (Diretor de Desenvolvimento Adel), Adriano Batista (Diretor Executivo Adel), Fábio Beneduce (Coordenador Geral ITEVA), da esquerda para a direita

É com esse espírito de cooperação para o desenvolvimento que firmamos parceria com o Instituto Tecnológico e Vocacional Avançado, o ITEVA, para trabalharmos juntos em iniciativas geradoras de impactos sociais ainda mais significativos. Cada qual contribuindo nesse arranjo com aquilo que faz melhor. E contando o apoio do outro para se reforçar, para ser melhor no avanço de sua missão.

Em breve, anunciaremos ações conjuntas, investimentos complementares e sinergias técnicas e operacionais para promover desenvolvimento em comunidades resilientes no Ceará e no Brasil. Ao mesmo tempo em que vamos trabalhar, na Adel e no ITEVA, para alcançarmos um patamar mais consistente, eficiente, qualificado e sustentável de gestão como organizações não-governamentais de impacto social.

Adel participa da II Conferência da Caatinga

Reprodução Facebook Conferência Caatinga

Entre os dias 19 e 21 de junho a Adel estará presente na II Conferência da Caatinga que será realizada no Auditório Murilo Aguiar e demais dependências da Assembleia Legislativa do Ceará. Com o tema “Desenvolvimento Humano e Sustentabilidade” o evento propõe discutir as graves questões que preocupam governos e sociedade civil organizada em torno do bioma.

A II Conferência busca identificar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) estratégicos para o Desenvolvimento Humano e Sustentabilidade no Bioma Caatinga, indicando ações implementadas e previstas, desafios e proposições. Serão enfatizados: a crise hídrica, a sustentabilidade e o processo agressivo de desertificação, tendo como eixo central a ação do homem.

Durante três dias, diversas lideranças sociais, representantes do governo e sociedade civil em geral, vão compartilhar experiências exitosas no Estado e pensar alternativas para promoção de uma convivência harmoniosa no bioma.

A Adel estará apresentando a experiência da Rede Néctar do Sertão, iniciativa que contribui, desde 2013, para a estruturação da cadeia produtiva do mel de abelha no Médio Curu, através da produção agroecológica e criação de espécies nativas, visando o desenvolvimento local e a preservação da caatinga.

A Rede congrega 44 apicultores e meliponicultores, entre homens, jovens e mulheres, moradores de dezesseis comunidades rurais nos municípios de Pentecoste e Apuiarés. Além de promover a troca de saberes e conhecimentos, a Rede estimula a criação de fundos rotativos solidários nas associações de produtores, como estratégia para promover a sustentabilidade dos pequenos empreendimentos de Meliponicultura.

Sobre a Conferência
A Conferência tem como foco a disseminação de informações sobre programas, projetos e ações em desenvolvimento ou previstas nos estados do bioma Caatinga, que contribuem ou poderão contribuir para as metas previstas nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos pela ONU.

Durante o evento serão realizadas palestras, salas temáticas com apresentação de experiências de preservação da Caatinga, e simultaneamente, a Feira dos Saberes e das Culturas da Caatinga que oferecerá um viés da produção agrícola, artesanatos e manifestações culturais do Nordeste. A Cooperativa Caroá, iniciativa apoiada pela Adel, participará da Feira expondo os produtos de jovens empreendedores rurais do território. Além de frutas e verduras orgânicas, a Cooperativa levará mudas e vasinhos com plantas suculentas produzidas pela Flor do Sertão, empreendimento criado pela jovem Sabrina Santos de São Luís do Curu/CE.

A II Conferência da Caatinga é uma realização da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) e Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) e Instituto Agropolos, Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS); Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA – Superintendência do Ceará) e dos representantes da sociedade, Instituto Nordeste XXI e Fundação Bernardo Feitosa. A coordenação é do Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos, órgão que oferece embasamento técnico-científico ao planejamento de políticas públicas do legislativo estadual cearense.

A participação é gratuita e as inscrições podem ser feitas até 14 de junho, neste link: https://al.ce.gov.br/index.php/ii-conferencia-da-caatinga

Agricultura familiar e preservação ambiental no semiárido

 

Por Adriano Batista e Lelis Duarte*

A Adel, através do Programa Soluções Rurais, busca contribuir para o desenvolvimento local de comunidades rurais, a partir da cooperação entre agentes da sociedade civil e da integração de soluções inovadoras e viáveis, nas diversas dimensões do desenvolvimento, em uma perspectiva ecológica.

Tomando do por base a dimensão ambiental do desenvolvimento local, a Adel acredita que as práticas de produção e de gestão dos estabelecimentos rurais são alguns dos maiores desafios para o desenvolvimento rural, especialmente no contexto do Sertão Nordestino.

Trata-se de uma realidade repleta de adversidades, em que os pequenos produtores precisam exercitar empreendedorismo e resiliência, aproveitando ao máximo a criatividade, engenhosidade e cooperação, buscando as melhores formas de convivência e superando as dificuldades do meio em que estão inseridos. Para que assim possam usufruir de forma mais eficiente dos recursos naturais disponíveis, gerando resultados positivos para suas comunidades e para cada uma de suas famílias.

As práticas inadequadas utilizadas pelos pequenos produtores em seus estabelecimentos rurais causam danos ambientais a serem considerados, já que são bastante agressivas ao meio ambiente. Técnicas de produção sustentáveis geram produtos de maior qualidade e com maior valor agregado, ao mesmo tempo em que permitem aos agricultores interagir de forma harmônica e positiva com o habitat natural, pensando estrategicamente no uso inteligente dos recursos disponíveis e na conservação das características que geram insumos especiais, únicos e que contribuem para a qualidade, para diferenciação e para o ganho de valor dos produtos com que trabalham.

Por essa perspectiva, as soluções de convivência com o semiárido são identificadas de acordo com as demandas, as oportunidades e as potencialidades das comunidades atendidas. Ao longo dos últimos dez anos, a Adel vem estimulando a organização de cadeias produtivas em territórios do Ceará e Rio Grande do Norte por uma perspectiva sustentável. Destacamos aqui o caso da Meliponicultura.

A meliponicultura é uma oportunidade econômica para a agricultura familiar no semiárido. As técnicas de produção são adequadas e condizentes com as peculiaridades da caatinga, bem como com as limitações e capacidades técnicas e logísticas dos pequenos produtores rurais da região. As tecnologias difundidas pela Adel priorizam o modelo agroecológico e, portanto, sustentável, de criação de abelhas, produção e processamento de mel, que será aplicado pelos pequenos produtores capacitados e assessorados em seus empreendimentos socioambientais comunitários.

Essa atividade não necessita de investimento alto inicial e tem grandes vantagens ambientais, a exemplo da extensa flora brasileira da caatinga com inúmeras plantas nectaríferas e poliníferas essenciais para as abelhas. As abelhas melíponas são, entre os insetos, também os mais importantes polinizadores de plantas cultivadas, principalmente de árvores frutíferas que necessitam delas para sua polinização. Economicamente, a meliponicultura contribui para a valorização da floresta em pé, pois depende dela para gerar valor monetário a partir de um produto florestal não-madeireiro. Em termos socioeconômicos, sempre representou um bom negócio e cumpre um papel social muito importante, de tal forma que envolve toda família. Além disso, o criatório de abelhas não precisa de cuidados diários, permitindo que o produtor rural possa realizar outras atividades. A rentabilidade da atividade exige, porém, profissionalização para render boas safras.

A difusão de tecnologias modernas, agroecológicas e de baixo custo na criação de abelhas, produção e processamento de mel é estratégia para geração de renda e de oportunidades de trabalho na região. Destacando-se o significativo valor agregado que os produtos agroecológicos têm hoje em mercados bastante lucrativos e relativamente próximos da região beneficiada. É também uma porta de entrada bastante oportuna para a inclusão de jovens produtores rurais nas atividades da agricultura familiar, enquanto empreendedores. Uma oportunidade para promover uma cultura produtiva trans e multigeracional, que congregue e engaje produtores de diferentes faixas etárias, trocando conhecimentos e transmitindo tradições e saberes.

Ao estimular a meliponicultura, a Adel colaborou para criação da Rede Néctar do Sertão na Região do Médio Curu. O empreendimento foi organizado por lideranças de cinco grupos de Apicultores e Meliponicultores. Abrange 44 criadores de 16 comunidades em dois municípios: Pentecoste e Apuiarés, no norte do Ceará. E possui mais de 350 colmeias em produção. No início a quantidade de colônias era muito pequena, mas por meio da técnica de multiplicação de enxames, os criadores vêm preservando as espécies e ampliando a criação.

A produção de mel ainda é pequena: pouco mais de 100 litros por safra. O que está diretamente relacionado com às estiagens prolongadas, à reduzida quantidade de pastos apícolas, ao desmatamento e ao baixo número de colônias. O mel produzido é vendido com muita facilidade, pois o produto, além de ser de boa qualidade, é um ótimo alimento e tem propriedades medicinais. O litro de mel de tipo Jandaíra é vendido em média por R$ 120,00 na região.

Os produtores estão ampliando paulatinamente a criação sustentável de Melíponas e outras espécies de abelhas nativas, agregando valor à produção de mel.  Além disso, estão buscando mais conhecimento através de assistência técnica e capacitação. Pensando nisso, eles, em parceria com a Adel, construíram um Meliponário modelo na comunidade de Lagoa das Pedras, em Apuiarés.

Com o aprendizado correto do manejo dos animais pelos criadores, atualmente, praticamente 100% dos produtores faz alimentação artificial das colônias, evitando sua morte ou enfraquecimento. Além disso, dos 44 criadores integrados a Rede Néctar do sertão, 13 possuem em sua propriedade áreas protegidas e em recuperação e outros 27 estão protegendo e reflorestando uma área destinada a criação das abelhas.

Isso demonstra que a criação de abelhas, especialmente as nativas, é um fator importante para a preservação da caatinga e para o alcance do 15º Objetivo para o Desenvolvimento Sustentável (ODS): proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.

Portanto, acreditamos que é possível produzir, gerar renda e trabalho preservando o meio ambiente. Através de práticas condizentes com o semiárido e acessíveis a seus moradores, técnicas de produção sustentáveis, gerando produtos de maior qualidade e valor final agregado, ao mesmo tempo em que permitem aos agricultores interagir de forma menos agressiva com o habitat natural em que estão inseridos.

Adriano Batista é Diretor Executivo da Adel e Zootecnista. Lelis Duarte, Assistente de Projeto da Adel, Bióloga e Especialista em Gestão Ambiental. 

Agricultura familiar e preservação ambiental no semiárido

 

Por Lelis Duarte e Adriano Batista*

A Adel através do Programa Soluções Rurais busca contribuir para o desenvolvimento local de comunidades rurais, a partir da cooperação entre agentes da sociedade civil e da integração de soluções inovadoras e viáveis, nas diversas dimensões do desenvolvimento, em uma perspectiva ecológica.

Tomando por base a dimensão ambiental do desenvolvimento local, a Adel acredita que as práticas de produção e de gestão dos estabelecimentos rurais são alguns dos maiores desafios para o desenvolvimento rural, especialmente no contexto do Sertão Nordestino.

Trata-se de uma realidade repleta de adversidades, em que os pequenos produtores precisam exercitar empreendedorismo e resiliência, aproveitando ao máximo a criatividade, engenhosidade e cooperação, buscando as melhores formas de convivência e superando as dificuldades do meio em que estão inseridos. Para que assim possam usufruir de forma mais eficiente dos recursos naturais disponíveis, gerando resultados positivos para suas comunidades e para cada uma de suas famílias.

As práticas inadequadas utilizadas pelos pequenos produtores em seus estabelecimentos rurais causam danos ambientais a serem considerados, já que são bastante agressivas ao meio ambiente. Técnicas de produção sustentáveis geram produtos de maior qualidade e com maior valor agregado, ao mesmo tempo em que permitem aos agricultores interagir de forma harmônica e positiva com o habitat natural, pensando estrategicamente no uso inteligente dos recursos disponíveis e na conservação das características que geram insumos especiais, únicos e que contribuem para a qualidade, para diferenciação e para o ganho de valor dos produtos com que trabalham.

Por essa perspectiva, as soluções de convivência com o semiárido são identificadas de acordo com as demandas, as oportunidades e as potencialidades das comunidades atendidas. Ao longo dos últimos dez anos, a Adel vem estimulando a organização de cadeias produtivas em territórios do Ceará e Rio Grande do Norte por uma perspectiva sustentável. Destacamos aqui o caso da Meliponicultura.

A meliponicultura é uma oportunidade econômica para a agricultura familiar no semiárido. As técnicas de produção são adequadas e condizentes com as peculiaridades da caatinga, bem como com as limitações e capacidades técnicas e logísticas dos pequenos produtores rurais da região. As tecnologias difundidas pela Adel priorizam o modelo agroecológico e, portanto, sustentável, de criação de abelhas, produção e processamento de mel, que será aplicado pelos pequenos produtores capacitados e assessorados em seus empreendimentos socioambientais comunitários.

Essa atividade não necessita de investimento alto inicial e tem grandes vantagens ambientais, a exemplo da extensa flora brasileira da caatinga com inúmeras plantas nectaríferas e poliníferas essenciais para as abelhas. As abelhas melíponas são, entre os insetos, também os mais importantes polinizadores de plantas cultivadas, principalmente de árvores frutíferas que necessitam delas para sua polinização. Economicamente, a meliponicultura contribui para a valorização da floresta em pé, pois depende dela para gerar valor monetário a partir de um produto florestal não-madeireiro. Em termos socioeconômicos, sempre representou um bom negócio e cumpre um papel social muito importante, de tal forma que envolve toda família. Além disso, o criatório de abelhas não precisa de cuidados diários, permitindo que o produtor rural possa realizar outras atividades. A rentabilidade da atividade exige, porém, profissionalização para render boas safras.

A difusão de tecnologias modernas, agroecológicas e de baixo custo na criação de abelhas, produção e processamento de mel é estratégia para geração de renda e de oportunidades de trabalho na região. Destacando-se o significativo valor agregado que os produtos agroecológicos têm hoje em mercados bastante lucrativos e relativamente próximos da região beneficiada. É também uma porta de entrada bastante oportuna para a inclusão de jovens produtores rurais nas atividades da agricultura familiar, enquanto empreendedores. Uma oportunidade para promover uma cultura produtiva trans e multigeracional, que congregue e engaje produtores de diferentes faixas etárias, trocando conhecimentos e transmitindo tradições e saberes.

Ao estimular a meliponicultura, a Adel colaborou para criação da Rede Néctar do Sertão na Região do Médio Curu. O empreendimento foi organizado por lideranças de cinco grupos de Apicultores e Meliponicultores. Abrange 44 criadores de 16 comunidades em dois municípios: Pentecoste e Apuiarés, no norte do Ceará. E possui mais de 350 colmeias em produção. No início a quantidade de colônias era muito pequena, mas por meio da técnica de multiplicação de enxames, os criadores vêm preservando as espécies e ampliando a criação.

A produção de mel ainda é pequena: pouco mais de 100 litros por safra. O que está diretamente relacionado com às estiagens prolongadas, à reduzida quantidade de pastos apícolas, ao desmatamento e ao baixo número de colônias. O mel produzido é vendido com muita facilidade, pois o produto, além de ser de boa qualidade, é um ótimo alimento e tem propriedades medicinais. O litro de mel de tipo Jandaíra é vendido em média por R$ 120,00 na região.

Os produtores estão ampliando paulatinamente a criação sustentável de Melíponas e outras espécies de abelhas nativas, agregando valor à produção de mel.  Além disso, estão buscando mais conhecimento através de assistência técnica e capacitação. Pensando nisso, eles, em parceria com a Adel, construíram um Meliponário modelo na comunidade de Lagoa das Pedras, em Apuiarés.

Com o aprendizado correto do manejo dos animais pelos criadores, atualmente, praticamente 100% dos produtores faz alimentação artificial das colônias, evitando sua morte ou enfraquecimento. Além disso, dos 44 criadores integrados a Rede Néctar do sertão, 13 possuem em sua propriedade áreas protegidas e em recuperação e outros 27 estão protegendo e reflorestando uma área destinada a criação das abelhas.

Isso demonstra que a criação de abelhas, especialmente as nativas, é um fator importante para a preservação da caatinga e para o alcance do 15º Objetivo para o Desenvolvimento Sustentável (ODS): proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.

Portanto, acreditamos que é possível produzir, gerar renda e trabalho preservando o meio ambiente. Através de práticas condizentes com o semiárido e acessíveis a seus moradores, técnicas de produção sustentáveis, gerando produtos de maior qualidade e valor final agregado, ao mesmo tempo em que permitem aos agricultores interagir de forma menos agressiva com o habitat natural em que estão inseridos.

Lelis Duarte, Assistente de Projeto da Adel, Bióloga e Especialista em Gestão Ambiental. Adriano Batista é Diretor Executivo da Adel e Zootecnista.

Adel inicia segunda etapa de formação do Projeto Paulo Freire no Cariri Oeste

 

Mês passado iniciamos a segunda etapa do Projeto de Desenvolvimento Produtivo e de Capacidades – Projeto Paulo Freire no Cariri Oeste. A segunda etapa, diferente da primeira, busca atender famílias não cadastradas no Projeto, de comunidades que ainda não tiveram oportunidade de participar da formação.

Até agora o Percurso Formativo através de Capacitação em Políticas Públicas realizou 96 oficinas em 86 comunidades rurais no Cariri Oeste. Contando com mais de 4000 beneficiários, onde 40% eram mulheres e 25% jovens. Nos meses de abril e maio foram realizadas dezoito oficinas, em 18 comunidades rurais dos municípios de Campos Sales, Salitre, Nova Olinda, Santana do Cariri, Araripe e Potengi.

 

O Percurso Formativo sobre Políticas Públicas continuará até julho abordando os seguintes temas: Direitos humanos e educação; Terra, trabalho e produção; Água, soberania e segurança alimentar; mantendo o foco em mulheres e juventude. As capacitações contam também com um espaço de recreação destinado a crianças e adolescentes.

Para o jovem Maicon de Freitas, 21, Presidente da Associação Comunitária Ponta da Serra, em Santana do Cariri, o projeto proporciona o acesso a vários conhecimentos. “Com a chegada do pessoal da Adel, a população ficou conhecendo os seus direitos, como qual a importância dos direitos humanos, aprendendo o que é políticas públicas. Na área da agricultura, tomamos conhecimento do mal que fazemos ao solo, quando utilizamos agrotóxicos. Possamos por um apoio sobre como devemos plantar de forma correta, sem agredir o meio ambiente”.

 

Segundo Valdeci Silva, integrante do projeto e residente no Sítio Serra da Perua, Araripe, o Percurso Formativo foi uma oportunidade de trocar ideias, aprender mais e ensinar um pouco aos outros. “Foram dois dias de aprendizagem, tivemos acesso a vários conhecimentos e seria ótimo que a gente tivesse mais encontros como esse para ficarmos por dentro de nossos direitos e deveres como agricultor”

Sobre o Projeto

 

O Projeto de Capacitação em Acesso às Políticas Públicas tem por objetivo geral promover ações de capacitação e educação sobre as políticas públicas disponíveis para os povos do Semiárido, sendo executado pela Adel, compondo as ações do Projeto Paulo Freire.

Para realização deste Projeto, a Adel conta com Núcleo Avançado em Campos Sales e uma equipe composta por instrutores, recreadores e mobilizadores sociais. O Projeto Paulo Freire é uma realização da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).