Bovinocultores são beneficiados com Unidades de Referência para fortalecer a cadeia produtiva no Ceará

Nos dias 26 e 28 de abril de 2022 realizamos os eventos de inauguração de duas Unidades de Referência de Bovinocultura Leiteira em dois territórios do Ceará (Médio e Baixo Jaguaribe e na região de Sobral), uma ação do Projeto Estruturação da Cadeia Produtiva do Leite que realizamos em parceria com o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), por meio do Programa de Desenvolvimento Territorial (PRODETER). O encontro também marcou o encerramento do Projeto.

O primeiro evento de inauguração aconteceu na própria Unidade de Referência de Bovinocultura Leiteira, localizada no Sítio São Bento, em São João do Jaguaribe, Ceará. A inauguração da segunda unidade aconteceu no Assentamento Tanques, no município de Santana do Acaraú, região metropolitana de Sobral.

Contamos com mais de 100 participantes nas duas ocasiões. Além da nossa equipe, estiveram representantes do BNB, das associações e secretarias locais e bovinocultores (as) dos nove municípios atendidos de ambos os territórios. Apresentamos para os participantes, durante as duas ocasiões, o percurso trilhado na execução do Projeto Estruturação da Cadeia Produtiva do Leite nos territórios rurais de Sobral e de Baixo e Médio Jaguaribe. Compartilhamos também os principais resultados conquistados durante a execução da iniciativa.

Umas das últimas ações realizadas foram minicursos sobre temas cruciais para o desenvolvimento dessa cadeia produtiva. Tendo grande destaque o minicurso Produção de Volumosos, Manejo de Pastagem e Reserva Alimentar Estratégica, que além da nossa parceria com BNB, contou com a colaboração do IFCE (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará) e UFC (Universidade Federal do Ceará), por meio do Núcleo de Ensino e Estudos em Forragicultura (NEEF) do Centro de Ciências Agrárias (CCA).

Para Adriano Ferreira, 37, produtor de leite beneficiado pelo Projeto no município Miraíma (CE), a iniciativa possibilitou acesso a novos conhecimentos e tecnologias. “Esse projeto da Adel e BNB nos oportunizou com conhecimentos, capacitações e intercâmbios que vieram para melhorar nosso desenvolvimento, focado na bovinocultura leiteira. Também tivemos acesso a novas tecnologias, ferramentas, como a ensiladeira, que irão nos ajudar ainda mais nas nossas produções”, afirma o também agricultor.

“Quero muito parabenizar e agradecer a Adel por essa parceria com o Banco do Nordeste, especificamente nos dois primeiros territórios do PRODETER aqui no Ceará. A Adel chegou para somar pelo seu trabalho, pelo seu comprometimento e disponibilidade para com os produtores do campo”, afirma Jeania Gomes, Gerente Executiva Estadual do BNB.

Jeania Gomes, Gerente Executiva Estadual do BNB, em pé durante sua fala.

Sobre o Projeto

O Projeto contemplou uma série de ações de capacitação, assessoria técnica, gerencial e difusão de tecnologias e soluções social, ambiental, técnica e economicamente viáveis para promover a estruturação da cadeia produtiva de leite nos territórios rurais de Sobral e Baixo e Médio Jaguaribe.

A iniciativa, que começou em 2019, seguiu com capacitações este ano. Ela possibilitou o aumento da produtividade e da rentabilidade na atividade de bovinocultura do leite. Foram quase 50 comunidades beneficiadas, de 9 municípios dos dois territórios. Finalizamos a ação com 157 Planos de Negócios elaborados, 38 minicursos realizados e mais de 500 horas de assessoria técnica.

Fortalecimento da Cadeia Produtiva do Mel

Os produtores de mel buscam conservar a Caatinga e criar uma rota de mel no território.

Desde 2015, nós apoiamos os criadores (as) de abelhas da Rede Néctar do Sertão, iniciativa que busca conservar a Caatinga e fortalecer a produção local. A Rede Néctar do Sertão reúne produtores rurais dos municípios de Apuiarés, Pentecoste e Tejuçuoca no Ceará. Estes criadores(as) de abelhas enxergam a ameaça de extinção das espécies e o grande potencial do inseto e do território.

Os meliponicultores costumam preservar e restaurar os ecossistemas locais para que as abelhas nativas brasileiras possam se reproduzir em um habitat saudável. Um exemplo de espécie natural e endêmica, ou seja, exclusiva do bioma Caatinga, é a Jandaíra (Melipona subnitida). Ela poliniza cerca de 30% a 60% das plantas da Caatinga, também do Pantanal e parte da Mata Atlântica. Na Caatinga existem cerca de 30 espécies de abelhas endêmicas. Elas possuem um habitat único e características diferentes das demais. Possuem o ferrão atrofiado, são menores e mais escuras, variando entre tons de marrom e preto.

Atividade prática com meliponicultores da Rede Néctar na comunidade Lagoa das Pedras, em Apuiarés (CE).

Através da polinização, o pequeno inseto ajuda a manter a flora do bioma, visto que poliniza apenas espécies vegetais nativas. Seu mel é considerado mais nutritivo que o comum e possui aplicações medicinais. Apesar de toda a importância, a espécie Jandaíra está ameaçada. Estima-se que aproximadamente um terço dela esteja em extinção.

Os (as) produtores (as) da comunidade Lagoa das Pedras, do município de Apuiarés (CE), são responsáveis por uma reserva ambiental com cerca de 100m², onde foram plantadas diversas espécies nativas da Caatinga, tais como aroeira, angico e pau d’arco, também conhecido como ipê. As espécies foram estrategicamente pensadas pela afinidade que têm com a abelha nativa, jandaíra. Graças a rede criada, os meliponicultores mantém o espaço de maneira sustentável e colaborativa.

Segundo a nossa Diretora de Programas, Aurigele Alves, para a criação da Rede Néctar do Sertão foi preciso organização e engajamento por parte dos produtores. “Nós apoiamos o protagonismo e o empreendedorismo de produtores de comunidades rurais do Nordeste e promovemos a sustentabilidade por meio da valorização cultural. Com os produtores de mel, atuamos por meio da ampliação de capacidades, acesso a crédito e na cooperação entre protagonistas locais”, ressalta.

Nossas atividades com a Rede Néctar do Sertão incluem assessorias, pesquisa, estudo e encontros para fortalecer os vínculos entre os participantes. No último mês, realizamos junto com a Rede Néctar e a Associação Cearense de Meliponicultores (ACMEL) um intercâmbio de conhecimentos entre os integrantes da Rede. Participaram do encontro membros da Adel, representantes da Associação Cearense de Meliponicultores (ACMEL), das Secretarias Municipais de Agricultura de Pentecoste e de Apuiarés, lideranças comunitárias e produtores rurais de mais de dez comunidades da região.

Meliponário Modelo da Rede Néctar, comunidade Lagoa das Pedras, em Apuiarés (CE).

O Intercâmbio da Rede Néctar do Sertão aconteceu no Meliponário Modelo da Rede Néctar, na comunidade Lagoa das Pedras, em Apuiarés. Serviu para articular a participação social e institucional do grupo em um Arranjo Produtivo Local para fortalecer a Cadeia do Mel na região do Vale do Curu (CE) e pensar na estruturação da rota do mel no território. O poder legislativo e executivo do Ceará publicaram e sancionaram este ano a Lei Nº 17.896 DE 11/01/2022, que dispõe sobre a criação, o manejo, o comércio e o transporte de abelhas sem ferrão no Estado do Ceará, uma grande conquista para essa cadeia produtiva que até então não tinha prerrogativas legais que encetavam respaldo aos meliponicultores.

Contudo, para os produtores comercializarem sua produção, é preciso de mais. Hoje, 20 de maio, no Dia Mundial das Abelhas, às 19h, vamos realizar junto com a ACMEL no nosso canal no YouTube um debate com os produtores de mel para tratar sobre a emissão do Decreto Estadual para regulamentar a lei aprovada e a publicação do Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ). Somente com a articulação dos produtores e esse decreto o mel de abelha-sem-ferrão no estado do Ceará, terá a definição de aspectos de rotulagem, qualidade e segurança sanitária, passando a viabilizar a certificação por selos de inspeção de alimentos de origem animal (SIF, SIE e SIM) dos méis, e portanto, abrindo mercados para sua comercialização. Acesse a live abaixo.

 

Oficina de Fotografia de Aves na Bacia Potiguar

Jovens de 18 a 29 anos que residam nos municípios de Guamaré, Galinhos e Diogo Lopes, no Rio Grande do Norte serão priorizados.

Entre os meses de maio e junho de 2022, vamos realizar junto com a SAVE Brasil a Oficina de Fotografia de Aves com jovens da Bacia Potiguar. Os participantes serão dos municípios de Guamaré, Galinhos e Diogo Lopes, áreas de influência direta do projeto Flyways Brasil realizado pela SAVE Brasil em parceria com o Instituto Neoenergia. As oficinas serão ministradas pelos profissionais da nossa equipe de comunicação e integram as ações de engajamento comunitário na região.

A Oficina de Fotografia de Aves busca promover a qualificação dos participantes aos conceitos básicos da fotografia, a partir da exploração dos recursos disponíveis em aparelhos smartphones. A formação é gratuita, com carga horária total de 12 horas, acontecendo em formato híbrido, sendo 8h presenciais e 4 horas online, com direito a certificado.

O conteúdo programático inclui os seguintes temas: introdução à fotografia, evolução das câmeras, explorando os recursos do celular, composição fotográfica, enquadramento e regras básicas, a importância da fotografia de aves e fotografia ambiental. Após o momento teórico, acontecem as atividades práticas de fotografia e saída para observação de aves.

Serão ofertadas 30 vagas para cada oficina e as inscrições estarão abertas através dos links disponíveis na bio do Instagram do Programa Aves Limícolas (@aveslimicolas). As inscrições para a primeira oficina, que acontece em Guamaré, no próximo sábado, 14, a partir das 9h, seguem abertas, no seguinte link: https://forms.gle/bxB5xkSG3nshtxKV9

A oficina em Guamaré será no Centro de Convenções da cidade com apoio da Prefeitura de Guamaré através da Secretaria de Meio Ambiente.

Sobre a SAVE Brasil e o Projeto Flyways Brasil

Há 17 anos a SAVE Brasil elabora e implementa estratégias para a conservação de aves brasileiras na natureza. As atividades são realizadas sempre em rede, junto com organizações locais e nacionais, órgãos governamentais, pesquisadores, comunidades e pessoas. Dessa forma, a SAVE Brasil atua em todo o Brasil com mais de dez projetos de conservação da biodiversidade com foco em espécies de aves ameaçadas de extinção.

No Rio Grande do Norte, a organização realiza desde 2015, o Projeto Flyways Brasil em parceria com o Instituto Neoenergia. A iniciativa busca assegurar localmente a conservação das aves e de seus habitats, contribuindo para a conservação das espécies em nível hemisférico. As ações do Flyways Brasil acontecem nos municípios de Guamaré, Galinhos e Diogo Lopes.

Nos últimos anos, elaboramos junto com a equipe da SAVE Brasil um Plano Estratégico de Comunicação do Flyways e realizamos assessorias e consultorias especializadas em gestão e comunicação para a equipe que atua no projeto. Também ministramos oficinas de Comunicação Digital e produzimos conteúdos sobre as ações realizadas para aproximar e informar a população local sobre a existência das aves limícolas migratórias na região e a importância de colaborar com a conservação das espécies, sobretudo, as que se encontram ameaçadas de extinção.

Jovens de São Gonçalo do Amarante participam do último ciclo formativo do PJER

Esta semana aconteceu o último ciclo formativo do Curso Protagonismo e Empreendedorismo de Negócios e de Impacto Socioambiental, que faz parte das ações do nosso Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER), realizadas com jovens de São Gonçalo do Amarante (CE).

Entre os dias 3 e 5 de maio, realizamos oficinas sobre Planejamento Financeiro, Marketing Digital, Mídias Sociais, Liderança e Oratória. Nessa fase da formação, a turma é apresentada ao Fundo Veredas, nossa estratégia de microcrédito voltada exclusivamente para jovens empreendedores rurais.

A programação desta semana focou na finalização do conteúdo programático do Curso e em preparar os jovens para apresentarem seus Projetos de Negócios para a banca de avaliação, que deve acontecer ainda esse mês. O propósito da banca é apoiar as ideias e apontar melhorias para os projetos.

Rebeca Teixeira, 28, que reside em Taíba e tem uma loja virtual chamada Body Store Suplementos, afirma que o Curso foi uma grande oportunidade para o seu negócio. “Tenho uma loja online de suplementos há quase um ano. esse curso me ajudou muito a ampliar meus conhecimentos em relação ao empreendedorismo, é uma grande oportunidade para jovens empreendedoras como eu, que buscam viver de seu negócio. Estou bastante grata por tudo que aprendi até aqui”, reforça.

Tiago Cerqueira, Analista de Projetos da Adel, ministrando oficina de Liderança.

Essa turma do PJER prevê ainda o estímulo para criação e desenvolvimento de Arranjos Produtivos Locais (APLs) por parte dos jovens das comunidades rurais, de modo a inserir seus empreendimentos e suas atividades em cadeias de valor da região. Essa turma se destaca por ser composta majoritariamente por mulheres que buscam estruturar melhor seus empreendimentos, gerar mais renda e sustentabilidade para suas famílias.

“Foi uma grande satisfação participar dos ciclos formativos com os jovens empreendedores de São Gonçalo do Amarante. Durante as oficinas, a gente percebe o interesse e o entusiasmo da turma nessa etapa final de elaboração de seus projetos. Acredito que o Curso foi uma oportunidade bastante significativa para a juventude local”, afirma Tiago Cerqueira, nosso Analista de Projetos.

Essa turma conta com apoio do CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) de São Gonçalo do Amarante/CE.

Adel apoia a publicação do segundo livro da jovem Mônica Mota

Escritora Mônica Mota

Após três anos do lançamento de “Tom, Elis e Chico“, a jovem Mônica Mota, 24, lança seu segundo livro infantil, “Menino Bernardo”. O lançamento será nesta quinta-feira (5/5), às 15h30, na Assembleia Legislativa do Ceará. A publicação reforça o combate ao abuso e exploração sexual infantil, principalmente de crianças com deficiência.

“Menino Bernardo” foi inspirado em um diálogo com o pequeno Vinícius, filho de amigos da escritora, “um menino inspirador”, portador de Mielomeningocele, uma má formação neural que causou lesões nervosas que o levaram à paraplegia e à hidrocefalia. A obra é fruto de um financiamento da Visão Mundial e conta com o nosso apoio.

Capa do livro “Menino Bernardo”.

Mônica é natural de Pentecoste, município sede da nossa organização. Ela é filha de agricultores, neta de professora, estudou a vida inteira em escola pública do campo. Quando criança, foi vítima de abuso sexual dos 6 aos 12 anos e com a ajuda de um professor superou traumas e dificuldades da vida no campo. Hoje é ativista no combate à violência sexual infantil.

No seu primeiro livro “Tom, Elis e Chico”, lançado na XII Edição da Bienal Internacional do Livro, em 2019, Mônica tratou de forma lúdica a violência e o abuso sexual contra crianças, tornando-se a primeira cearense a publicar um livro infantil nesse tema.

“Desde 2018 nós acompanhamos o protagonismo da Mônica e apoiar o lançamento do segundo livro dela é muito significativo. Ele é parte de um trabalho maior que ela desenvolve, o projeto #TododiaÉ18deMaio, que ressalta a importância de todo dia combater a violência e o abuso sexual contra crianças. Em “Menino Bernardo”, ela fala com um público que carece de proteção e que seus direitos sejam garantidos, os meninos e PCD’s (Pessoas com Deficiência)”, destaca nossa Diretora de Comunicação, Evilene Abreu.

Sobre a obra

“Menino Bernardo” traz o alerta para a pouca atenção dada às pessoas com deficiência. A proposta de Mônica em sua segunda obra infantil é mostrar que a infância deve ser um espaço seguro, colorido e cheio de brincadeiras. Os adultos precisam assumir a responsabilidade de ouvir e proteger as crianças. No livro, a autora aborda ainda estratégias de autoproteção que podem ser ensinadas aos pequenos.

O livro alerta ainda para a importância do diálogo entre adultos e crianças sobre todos os tipos de agressão. Cita também o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a sua importância na sala de aula, assim como o papel dos adultos de ouvir e não omitir qualquer violência sofrida pela criança, seja ela portadora de alguma deficiência ou não.

Só no Brasil, existem cerca de 45,6 milhões de pessoas que vivem com algum tipo de deficiência. Destas, 3,5 milhões são crianças de até 12 anos de idade. Os dados são de 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) crianças com deficiência têm uma probabilidade de três a quatro vezes mais alta de serem vítimas de violência tendo ainda mais dificuldade de relatarem a violação de direitos que foram expostas.

Qair Brasil e Adel lançam podcast sobre Educação Ambiental na Caatinga, em parceria com a EcoNordeste

Hoje, 28, comemoramos o Dia Nacional da Caatinga, aproveitando essa data tão significativa para nós que atuamos de forma direta nesse bioma, vamos lançar o Podcast Sementes da Caatinga, que produzimos em parceria com a Qair Brasil e a Agência de Conteúdo Eco Nordeste. O lançamento inclui uma live às 18h, no nosso canal do Youtube. Contaremos com a participação da jornalista Maristela Crispim, idealizadora da Eco Nordeste e que esteve atuando de perto na produção do Podcast.

O Sementes da Caatinga é voltado aos professores e às comunidades tradicionais e agricultores familiares do Semiárido brasileiro. Composto por 14 episódios em cinco séries, fala sobre a importância da Educação Ambiental na Caatinga, agroecologia, desenvolvimento local sustentável, segurança alimentar e nutricional, e, as diversas tecnologias socioambientais que podem contribuir para uma convivência harmoniosa com o Semiárido.  Divulgaremos uma série por semana, toda quinta-feira.

A série 1 do Podcast, intitulada Educação Ambiental na Caatinga, já está disponível nos principais agregadores de podcasts. Os interessados nas temáticas podem ouvir o Sementes da Caatinga em seu tocador favorito, como as plataformas de streaming: Spotify, Deezer e Google Podcast.

Sementes da Caatinga

O podcast Sementes da Caatinga é uma iniciativa do Programa de Educação Ambiental (PEA) da Qair Brasil, produtora independente de energia renovável, que visa o desenvolvimento de capacidades por gestores, técnicos, educadores, estudantes, líderes e representantes de instituições da sociedade civil em educação ambiental na perspectiva da convivência com o Semiárido brasileiro.

O Programa de Educação Ambiental da Qair propõe ações de Educação Ambiental junto às famílias da área de influência do Complexo Eólico Afonso Bezerra, nos municípios de Afonso Bezerra e Macau, no estado do Rio Grande do Norte, para aumentar o conhecimento e a conservação do equilíbrio natural local, com a manutenção dos seus benefícios socioambientais.

Para quem vive no Semiárido, preservar a Caatinga é uma questão de sobrevivência, de aprender sobre saberes e práticas tradicionais que foram passadas de geração para geração.

Fortalecimento da cultura quilombola e empoderamento feminino na Paraíba

Roda de conversa “Diálogos sobre gênero: a importância de coletivos femininos negros rurais”, na Escola Municipal Educador Paulo Freire, em Cruz da Menina.

A Adel e a Neoenergia, com apoio do Instituto Neoenergia, realizam desde 2019, por meio do Programa SER – Saúde, Educação e Renda, diversas ações para fortalecer a cultura quilombola e o empoderamento feminino na comunidade Cruz da Menina, localizada no município Dona Inês, na Paraíba.

As atividades do Programa SER na comunidade têm como foco o acesso à água de qualidade para consumo humano e produção; e, a ampliação de capacidades das famílias, sobretudo das mulheres, por meio de ações educativas para promover a cidadania e a geração de trabalho e renda. A iniciativa inclui a construção de um Centro Cultural Quilombola. O espaço busca fortalecer o artesanato, o turismo rural e a culinária local, bem como o empreendedorismo e o protagonismo das mulheres.

São 73 famílias, cerca de 365 pessoas, envolvidas nas atividades do Programa, discutindo e refletindo sobre suas histórias de vida e a atuação dos atores locais para o desenvolvimento local.  Em março, mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher e o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, o Programa SER promoveu junto com a comunidade local um debate sobre gênero e questão racial.

A roda de conversa “Diálogos sobre gênero: a importância de coletivos femininos negros rurais”, aconteceu no dia 31 de março, na Escola Municipal Educador Paulo Freire, em Cruz da Menina. 26 mulheres residentes na Comunidade Quilombola Cruz da Menina participaram da atividade. Foram discutidas questões sobre gênero, raça, saúde, educação, direitos e políticas públicas. Um diálogo aberto para trocas entre as participantes. 

Roda de conversa sobre gênero

A roda de conversa “Diálogos sobre gênero: a importância de coletivos femininos negros rurais” foi conduzida por Andreia Nazareno, 42, mulher negra quilombola da Comunidade Sítio de Grossos, localizada no município de Bom Jesus, Rio Grande do Norte, e, coordenadora da CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), onde faz parte do Coletivo de Mulheres Negras Rurais Quilombolas.

Andreia Nazareno, coordenadora da CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas).

Andreia iniciou a atividade com a leitura do poema “Cabelos” do escritor quilombola Antônio Bispo. Em seguida, ela falou da sua trajetória de luta e militância nos movimentos sociais e na conquista de direitos das pessoas quilombolas. Mãe solo de 4 filhos, bacharel em Gestão de Cooperativas e especialista em Gestão Territorial e Economia Solidária pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Andreia sabe bem o quanto é importante conhecer e estudar a própria cultura, enfrentar o racismo e o sexismo, e se envolver em questões voltadas ao território.

Para Andreia, a troca de conhecimentos e vivências como estas promovidas pelo Programa SER é uma oportunidade de despertar o interesse das mulheres para a formação de instâncias participativas locais e valorização da sua cultura. “É um momento único, onde cada quilombo tem suas especialidades, seus saberes, sua cultura. Fico feliz em trocar nossas vivências de mulheres negras quilombolas”, enfatiza.

As mulheres da comunidade receberam a proposta da ação com bastante entusiasmo, o que se refletiu ao longo da realização do momento, com muita troca e interação entre as participantes. É urgente a realização de debates com essa pauta, as discussões sobre gênero, questões raciais e diversidade precisam ser fortalecidas e isso se comprovou na fala das várias mulheres e lideranças presentes na atividade, que relataram retrocessos com relação a políticas públicas, direitos e o enfraquecimento das redes e coletivos.

Para D. Socorro, 63, que se diz nascida e criada no território Quilombola de Cruz da Menina, a realização da atividade é um motivo de orgulho. “Aprendi muito e desejo que venham mais conversas, mais palestras, mais coisa boa para nossa comunidade”, reforça. Bianca Cristina, 38, presidente da Associação Comunitária de Cruz da Menina e representante dos quilombos da Paraíba, relata que os temas abordados foram importantíssimos, principalmente questões políticas. “É necessário que nós mulheres ocupemos esses espaços, onde há uma maioria de homens brancos e aristocratas que excluem as minorias e fazem a velha política assistencialista”, destaca.

Grupo de dança Oxumarê

Para encerrar a atividade, houve a apresentação de percussão e dança maculelê do grupo Oxumarê, criado em 2004 e composto apenas por mulheres negras de Cruz da Menina. 

Cooperação entre mulheres rurais gera renda por meio do artesanato no Rio Grande do Norte

Nossa atuação no Rio Grande do Norte tem contribuído diretamente para a geração de renda de dezenas de famílias do interior potiguar. Desde 2020, realizamos diversas ações do Programa EDP Renováveis Rural e do Programa de Comunicação Social implementados pela EDP Renováveis, nos municípios de Touros, Cerro Corá e São Tomé.

As atividades do Programa EDP Renováveis Rural incluem a capacitação técnica e gerencial das famílias para implantação, operação e gestão de soluções de convivência com o Semiárido. Participam do Programa 124 famílias (492 pessoas), de 6 comunidades, no município de Touros (RN). Na comunidade Chico Mendes II, um grupo de mulheres tem se destacado. Lideradas pela artesã Maria do Nascimento, conhecida como D. Nena, 64, que iniciou o grupo há alguns anos quando passou a residir na comunidade, elas fazem da paixão pelo bordado uma fonte de ocupação e renda.

“Antes de vir para essa comunidade eu já trabalhava com bordado, eu fazia e meu esposo vendia. Compartilhei minha experiência com as outras mulheres daqui e fui dividindo meus conhecimentos. Eu vi que aqui as mulheres não tinham outra atividade a não ser a agricultura. Aí comecei a incentivá-las a buscar outras ocupações. Começamos a bordar, fazer artesanato juntas, como o macramê, vagonite e o ponto cruz”, afirma D. Nena.

D. Nena em pé acompanhando o grupo de mulheres.

A artesã revela que foram muitas dificuldades enfrentadas. Começar uma atividade por conta própria requer grandes desafios. Aos poucos, o grupo foi sendo apoiado por empresas privadas, o que proporcionou a realização de cursos na comunidade para fortalecer o artesanato local. Mas a adesão das moradoras ainda era pequena. Após uma pausa nas atividades pela falta de insumos, o grupo voltou à ativa com a doação de novos equipamentos feita por meio do Programa da EDP. “O bordado é uma fonte de renda para as mulheres da comunidade. Foi um incentivo muito grande a gente ter recebido esses equipamentos e materiais. Aqui a gente não tem área de lazer, não tem uma praça, então esse trabalho nos ajuda a ter uma renda extra e ocupação para o grupo, pois bordamos e nos divertimos aqui”, enfatiza D. Nena.

O protagonismo de D. Nena foi essencial, ela abriu as portas de casa para o grupo e organizou um espaço na garagem para recebê-las. Com mesas, cadeiras, máquinas, tecidos e agulhas, o espaço particular de D. Nena ganhou cor e alegria. “Eu gosto muito de recebê-las na minha casa, é sempre divertido, a gente conversa bastante, mas espero no futuro ter um espaço maior para o grupo e para expor nossos produtos, tipo uma sede estruturada. O programa colaborou com tudo que temos aqui, como peças de tecidos, toalhas, tubos de linha, máquina de costura que é uma riqueza para o grupo, que a gente não tinha. Não tínhamos condições de ter tudo isso, então é só gratidão pela oportunidade de termos recebido esses materiais”, afirma.

Com o incentivo, novas mulheres foram criando interesse pelo artesanato, aos poucos o grupo foi crescendo e gerando resultados. Intitulado Artesãs Flores do Campo, o trabalho já possui um perfil no Instagram (@artfloresdocampo), onde é compartilhado o trabalho desenvolvido. Além do Instagram, o grupo vende as peças localmente e participa de exposições em feiras da região.

“As ações do Programa EDP Renováveis Rural possibilitam a consolidação do artesanato enquanto atividade econômica de forte impacto no desenvolvimento da comunidade Chico Mendes II. Dezenove (19) mulheres trabalham coletivamente com a produção artesanal em linhas e tecidos. Foram adquiridos e doados materiais e insumos de produção, bem como realização de cursos, oficinas e assessoria técnica”, reforça Wagner Gomes, nosso Diretor de Novos Negócios.

Segundo Maria Patrícia, 35, uma das integrantes do grupo, o incentivo veio em uma boa hora. Para a jovem, D. Nena é uma inspiração. “Ela iniciou e convidou a gente, passamos um período aprendendo, mas paramos pela falta de material e equipamentos. Aí veio essa doação e retomamos com alegria tudo novamente, é uma fonte de renda e um alívio para sairmos mais de casa. Estamos empolgadas para colocar para a frente, eu não sabia bordar no início e hoje com ajuda da D. Nena e dessas empresas já estamos ensinando a outras mulheres da comunidade a aprender a bordar. D. Nena é uma pessoa que tem muita força de vontade em ajudar e ensinar a gente, é uma inspiração”, comemora.

Inscrições abertas para o Projeto Segurança Alimentar e Nutricional no Ceará

Na última semana, iniciamos as inscrições para o Projeto Segurança Alimentar e Nutricional, realizado pela geradora de energia eólica Energimp e executado por nós na comunidade Morgado, no município de Acaraú, distante cerca de 238 km da capital do Ceará, Fortaleza.

O combate à fome é um desafio global que precisamos promover e atuar localmente. É o que determina a própria Organização das Nações Unidas (ONU) nos seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O ODS 2 defende o fim de todas as formas da fome e desnutrição até 2030, especialmente aquela que afeta a infância, destacando a importância da agricultura sustentável.

Este projeto com a comunidade de Morgado visa reduzir a vulnerabilidade das famílias da comunidade à fome, através da inclusão socioprodutiva de 23 mulheres locais. Com a ampliação das capacidades de produção e aproveitamento com eficiência nutricional dos alimentos produzidos a partir da agricultura familiar, espera-se um aumento da renda familiar dessas mulheres.

“Nosso interesse é que todas essas mulheres tenham o direito garantido a uma alimentação regular e adequada, que as famílias tenham condições de produzir seu próprio alimento por meio da agroecologia e outras práticas que respeitem a vida”, reforça Wagner Gomes, nosso Diretor de Novos Negócios.

As inscrições são realizadas de forma presencial em Morgado e vão até o dia 06 de abril. O projeto conta com o apoio da Associação Comunitária dos Moradores de Morgado e as mulheres interessadas podem se inscrever também na sede da Associação.  Podem se inscrever mulheres agricultoras residentes na comunidade Morgado, Acaraú/CE, com renda familiar de até 2 salários mínimos; com disponibilidade para participar das oficinas do projeto, inscritas no Cadastro Único; e, associadas à Associação local.

Nosso Analista Socioambiental, André Justiniano,  realizou reuniões com as lideranças da Associação Comunitária para apresentar e esclarecer dúvidas sobre a dinâmica do projeto na comunidade, as etapas de realização, processo de inscrição e seleção, assim como as oficinas que serão realizadas com as famílias selecionadas. “Já realizamos também uma reunião com as famílias e visitas aos domicílios para mobilização e divulgação das inscrições. As mulheres da comunidade já demonstram grandes expectativas para melhorarem suas atividades agrícolas”, destaca nossa Gerente de Novos Negócios, Régma Queiroz.

Próximos passos

Nos dias 07 e 08 de abril será realizada uma pré-seleção, com análise dos dados das fichas de inscrição, a fim de verificarmos o atendimento ou não aos critérios de seleção. De 11 a 14 de abril, faremos a seleção final, quando retornaremos à comunidade para realizar visitas técnicas às residências das mulheres pré-selecionadas com a finalidade de analisar as condições estruturais, como acesso à água, espaço físico e localização da estrutura a ser implantada que poderá ser uma horta ou aviário. Após essa visita será divulgada a relação das 23 mulheres selecionadas.

Nós estaremos implantando com as mulheres contempladas com o Projeto, 23 unidades de produção de alimentos em suas propriedades, chamados de Quintais Produtivos. Em seguida, além de ministrar oficinas sobre gestão e desenvolvimento dessa tecnologia social,  realizaremos assessorias especializadas com foco na produção de alimentos com qualidade para autoconsumo e para comercialização de excedentes, de modo direto, em mercados locais.

Roda de conversa sobre coletivos femininos negros rurais na Paraíba

Na próxima quinta-feira, 31 de março, às 14h, vamos realizar na Escola Municipal Educador Paulo Freire, na comunidade Quilombola Cruz da Menina, localizada no município Dona Inês, no estado da Paraíba, a roda de conversa “Diálogos sobre gênero: a importância de coletivos femininos negros rurais”.

O encontro acontece no mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher (8/3) e o Dia Internacional contra a Discriminação Racial (21/3), duas datas que representam muitas lutas e são imprescindíveis para falarmos sobre a garantia de direitos da população feminina, principalmente das mulheres negras

A roda de conversa vai debater sobre a importância de coletivos femininos negros rurais e a Agenda 2030 da ONU para o desenvolvimento sustentável, com foco no ODS 05 Igualdade de gênero e ODS 10 Redução das desigualdades. Faz parte das atividades do Programa SER – Saúde, Educação e Renda, desenvolvido pela Neoenergia, e realizado por nós com o apoio do Instituto Neoenergia.  

A convidada desta edição é Mariah Fernandes, que atua há mais de vinte anos em movimentos que representam a busca por direitos e representatividade da população negra. Integrante da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e do Coletivo de Mulheres Negras Rurais Quilombolas, Mariah é graduada em História, educadora no município Currais Novos, no Rio Grande do Norte e moradora da comunidade Quilombola Boa Vista, localizada no mesmo município.

Cruz da Menina

Cruz da Menina é uma das comunidades beneficiadas pelas ações do Programa SER – Saúde, Educação e Renda, da Neoenergia, executado por nós em dois estados do Nordeste brasileiro, Paraíba e Rio Grande do Norte.

As ações na comunidade buscam ampliar as oportunidades de aprendizagem e valorizar a cultura quilombola, tendo como foco o acesso à água de qualidade para consumo humano e produção; e, a ampliação de capacidades das famílias, sobretudo das mulheres, por meio de ações educativas para promover a cidadania e a geração de trabalho e renda.

A iniciativa inclui a construção de um Centro Cultural Quilombola. O espaço busca fortalecer o artesanato, o turismo rural e a culinária local, bem como o empreendedorismo e o protagonismo das mulheres.