Jovem de Tejuçuoca empreende e colabora com o desenvolvimento local

Desde 2018, Aury começou a investir na avicultura

Aury Magalhães, 23, mora na comunidade Riacho das Pedras, distante 12 km da sede do município de Tejuçuoca, no Ceará. Antes ele e a família moravam na comunidade Alegria no mesmo município. O lugar onde viveu na infância diz muito sobre o jovem que nos recebeu com um sorriso largo e confiante de que empreender foi um passo muito importante em sua vida.

Órfão de pai aos três anos de idade, aprendeu ainda criança, com o avô, a trabalhar na agricultura. Por ser o filho mais velho de três irmãos, também dividiu com a mãe muitas responsabilidades. “Ele cuidava dos irmãos, cozinhava, limpava a casa, tudo muito bem feito, por isso que um dia desses ele ganhou um prêmio em um evento de Tejuçuoca, como melhor cozinheiro. Meu filho sempre foi bastante dedicado em tudo”, relata com orgulho dona Fátima, mãe de Aury.

Aury concluiu o Ensino Médio em 2012 e no mesmo ano liderou um evento religioso da Pastoral da Juventude. O evento foi sua primeira ação com outros jovens de Riacho das Pedras e um marco em sua vida. Concluído o Ensino Médio e sem obter êxito no vestibular, logo viu a necessidade de trabalhar, recebendo diversos convites para ir morar na capital do Estado.

“Apesar de receber propostas para ir trabalhar fora, como alguns amigos também receberam e foram, eu preferi ficar. Meu desejo era continuar na comunidade e investir em algo. Me aproximei mais da pastoral e da comunidade. Surgiram tantas ideias, reabrir associações, fazer faculdade, abrir algum negócio, mas não tinha condições financeiras e nem conhecimento de como colocaria em prática”, conta o jovem.

Em 2014, Aury trabalhou em uma loja na sede do município e após um ano percebeu que precisava realizar outros projetos em sua vida. “Essa experiência serviu para fortalecer minha vontade de empreender e aplicar aspirações que até então estavam só na minha cabeça. Me afastei de vez do trabalho e comecei a buscar novas oportunidades para aprender e investir” afirma.

Na busca por conhecimento, Aury soube do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) da Adel, por meio da Secretaria de Agricultura de Tejuçuoca, e, logo se inscreveu. “Quando ouvi falar do Programa não o conhecia e nem a Adel, pesquisei sobre eles e fiquei bastante interessado em participar”. Aury conta que a formação empreendedora lhe proporcionou não só novos conhecimentos e ideias, mas lhe fez enxergar as oportunidades do território.

No PJER, ele elaborou um projeto de negócio voltado para a horticultura, mas devido ao período de estiagem, desde 2018 começou a investir na avicultura. Comprou algumas aves e passou a vendê-las vivas e abatidas. No mesmo ano, Aury construiu um novo galinheiro e agora planeja investir na produção de ovos caipira.

Aury ao lado de sua namorada, Hellen, e sua mãe, Fátima

Além de se dedicar ao seu empreendimento, principal renda familiar, ele atua na Pastoral da Juventude e planeja expandir seu negócio e continuar com os projetos sociais na comunidade. “Estou buscando novos financiamentos para investir no meu empreendimento, mas pretendo também ingressar na faculdade, atuar no Conselho Tutelar de Tejuçuoca e continuar os projetos com as crianças e jovens no Riacho. Quero ajudar todas as crianças locais”.

Aury espera que seu empreendimento esteja consolidado nos próximos anos e que ele possa seguir contribuindo com o desenvolvimento de sua comunidade. Sonha em cursar sua faculdade para adquirir novos conhecimentos e aprimorar suas atividades.

PJER Diversidade encerra ciclo de formação

Os jovens participaram de oficinas sobre diversos temas, tais como empreendedorismo, desenvolvimento local e educação financeira

A Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) encerra na próxima sexta (5), em Pentecoste (CE), a etapa de formação do Projeto Diversidade e Empreendedorismo de Jovens Rurais. Será realizado um Seminário sobre resiliência, protagonismo e desenvolvimento local.

A etapa de formação do Projeto Diversidade e Empreendedorismo de Jovens Rurais iniciou em abril, em Pentecoste, e apoia 25 jovens LGBT+ de cinco municípios do território: Apuiarés, Paracuru, Pentecoste, São Gonçalo do Amarante e Tejuçuoca. Os jovens têm idade entre 18 e 32 anos, ensino médio concluído e buscam apoio para empreenderem em suas comunidades. Dentre as ideias de projetos de negócio elaboradas ao longo da formação estão: hamburgueria, cafeteria, produtos artesanais, vestuário, salão de beleza e confeitaria.

O Seminário marca a conclusão do curso Empreendedorismo e Protagonismo Social, que proporcionou aos jovens a oportunidade de elaborar e amadurecer suas ideias de empreendimentos, tendo em vista a realidade local, suas competências e vocações. O curso contou com oficinas sobre diversos temas, tais como empreendedorismo, desenvolvimento local, educação financeira e comunicação e marketing.

 

Aurigele Alves, Diretora de Programas da Adel, reforça que essa é apenas a primeira etapa do PJER Diversidade. Após encerrarem a Formação, os jovens LGBT+ poderão encaminhar seus Projetos de Negócio para o Fundo Veredas e acessar um recurso financeiro para iniciar seu negócio. O crédito é uma forma concreta de fomentar as ideias dos jovens e permitir que saiam do papel e tomem forma, para que venha de fato ser uma oportunidade de inclusão socioprodutiva da população LGBT+ no território.

“Estamos felizes de chegar ao final desse processo e percebê-los mais motivados, encorajados e determinados a seguirem na jornada do empreendedorismo, acreditando na possibilidade de mudança em suas trajetórias de vida. Nós seguiremos juntxs no apoio e na implementação dos projetos desses jovens por todo o território de abrangência do projeto”, afirma Aurigele.

Sobre o Projeto
O Projeto Diversidade e Empreendedorismo de Jovens Rurais trata-se de estratégia de fomento ao desenvolvimento de empreendimentos de negócios e de impacto socioambiental em meio rural, no contexto do semiárido do Nordeste brasileiro, aliando o acesso dos jovens beneficiados a conhecimentos, crédito, redes colaborativas e tecnologias. No cenário de forte hostilidade em que jovens LGBT+ estão inseridos, a aliança entre empreendedorismo e protagonismo social cria alternativas reais de trajetórias para mobilidade social positiva e garantia de liberdades fundamentais.

Este Projeto, ação que integra as estratégias de atuação do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) desenvolvido há 10 anos pela Adel, é fruto do edital nacional LGBT + Orgulho que visa incentivar o desenvolvimento de iniciativas que auxiliem e estimulem a visibilidade, segurança e respeito às pessoas LGBT+, com apoio institucional do Itaú e a consultoria Mais Diversidade.

Inscrições abertas para o Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER)

 

Neste segundo semestre, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) inicia mais uma turma do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER). As inscrições estão abertas até o dia 10 de julho e podem participar da seleção jovens com idade entre 18 e 32 anos, que tenham concluído o Ensino Médio e residam em Apuiarés, Caucaia, General Sampaio, Paracuru, Pentecoste, São Gonçalo do Amarante, São Luis do Curu, Tejuçuoca ou Umirim.

Trinta (30) jovens que busquem apoio para empreender e conseguirem uma inclusão socioprodutiva em suas comunidades e municípios serão selecionados para o curso de Empreendedorismo e Protagonismo Social. As inscrições e o curso são gratuitos e a formação será realizada no município de Pentecoste/CE, com o início das atividades previsto para o dia 5 de agosto.

Os interessados podem preencher a ficha de inscrição on-line (https://forms.gle/k4crBiQfaw3yhQBk6), ou realizar a inscrição na sede da Adel (Rua Francisco Nunes, 318, Acampamento). A equipe responsável pela operacionalização do Programa estará realizando visitas nos demais municípios atendidos, onde também serão deixadas fichas impressas.

O curso reúne informações e ferramentas que auxiliarão os jovens na elaboração de seus projetos de negócio, tanto com fins econômicos ou sociais. O Projeto de Negócio é imprescindível para acessar os demais componentes do Programa que permitirão a implementação de suas ideias.

Após o Curso e com o Projeto de Negócio em mãos, os jovens podem acessar recursos financeiros no Fundo Veredas, que integra o componente crédito orientado do PJER. Esse componente é considerado primordial, pois sem recursos financeiros e assessoria, os jovens dificilmente conseguem realizar experiências exitosas.

O Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER)

O Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER) foi criado pela Adel em 2009. Consiste na aliança entre quatro (4) componentes: acesso a conhecimento, crédito orientado, apoio no fortalecimento organizativo e acesso às tecnologias de informação e comunicação. Mais de 3000 jovens empreendedores já foram apoiados pelo Programa e cerca de 90% desses jovens permanecem em suas comunidades. No primeiro semestre de 2019 o Programa iniciou o Projeto Diversidade e Empreendedorismo de Jovens Rurais, que apoia 25 jovens LGBT+ do território. Ainda este ano, o PJER também consolida seu processo de expansão para o Amazonas.

Seminário Todxs Podem Empreender

José Carlos Lázaro (UFC), Gláucio Gomes (Adel), Emanuelly Oliveira (Social Brasilis), Gerson Pacheco (ChildFund) e Daiane Mulling (Unifor), da esquerda para a direita. Foto: Lia de Paula

Na última terça-feira (4), a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) e o ChildFund Brasil realizaram o Seminário Todxs Podem Empreender: Empreendedorismo e Protagonismo de Adolescentes e Jovens em situação de resiliência, no Teatro Celina Queiroz da Universidade de Fortaleza (Unifor), em Fortaleza/CE.

No Seminário, as instituições lançaram o livro Todxs Podem Empreender: Empreendedorismo e Protagonismo para Adolescentes e Jovens que reúne histórias de jovens empreendedores integrantes do Programa Jovem Empreendedores Rurais (PJER) da Adel, além de conceitos e saberes importantes para que adolescentes e jovens possam empreender e serem protagonistas de suas histórias de vida.

O evento iniciou com a apresentação cultural das crianças do Coral do Projeto Criança Feliz, uma iniciativa apoiada pelo ChildFund Brasil e que atua nas comunidades do Jardim Iracema e Padre Andrade localizada a oeste de Fortaleza. Logo após a apresentação, o Professor Josimar Costa, Coordenador do Curso de Administração da Unifor; junto com Gerson Pacheco, Diretor do ChildFund Brasil; e, Adriano Batista, Cofundador e Diretor Executivo da Adel, abriram oficialmente o evento evidenciando a importância do empreendedorismo e protagonismo de adolescentes e jovens para promoção do desenvolvimento local.

Palestrantes locais e nacionais estiveram debatendo sobre os desafios, as oportunidades, as tendências, as práticas e soluções já em experiência ou consolidadas no Brasil hoje que influenciam as escolhas e as possibilidades para que adolescentes e jovens possam inovar, empreender e protagonizar mudanças para o desenvolvimento de suas comunidades.

A Professora Dra. Daiane Mulling da Unifor, estava mediando o primeiro Painel, cujo tema foi Empreendedorismo e inovação social por jovens e adolescentes no atual contexto brasileiro. Ela instigou os demais painelistas a trazerem casos de sucesso, histórias de vidas que têm comprovado que nem só os grandes centros urbanos são sinal de oportunidades, nem o rural é lugar só de escassez e pobreza.

Gláucio Gomes, Diretor de Desenvolvimento da Adel, remeteu-se a história de fundação da própria organização. “A Adel é o maior exemplo que eu posso contar de um caso de sucesso, de empreendedorismo e protagonismo de pessoas que se mantêm mobilizadas até hoje, de oito jovens que tiveram a oportunidade de cursar a universidade e decidiram retornar para contribuir com desenvolvimento de suas comunidades”, destacou.

Para Gerson Pacheco, Diretor do ChildFund Brasil, os jovens precisam de visão, precisam acreditar nos sonhos e nas possibilidades. “Nós precisamos absorver a era do conhecimento, sair da zona de conforto, eventos como esse mexem com o nosso interior e nos movem para um futuro que já está aí e não devemos temer. O Brasil é um terreno fértil, abracem as oportunidades”, reforçou.

Para o Professor Dr. José Carlos da UFC e Emanuelly Oliveira, Fundadora e Diretora Executiva do Social Brasilis, a educação é um conceito chave para o empreendedorismo e para a vivência do futuro que já está chegando. Entender o novo mundo, a internet das coisas, o poder das conexões. Analisar a teoria é fundamental para o sucesso da prática. É preciso desenvolver nas pessoas competências para o uso das tecnologias digitais, mostrar como é possível utilizar essas ferramentas para gerar impacto social positivo.

Tião Rocha (CPCD), Helena Singer (Ashoka), Rogers Mendes (SEDUC/CE), Sabrina Santos (PJER) e Maristela Crispim (Eco Nordeste), da esquerda para a direita. Foto: Lia de Paula

Adentrando o tema educação e aprofundando o debate, veio o segundo Painel, Educação para o empreendedorismo e protagonismo de adolescentes e jovens em situação de resiliência, mediado pela jornalista Maristela Crispim, idealizadora da Agência Eco Nordeste. A mediadora abriu o momento reforçando que é possível sim ter esperança de desenvolvimento no semiárido, que jovens podem se manter produtivos em suas comunidades.

Nessa perspectiva, a jovem Sabrina Santos, integrante do Programa Jovem Empreendedor Rural da Adel e idealizadora da floricultura Flor do Sertão, contou sobre sua trajetória como empreendedora e como driblou as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho. Com apoio, acesso a conhecimento e resiliência foi possível enxergar as oportunidades no território.

O Secretário Executivo do Ensino Médio e Profissional da Secretaria da Educação do Estado do Ceará (SEDUC/CE), Rogers Mendes, trouxe um pouco da perspectiva futura para a educação em instituições formais de ensino. Instigou os participantes a pensarem como a escola pode interagir e fortalecer o empreendedorismo e reforçou que é preciso inverter um pouco a lógica da sala de aula. Sair de educação estática, de um modelo arcaico e defasado, onde só o professor fala e os estudantes escutam.

“Precisamos pensar a ideia de uma escola de negócios, um ambiente para formação e compartilhamento de ideias, serviços inteligentes, criativos, fora daquilo que está no escopo tradicional, para que os jovens consigam exercitar o empreendedorismo e o protagonismo. Transformar a escola em um celeiro de preparação e estímulo para que as pessoas vivenciem conceitos e não apenas aprendam para replicar num futuro distante”, discutiu Rogers.

Helana Singer, Líder da Estratégia de Juventude na Ashoka América Latina, reforçou a importância de se pensar uma nova educação. “Toda escola pode ser um celeiro para a transformação social, por uma nova educação. A escola não está formando mais pessoas produtivas e eficientes para o novo mundo, esse novo mundo que funciona numa lógica muito mais da colaboração, da criação. As pessoas precisam aprender a lidar com estruturas que são fluídas. Para esse novo mundo a gente precisa da empatia, precisamos reconhecer o lugar do outro, inclusive com quem pensa diferente e está num lugar diferente. Para que o bem comum seja para todos e não só para alguns”, destacou.

Na perspectiva de uma nova educação, foi apresentada a breve história de fundação do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD), organização não governamental criada em Minas Gerais que atua nas áreas de educação popular e desenvolvimento comunitário sustentável. O Centro foi idealizado por Tião Rocha, Antropólogo, Educador Popular e Empreendedor Social. Tião enfatizou que para ser educador é preciso fazer perguntas e desaprender. Seus primeiros questionamentos ao iniciar o CPCD foram sobre a possibilidade de pensar a educação sem escola e onde era possível encontrar educadores.

“Educação e escolarização são diferentes, educação é algo que só acontece no plural, é necessário no mínimo duas pessoas. Educação é o que eles trocam, os aprendizados diferentes que se cruzam, é possível fazer educação em qualquer lugar, mas precisamos dos bons educadores e eles não estão sendo formados pelas universidades”, destacou.

Tião finalizou sua fala afirmando que o jovem precisa pensar no futuro, ser ousado, ter sonhos, pensar diferente do mundo que ele vive. Ele acredita que é preciso driblar o vazio do sentido da humanidade, dos jovens que se sentem invisíveis. Para isso se faz necessário o empoderamento, que segundo ele, é potência. “É preciso olhar o lado cheio do copo, que mede a capacidade de aprendizado, de talentos, convocar esses jovens para uma causa. Canalizar as energias para algo que seja transformador. Incentivar as pessoas a construírem juntas um lugar que seja bom para todos”.

O Seminário culminou com a realização do Coquetel de lançamento do Livro Todxs Podem Empreender: Empreendedorismo e Protagonismo para Adolescentes e Jovens, uma estratégia do ChildFund Brasil e da Adel para apoiar o desenvolvimento de adolescentes e jovens em contextos de resiliência em todo o Brasil, através da promoção do empreendedorismo e do protagonismo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

O Seminário Todxs Podem Empreender: Empreendedorismo e Protagonismo de adolescentes e jovens em situação de resiliência foi um evento de caráter nacional, promovido pela Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) em parceria com o ChilFund Brasil, e, apoio da Universidade de Fortaleza (Unifor) e da Universidade Federal do Ceará (UFC) por meio do Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade (FEAAC).

Meliponicultores contribuem para a preservação ambiental

Everardo Alves, Meliponicultor de Lagoa das Pedras, Apuiarés (CE)

Hoje, 05 de junho, é o Dia Mundial do Meio Ambiente e a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) acredita que o compartilhamento de experiências positivas, sejam de pequeno ou grande porte, que contribuem direta ou indiretamente para o desenvolvimento sustentável e ambiental do planeta, são de grande valia na luta por uma convivência mais responsável e consciente, tendo em vista a realidade atual de consumo das populações ao redor do globo.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), é preciso estar atento a pontos como descarte inadequado do lixo, ausência de coleta seletiva e projetos de reciclagem, consumo exacerbado de recursos naturais, desmatamento, má utilização dos recursos hídricos e esgotamento do solo.

No semiárido cearense, um grupo de meliponicultores está fazendo o caminho inverso da prática de consumo dos grandes centros urbanos. A Rede Néctar do Sertão congrega produtores de diversas comunidades rurais dos municípios de Apuiarés e Pentecoste que veem na Meliponicultura uma ação social e econômica, mas principalmente uma oportunidade de preservação ambiental e valorização do bioma Caatinga.

Em Lagoa das Pedras, comunidade do município de Apuiarés (CE), os meliponicultores são responsáveis por uma reserva ambiental com cerca de 100m², onde foram plantadas diversas espécies nativas da Caatinga, tais como aroeira, angico e pau d’arco, também conhecido como ipê. As espécies foram estrategicamente pensadas pela afinidade que têm com a abelha nativa, jandaíra, que é bem seletiva, segundo os produtores.

A reserva envolve o Meliponário Modelo da comunidade, um espaço de produção, aprendizagens e trocas de conhecimentos. Como os meliponicultores estão organizados em Rede, é possível gerir de maneira sustentável e colaborativa o espaço, o que consequentemente fortalece a atividade no território. Segundo o Manual Tecnológico Mel de Abelhas sem Ferrão do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), é chamado de meliponário o local onde são instaladas as colmeias de meliponíneos, tendo como principais objetivos dar conforto para as abelhas e facilitar o trabalho do meliponicultor.

Caixa para criação de abelhas

Everardo Alves, meliponicultor da Rede Néctar do Sertão e um dos gestores do local, conta que o meliponário tem impacto positivo para quem cria e pesquisa sobre as abelhas. “Estou muito satisfeito em compartilhar minhas experiências e ensinamentos com a criação de abelhas e por exercer uma atividade que preserva o meio ambiente”, reforça.

Com 30 caixas povoadas com as melhores abelhas para replicação de novas colmeias, o principal intuito da iniciativa é atender os produtores locais e realizar estudos sobre a meliponicultura, fortalecer a produção de mel e utilizar as abelhas para polinização de plantas nativas e agrícolas, com foco na preservação, conservação e promoção do desenvolvimento sustentável.

Sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente

O Dia Mundial do Meio Ambiente comemora-se anualmente todo dia 5 de junho. Foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo. Um dos objetivos principais deste dia é alertar toda a população humana para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais. Tendo em vista o esgotamento desses recursos, acarretado pelo consumo desenfreado dos seres humanos.

A data propõe uma mudança no modo de ver e tratar as questões ambientais ao redor do mundo, além de serem estabelecidos princípios para orientar a política ambiental em todo o planeta. Apesar do grande avanço que a Conferência representou, ainda há muito o que se discutir e avançar na luta pela saúde do planeta.