Oportunidade para Jovens Empreendedores Rurais

 

Este ano, a partir de maio, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) realizará com jovens empreendedores rurais já beneficiados pelo Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) diversas atividades de formação, assessoria e mentoria para auxiliar no desenvolvimento de seus projetos.

É uma etapa avançada do PJER que busca contribuir com a sustentabilidade dos negócios e a atuação dos jovens no território. O objetivo é colaborar para que jovens empreendedores sejam protagonistas e lideranças em suas comunidades. A maioria destes jovens expressam interesse e verificam oportunidades em suas linhas de atuação, mas ainda precisam de apoio para conectar seus projetos de negócios com estratégias de desenvolvimento local – com oportunidades e vocações existentes no contexto.

Podem participar dessa etapa do PJER, jovens beneficiados pelo Programa que estão com um empreendimento ativo com viés econômico ou social no território e residindo em um dos nove municípios de atuação do PJER – Apuiarés, Caucaia, General Sampaio, Paracuru, Pentecoste, São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu, Tejuçuoca e Umirim. As inscrições estão abertas até 30 de abril e podem ser realizadas por meio do preenchimento do formulário on-line, disponível no no seguinte link: https://forms.gle/BReQLwfzuYL2KwHr7

A seleção será por meio da análise do formulário de inscrição e de entrevistas presenciais com a equipe da Adel. No total, 60 jovens empreendedores rurais serão beneficiados. Os projetos devem ser nas seguintes categorias: produção, serviço, comércio e na área social.

Etapa avançada do PJER

Essa etapa avançada do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) busca ampliar as capacidades técnicas, de gestão e de atuação de jovens empreendedores rurais beneficiados pelo Programa. Os jovens participarão ao longo do ano de duas formações e terão acesso a um conjunto de ferramentas, informações e conhecimentos considerados essenciais para o desenvolvimento de um negócio ou de um projeto de impacto social em meio rural.

A formação básica é composta por quatro oficinas e uma visita in loco para diagnóstico do projeto. Na formação avançada, os jovens vão estudar sobre estratégias, finanças, marketing, gestão, dentre outros temas. Além do processo formativo, os empreendedores terão assessoria da Adel e participarão de seminários e feiras com foco na linha de atuação de cada projeto.

Os jovens também receberão apoio no desenvolvimento de Arranjos Produtivos Locais (APLs). Uma vez esboçados, a Adel auxiliará nos estágios de planejamento, estruturação e organização administrativa, jurídica e contábil destas inciativas a fim de contribuir com o desenvolvimento do território.

Inscrições para o Projeto Diversidade e Empreendedorismo de Jovens Rurais

 

A Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) torna público as inscrições para o Projeto Diversidade e Empreendedorismo de Jovens Rurais, ação que integra as estratégias de atuação do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) desenvolvido há 10 anos pela organização e selecionado pelo edital nacional LGBT+ Orgulho do Itaú Social em 2018.

O Projeto Diversidade e Empreendedorismo de Jovens Rurais é a primeira iniciativa da Adel com foco exclusivo para a comunidade LGBT+. Busca contribuir para o acesso de 25 jovens LGBT+ de comunidades rurais dos municípios de Pentecoste, Apuiarés, Tejuçuoca, Paracuru e São Gonçalo do Amarante, no Ceará, a conhecimento, crédito, redes colaborativas e tecnologias que lhes permitam empreender e permanecer com qualidade de vida em suas comunidades.

A inclusão socioprodutiva de jovens LGBT+ é um dos desafios no semiárido brasileiro. Diversos jovens que vivem no meio rural, em situação de vulnerabilidade socioeconômica, lidam diariamente com a hostilidade desse contexto que cria barreiras para que possam trabalhar e gerar renda para si mesmos.

A maioria destes jovens são intimidados, lidam com conflitos em suas famílias e sofrem diariamente com a exclusão, com o preconceito, com a violação de seus direitos, dificuldade de acesso à educação e ao mercado de trabalho. Por não encontrarem apoio em seus territórios, eles são os primeiros a migrar para centros urbanos.

O empreendedorismo é uma alternativa para jovens LGBT+ permanecerem em seus territórios. É uma estratégia que proporciona aos jovens maior autonomia para serem protagonistas de suas vidas e nas comunidades onde vivem. Por meio deste projeto, a Adel almeja junto com os parceiros criar possibilidades para mobilidade social positiva e a garantia de liberdades fundamentais aos jovens LGBT+ que vivem no meio rural.

Podem participar jovens com idade entre 18 e 32 anos, com Ensino Médio concluído e que residam em um dos cinco municípios de abrangência do projeto. As inscrições são on-line (https://forms.gle/ZyNhUqWWG1mU4Tj4A) ou na sede da Adel e estão abertas até 26 de abril.

Como funciona o projeto

O Projeto Diversidade e Empreendedorismo de Jovens Rurais será realizado ao longo de 2019 pela Adel e inclui além da formação em protagonismo e empreendedorismo, assessoria na elaboração de projetos de negócio, acesso a crédito e gestão.

A primeira atividade que o jovem participa ao ingressar no Projeto é o Curso Protagonismo e Empreendedorismo Rural. O Curso possui quatro (4) módulos, contabilizando 110 horas/aula. No curso serão ministradas oficinas sobre Desenvolvimento Local, Empreendedorismo Rural, Educação Financeira, Planejamento e Gestão, Administração na produção e gestão operacional, Comercialização e Protagonismo e Empreendedorismo Socioambiental.

A etapa formativa do Programa inclui ainda encontros focais, sessões de assessoria, palestras, mentorias coletivas, tutorias individuais e painéis para apresentação dos Projetos de Negócio. Os jovens também serão incentivados a cooperar e colaborar entre si, entre suas iniciativas, para formação de Arranjos Produtivos Locais (APLs), como contribuições para o desenvolvimento local.

Sobre a iniciativa

Este Projeto é fruto do edital nacional LGBT + Orgulho que visa incentivar o desenvolvimento de iniciativas que auxiliem e estimulem a visibilidade, segurança e respeito às pessoas LGBT+, com apoio institucional do Itaú Unibanco em parceria com a consultoria Mais Diversidade.

Por meio desta iniciativa a Adel busca fomentar o desenvolvimento de empreendimentos de negócios e impacto socioambiental em meio rural, proporcionando aos jovens LGBT+ acesso aos componentes de atuação do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER).

O PJER, criado pela Adel em 2009, consiste na aliança entre quatro (4) componentes: acesso a conhecimento, crédito orientado, apoio no fortalecimento organizativo e acesso as tecnologias de informação e comunicação. Mais de 1000 jovens empreendedores já foram apoiados pelo Programa e cerca de 90% desses jovens permanecem em suas comunidades. Este ano o PJER se encontra também em processo de expansão para o Amazonas.

Gestão das águas

Comunidade Brinco de Ouro, João Câmara (RN), realiza a gestão coletiva da rede de abastecimento de água, conta também com um poço profundo, um dessalinizador e uma microusina solar

 

*Por Wagner Gomes  (Diretor de Negócios Adel)

O acesso à água potável é um direito de todos os cidadãos, é fundamental para a segurança alimentar e nutricional e condição prévia para usufruir de outros direitos humanos básicos. Apesar de considerado um direito, 35 milhões de pessoas no Brasil ainda não têm acesso à água potável.

Segundo o Instituto Trata Brasil, 95% da população urbana contam com água tratada em suas casas. Mas apenas 27,8% dos domicílios rurais estão ligados à rede de distribuição de água. As áreas rurais contabilizam 20 milhões de pessoas sem acesso ao líquido. Além disso, as formas de abastecimento são, em sua maioria, precárias e não têm controle efetivo e vigilância sobre a qualidade para consumo.

Na região Nordeste existem milhares de organizações comunitárias que atuam no meio rural fazendo o mínimo controle de qualidade da água para as famílias. São as próprias comunidades mobilizadas para solucionar esse desafio. Mas, essas organizações são completamente invisíveis, não fazem parte de nenhum censo ou dado estatístico do país. Existem evidências de que nas zonas rurais onde elas existem, as comunidades são as mais bem assistidas neste quesito. As organizações comunitárias, comitês de água, cooperativas ou associações gerenciam as águas da comunidade e o sistema que abastece as residências a partir de definições estabelecidas coletivamente como, por exemplo, a implantação da tarifa e sua cobrança e a suspensão do serviço em caso de não pagamento.

Neste cenário, diversas experiências interessantes realizam os serviços de abastecimento de água em escala nas comunidades rurais do nordeste brasileiro e tornaram-se alternativas institucionais, sociais, técnicas e financeiras sustentáveis que merecem destaque e disseminação no país. É o caso dos modelos de gestão autossustentáveis desenvolvidos pelo Sistema Integrado de Saneamento Rural (SISAR) do Ceará, Piauí e Alagoas (onde é conhecido como Sisal) e da Central de Associações Comunitárias para Manutenção dos Sistemas de Saneamento, da Bahia.

Entretanto, milhares de comunidades e famílias do meio rural brasileiro não têm acesso a água potável. Não há, portanto, diretriz política de incentivo a replicação dos modelos citados acima, por parte dos municípios, estados e órgãos federais. Na Adel (Agência de Desenvolvimento Econômico Local) buscamos junto a 3 mil famílias e lideranças comunitárias nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte desenvolver uma autogestão das águas. Por meio de cursos e oficinas em operação e gestão das tecnologias socioambientais de acesso à água para consumo humano e produção de alimentos temos contribuído para avançar nestes modelos. É necessário que a gestão dos serviços rurais de abastecimento de água seja institucionalizada e regulamentada no país.

 

Texto originalmente publicado na versão impressa do Diário do Nordeste do dia 14 de abril de 2019.