Programa promove o acesso à água e valoriza a cultura quilombola na Paraíba

Com o objetivo de ampliar as oportunidades de aprendizagem e valorizar a cultura quilombola, a Adel e a Neoenergia iniciaram em 2019, por meio do Programa SER – Saúde, Educação e Renda, estratégia desenvolvida com o apoio do Instituto Neoenergia, dois projetos com a comunidade quilombola Cruz da Menina, localizada no município Dona Inês, na Paraíba.

Os projetos têm como foco o acesso à água de qualidade para consumo humano e produção; e, a ampliação de capacidades das famílias, sobretudo das mulheres, por meio de ações educativas para promover a cidadania e a geração de trabalho e renda. A iniciativa inclui a construção de um Centro Cultural Quilombola. O espaço busca fortalecer o artesanato, o turismo rural e a culinária local, bem como o empreendedorismo e o protagonismo das mulheres.

A comunidade Cruz da Menina surgiu por volta de 1850. É formada por 100 famílias e foi reconhecida em 2008, como Comunidade Remanescente de Quilombo, pela Fundação Cultural Palmares. As famílias quilombolas de Cruz da Menina buscam superar a prática da cultura de subsistência e continuar respeitando seus valores ancestrais, ao mesmo tempo em que investem em estratégias de desenvolvimento sustentável, para garantir uma vida digna.

Bianca Cristina, 38, agricultora, graduada em letras e representante da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), é uma das lideranças da comunidade que acredita no protagonismo das mulheres quilombolas para promoção do desenvolvimento local. Desde os 12 anos, Bianca realiza trabalhos sociais na comunidade, e atualmente é Diretora Cultural da Associação local. Ela também é Presidente da Coordenação Estadual das Comunidades Negras Quilombolas da Paraíba (CECMEQ).

Segundo Bianca, as mulheres quilombolas são fundamentais no combate à invisibilidade social da cultura local. “Essas comunidades são espaços de manutenção e resistência da cultura negra, até mesmo das suas ancestralidades africanas, o que tem a sua sobrevivência vinculada à liderança de mulheres negras”, destaca.

Cruz da Menina ainda mantêm viva as tradições herdadas de seus antepassados e preserva vários traços de sua cultura e história. Entre as manifestações culturais da comunidade estão os grupos de Coco de Roda e de Ciranda, formados principalmente por mulheres, que se apresentam em eventos culturais e educacionais na Paraíba e em outros estados brasileiros.

Na pandemia as atividades socioculturais foram reduzidas, mas Bianca enfatiza que a Associação continuou com a ajuda de parceiros realizando algumas ações de apoio às famílias. “Uma das principais frentes da comunidade é essa liderança que temos, esse é o espírito do nosso trabalho. Sempre fazíamos campanhas, mas quase que parou tudo por conta do vírus, mas com a ajuda de parceiros encontramos a força para continuar a luta.  A gente vem atendendo muitas famílias carentes de comunidade locais, doamos quase cinco mil cestas básicas para as famílias. Mais uma conquista do movimento quilombola que veio em uma boa hora.”

Ações do Programa SER

As ações do Programa SER – Saúde, Educação e Renda foram iniciadas em Cruz da Menina após a realização de um estudo diagnóstico com a comunidade em 2019 para perceber as oportunidades e demandas locais. Devido ao contexto pandêmico, somente em abril de 2021, a equipe da Adel, entidade executora do Programa, revitalizou o poço profundo que abastece a comunidade.

Para Bianca, a ação veio para fortalecer as expertises dos moradores locais e contribuir com a comunidade. “A gente ver esse projeto como um complemento para melhorar o que a gente já vem desenvolvendo. No momento estamos indo com calma por conta da pandemia, mas esperamos poder participar de mais oficinas em breve. Seguimos acreditando em dias melhores e na força importante de ter ajuda de parceiros e instituições como a Adel e a Neoenergia”, destaca.

Nos próximos meses, estão previstas a realização de oficinas sobre: associativismo e cooperação para o desenvolvimento Local; convivência com o semiárido; gestão das águas; sistema de dessalinização das águas; empreendedorismo e gestão de pequenos e médios empreendimentos; artesanato e design feito à mão; turismo rural; e culinária. Também serão realizadas a instalação de um sistema de dessalinização de água; a construção do Centro Cultural Quilombola Cruz da Menina; e, sessões de assessoria técnica para gestão e gerenciamento dos equipamentos coletivos instalados.

 

 

 

Diretor Executivo da Adel participa do projeto Diálogos na UFCA

Na última quarta-feira (28), Adriano Batista, Diretor Executivo da Adel, participou do encontro remoto da Disciplina: Estado, Sociedade e Economia Brasileira, do Curso de Administração Pública e Gestão Social (APGS) promovido pelo Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da Universidade Federal do Cariri (UFCA).

A iniciativa faz parte do projeto Diálogos: Partilhando Experiências, Saberes e Conhecimentos – APGS 10 anos. Busca contribuir com a formação técnico-política e ética de profissionais e pesquisadores para atuarem como administradores públicos e/ou gestores sociais, capazes de interpretar os desafios da contemporaneidade e comprometidos com o desenvolvimento sustentável local e global.

O encontro foi mediado pelo Professor Alberto Teixeira, que reiterou o papel da Adel no contexto político-social e a importância das tecnologias sociais implementadas para promoção do desenvolvimento local. Adriano apresentou para os estudantes a sua trajetória acadêmica e profissional, o trabalho da Adel realizado nos últimos treze anos, o surgimento e o cenário atual da organização.

“ A Adel surgiu a partir do nosso desejo de levar o conhecimento técnico e científico para as comunidades. Nós começamos a trocar ideias com os jovens e os agricultores e decidimos empreender. Compartilhar conhecimentos é fundamental para avançarmos em estratégias efetivas de desenvolvimento local”, relatou Adriano.

Captura de tela durante o curso online.

A criação da Adel é resultado da mobilização de jovens de comunidades rurais no semiárido do Ceará que tiveram a oportunidade de cursar a universidade na capital do Ceará, Fortaleza, e optaram por retornar à região, onde nasceram e foram criados, para investir os conhecimentos e as habilidades adquiridas em prol do desenvolvimento local.

Em 2007, esses jovens se organizaram e começaram a atuar na região de Pentecoste, no norte do Ceará, onde fundaram a Adel para apoiar pequenos produtores rurais em situação de vulnerabilidade com foco no fortalecimento da agricultura familiar. Hoje, a instituição atua em toda a região Nordeste.

Conforme destacou Adriano no encontro, a expansão da Adel é resultado do seu modelo de governança. “Nos últimos anos, nós avançamos na implantação de um modelo de governança adequado à profissionalização. Priorizamos processos de análise e tomada de decisão em nível estratégico e aprimorarmos os mecanismos internos de controle e planejamento”.

A Adel realiza parcerias com professores, pesquisadores e empreendedores com o  objetivo de sistematizar, avaliar e produzir referências sobre desenvolvimento local. Todo esse conhecimento é compartilhado com o mercado e com a academia para engajar novos atores em um diálogo técnico sobre conceitos e estratégias de desenvolvimento no Brasil. Colaborar com a formação dos estudantes da UFCA faz parte dessa estratégia.

Live sobre Protagonismo jovem e cultura digital marca lançamento do Projeto Juventude.com

Na próxima segunda-feira (02/08), às 16h, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) em parceria com o Instituto Lina Galvani promovem a live de lançamento do Projeto Juventude.com realizado com jovens da comunidade Angico dos Dias, no município Campo Alegre de Lourdes, na Bahia.

O evento acontece ao vivo no canal do YouTube da Adel. Com o tema “Protagonismo jovem e cultura digital” a live vai contar com a participação de Eduarda Ribeiro, Comunicadora Digital e integrante do Palmas Lab; Ranislene Fernandes, jovem liderança comunitária em Angico dos Dias; e Talmon Lima, Youtuber e Roteirista na Vetinflix.

Os três jovens vão partilhar suas experiências de protagonismo a partir dos seus contextos locais, apresentando os desafios e sonhos. O momento marca o início das atividades formativas do Projeto Juventude.com.

O projeto visa fortalecer o protagonismo juvenil e o empreendedorismo rural em Angico dos Dias, aliando ao potencial existente no território às novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e outras soluções digitais, para gerar transformações sociais, econômicas e culturais positivas na comunidade nos próximos anos.

O evento segue disponível, acompanhe:

Live sobre Segurança Alimentar marca o dia da Agricultura Familiar

Na semana, em que é comemorado o Dia Internacional da Agricultura Familiar, a Adel vai realizar, na próxima quinta-feira (29), às 18h, no seu canal do YouTube e LinkedIn, a Live “O papel da Agricultura Familiar na Segurança Alimentar”.

O evento conta com a participação do Professor da Universidade Federal do Ceará, José Arimatea Bezerra, especialista em Educação Popular em Saúde e Coordenador de Gestão do Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição do Escolar (CECANE/UFC).  A mediação ficará por conta da Assessora de Negócios da Adel, Régma Queiroz, profissional com experiência em gestão de programas de desenvolvimento rural.

A agricultura familiar é o principal regime de organização da produção rural no Brasil. É a atividade responsável pela produção da maior parte da comida que chega nas mesas brasileiras hoje. Não apenas no Brasil, mas no mundo: de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a agricultura familiar é responsável por 80% da produção mundial de alimentos.

São cerca de 15 milhões de trabalhadores rurais, 74% da mão de obra empregada no campo, em 4 milhões de estabelecimentos rurais, respondendo por quase 40% do Produto Interno Bruto agropecuário nacional, sendo a principal fonte de alimentos do Brasil. A Região Nordeste concentra aproximadamente 50% dos estabelecimentos de agricultura familiar do país.

Apesar da agricultura familiar ser peça chave na garantia da segurança alimentar e nutricional da população, as políticas públicas voltadas para sua promoção vêm sofrendo gradativa desestruturação, em especial o Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

Essa situação colabora para o agravamento da insegurança alimentar no país, intensificada pela Pandemia da Covid-19. Segundo dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan) divulgados em 2020, são 19 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar.

De acordo com Gláucio Gomes, Diretor de Desenvolvimento na Adel, nas pequenas propriedades rurais vivem famílias que produzem comida que contribui para atender, com oferta de preços mais justos, à demanda de todo o país e que, ao mesmo tempo, integram o segmento social mais afetado por cenários de pobreza extrema e insegurança alimentar no Brasil.

“Essa é uma das grandes contradições de nossa sociedade. O desenvolvimento sustentável e com justiça social passa pelo fortalecimento da agricultura familiar. E agricultoras e agricultores precisam de acesso a conhecimento e tecnologia, de suporte técnico, de investimento e da disponibilidade de políticas públicas que formem uma rede de proteção social sólida para garantia de seus direitos fundamentais. O ganho de produtividade e de rentabilidade na agricultura familiar no Brasil representaria impacto social positivo ímpar e uma verdadeira transformação na realidade do campo no país”, ressalta.

Na Live desta semana, a Adel espera reforçar o debate sobre as políticas públicas voltadas para o fortalecimento da agricultura familiar e como essa atividade pode auxiliar no combate à fome, fenômeno social, político e econômico que vem se intensificando no Brasil. Para participar do encontro, inscreva-se no canal da Adel do YouTube.

O evento segue disponível, acompanhe:

Adel realiza projetos no Nordeste em parceria com a Neoenergia

A Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel), por meio da sua área de Novos Negócios, realiza, em parceria com a Neoenergia e apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), três (3) projetos de desenvolvimento em dois (2) estados do Nordeste – Paraíba e Rio Grande do Norte.

Os projetos fazem parte do Programa SER – Saúde, Educação e Renda, uma estratégia desenvolvida com o apoio do Instituto Neoenergia que visa contribuir para a melhoria da qualidade de vida nas comunidades de influência da Neoenergia, gerando impactos sociais, econômicos, ambientais e educacionais positivos.

Após a realização de Diagnósticos Socioeconômicos dos territórios de atuação dos projetos, a equipe de campo da Adel começou, no último mês, a mobilização das famílias e jovens para participarem dos projetos. Esta atividade consiste na apresentação em cada território da estratégia e inscrição dos participantes.

Para o Diretor de Novos Negócios da Adel, Wagner Gomes, a parceria com a Neoenergia é uma oportunidade de expandir e consolidar a atuação da instituição no Nordeste. “É extraordinário para Adel ampliar suas ações nas comunidades do Rio Grande do Norte e expandir sua atuação para o Estado da Paraíba. Com toda certeza, vamos aprender bastante com a implantação e o desenvolvimento destes projetos. A Neoenergia, assim como a Adel, acredita e investe no desenvolvimento sustentável de territórios rurais por meio de ações de educação e geração de renda com vista a melhoria nas condições socioeconômicas e ambientais das famílias”.

Espera-se que estes projetos contribuam com a elevação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos cinco (5) municípios contemplados: Bodó e Lagoa Nova, no Rio Grande do Norte; Dona Inês, São José do Sabugi e Santa Luzia, na Paraíba. No município Dona Inês, em específico, a iniciativa acontece na comunidade quilombola Cruz da Menina, formada por 73 famílias e reconhecida desde 26 de março de 2008, como uma Comunidade Remanescente de Quilombo pela Fundação Palmares.

As comunidades beneficiadas pelos projetos são de alta vulnerabilidade socioeconômica e ambiental. São territórios com grandes dificuldades de acesso à água, saneamento básico e educação. Territórios resilientes e com um potencial criativo imenso, capazes de se desenvolverem a partir da implantação de novas tecnologias sociais, do acesso ao conhecimento e da geração de renda.

Saiba mais sobre o Programa Ser: http://www.institutoneoenergia.org.br/pt/como-atuamos/acao-social/Paginas/programa-ser.aspx

Qair Brasil e Adel lançam podcast sobre Educação Ambiental, em parceria com a EcoNordeste

A Qair Brasil e a Adel (Agência de Desenvolvimento Econômico Local) lançam, nesta sexta-feira (23), o Sementes da Caatinga, podcast sobre Educação Ambiental. A produção contou com a parceria da Agência de Conteúdo Eco Nordeste.

O Sementes da Caatinga é voltado aos professores e às comunidades tradicionais e agricultores familiares do Semiárido brasileiro. Composto por 15 episódios em cinco séries, fala sobre a importância da Educação Ambiental na Caatinga, agroecologia, desenvolvimento local sustentável, segurança alimentar e nutricional, e, as diversas tecnologias socioambientais que podem contribuir para uma convivência harmoniosa com o Semiárido.

Em breve, o Sementes da Caatinga estará disponível nos principais agregadores de podcasts e no WhatsApp dos participantes do Programa de Educação Ambiental da Qair. Os interessados nas temáticas podem ouvir o Sementes da Caatinga em seu tocador favorito e na hora que quiser nos sites da Qair Brasil, da Adel, da EcoNordeste, e demais plataformas de streaming: Spotify, Deezer e Google Podcast.

Sementes da Caatinga

O podcast Sementes da Caatinga é uma iniciativa do Programa de Educação Ambiental (PEA) da Qair Brasil, produtora independente de energia renovável, que visa o desenvolvimento de capacidades por gestores, técnicos, educadores, estudantes, líderes e representantes de instituições da sociedade civil em educação ambiental na perspectiva da convivência com o Semiárido brasileiro.

O Programa de Educação Ambiental da Qair propõe ações de Educação Ambiental junto às famílias da área de influência do Complexo Eólico Afonso Bezerra, nos municípios de Afonso Bezerra e Macau, no estado do Rio Grande do Norte, para aumentar o conhecimento e a conservação do equilíbrio natural local, com a manutenção dos seus benefícios socioambientais.

Para quem vive no Semiárido, preservar a Caatinga é uma questão de sobrevivência, de aprender sobre saberes e práticas tradicionais que foram passadas de geração para geração. Ouça a apresentação de lançamento do podcast Sementes da Caatinga nos links abaixo.

Spotify https://cutt.ly/zm7oNxq

Deezer https://cutt.ly/0m7o9zO

Google Podcast https://cutt.ly/dm7o4fa

Adel e Instituto Lina Galvani iniciam projeto com jovens na Bahia

Nessa semana, a Adel e o Instituto Lina Galvani iniciaram as atividades do projeto Juventude.com na comunidade Angico dos Dias, localizada no município Campo Alegre de Lourdes, na Bahia. O projeto Juventude.com visa fortalecer o protagonismo juvenil e o empreendedorismo rural em Angico dos Dias, aliando ao potencial existente no território às novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e outras soluções digitais, para gerar transformações sociais, econômicas e culturais positivas na comunidade nos próximos anos.

Angico dos Dias é uma comunidade localizada a cerca de 72 quilômetros da sede do município Campo Alegre de Lourdes, na Bahia, e a apenas 12 quilômetros da cidade de Caracol, no Piauí. Cerca de trezentas famílias e um pouco mais de mil habitantes vivem na comunidade, que têm suas principais atividades geradoras de subsistência e renda a agricultura e a pecuária de pequeno porte.

Angico dos Dias, município Campo Alegre de Lourdes, Bahia

Inicialmente serão selecionados vinte (20) jovens da comunidade para participar do projeto e do curso Protagonismo e Cultura Digital. O Curso vai abordar conhecimentos sobre projeto de vida, direitos humanos, protagonismo, liderança, desenvolvimento local, empreendedorismo, gestão e tecnologias da informação e comunicação. Além da formação, o projeto prevê a implantação de um Centro Integrado de acesso à Tecnologia da Informação e Comunicação gerido pelos próprios jovens e com sustentabilidade econômico-financeira em longo prazo.

Como os jovens podem participar

Podem participar do projeto/curso jovens de 14 a 29 anos que moram em Angico dos Dias e que desejam contribuir para o desenvolvimento local de sua comunidade e município. As inscrições estão abertas e o curso é totalmente gratuito. As atividades serão realizadas de forma remota (via computador, celular, tablet ou notebook) e presencial. As inscrições vão até 06 de agosto e devem ser feitas no seguinte link: https://bit.ly/ProtagonismoJovemILG

Os interessados podem entrar em contato por meio do WhatsApp (11) 94167-5247 para saber mais detalhes sobre a iniciativa e as regras para participação.

 

Fogões ecoeficientes mudam a realidade de famílias no Semiárido

O novo reajuste nos preços do gás de cozinha nos coloca mais uma vez em alerta: é preciso pensar alternativas energéticas sustentáveis e eficientes que atendam às necessidades das famílias que vivem no Semiárido brasileiro.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que no mundo há cerca de 2,8 bilhões de pessoas que dependem de combustíveis sólidos para cozinhar seus alimentos. No Nordeste brasileiro, um número expressivo de famílias residentes nas zonas rurais também depende, quase que exclusivamente, da lenha para preparar seus alimentos. Com os aumentos recorrentes no preço do gás de cozinha, esse número tende a crescer e gerar preocupação.

O uso do fogão a lenha tradicional ocasiona um conjunto de impactos sociais, ambientais e relacionados à saúde. A maioria desses fogões apresenta baixa eficiência energética. Demandam um consumo muito maior de biomassa vegetal, já que o aproveitamento do calor não é completo e a queima ocorre mais rapidamente. Além da baixa eficiência, a emissão de fumaça dos fogões dentro das casas, onde geralmente são instalados, pode provocar doenças respiratórias, cardíacas e oftalmológicas, afetando os membros da família. Dados da OMS indicam que a fumaça dos fogões tradicionais é a segunda maior causa de morte no meio rural.

Tomando como base os princípios da ecoeficiência, foi desenvolvido o fogão ecoeficiente, também conhecido como ecofogão, uma alternativa sustentável, simples, de baixo custo e com grandes impactos positivos. O fogão ecoeficiente tem como objetivo produzir o máximo de calor utilizando a menor quantidade de biomassa vegetal. A tecnologia contribui com a diminuição do desmatamento, uma das principais ameaças ao bioma Caatinga, além de reduzir a emissão de gases poluentes no ecossistema.

O fogão ecoeficiente é composto por uma estrutura em alvenaria; uma câmara de combustão de material refratário, que suporta altas temperaturas e reduz em até 50% o consumo de biomassa; o isolamento térmico; uma grelha de ferro fundido que aumenta a oxigenação da combustão; e uma chaminé que direciona a fumaça diretamente para fora das casas. Esses princípios otimizam a queima da lenha, geram mais energia e produz pouca fumaça.

A instalação de fogões ecoeficientes integra a estratégia da Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel), de convivência sustentável com o Bioma Caatinga. Com uma taxa de regeneração mais lenta, se comparada com qualquer outro bioma brasileiro devido às características de clima. Este ano, a Adel já implantou, a serviço da Qair, 30 fogões ecoeficientes nas comunidades rurais Serra Nova e Cabeço dos Mendes, no Rio Grande do Norte. Também planeja levar esta tecnologia social, a serviço da Neoenergia, para outras 20 famílias nos municípios Lagoa Nova e Bodó, no Rio Grande do Norte, e, Santa Luzia e São José do Sabugi, na Paraíba.

Para a Diretora de Comunicação da Adel, Evilene Abreu, a disseminação das tecnologias sociais é essencial para construirmos um horizonte de mudanças e possibilidades de viver no Semiárido. “As famílias que vivem no Semiárido dependem dos recursos naturais para realizarem suas atividades. Por isso, é preciso reduzir os impactos socioambientais e cuidar melhor do Bioma Caatinga. Os fogões ecoficientes, além de melhorar a qualidade do ar das famílias, eles protegem as matas nativas. Os ganhos são diversos e temos muito a celebrar com esta ação”.

Adel auxilia e estimula o protagonismo e o empreendedorismo de jovens LGBT+

No mês em que é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBT, a Adel (Agência de Desenvolvimento Econômico Local) iniciou as atividades presenciais do Projeto “Diversidade e Desenvolvimento Rural: Jovens LGBTQ+ Protagonistas no Semiárido do Ceará”. O Projeto faz parte do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER), da Adel.

Trinta (30) jovens LGBTQ+ são auxiliados na criação de seus projetos de negócios e/ou de impacto social em suas comunidades, através do acesso a conhecimento, crédito, redes colaborativas e tecnologias. Os jovens moram em oito (8) municípios cearenses: Apuiarés, Caucaia, General Sampaio, Paracuru, Pentecoste, São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu e Tejuçuoca.

As atividades do projeto estão acontecendo de forma híbrida. Além de encontros virtuais, os jovens participam de um processo de imersão ao longo dos ciclos formativos, com no máximo 10 jovens em cada encontro, respeitando todos os protocolos de saúde e segurança para evitar a propagação da Covid-19.

A Coordenadora de Programas da Adel, Raquel Ferreira, conta que os jovens do projeto têm a oportunidade de aprender sobre diversos conceitos como: desenvolvimento local, protagonismo, empreendedorismo, gestão e comunicação. “No ciclo base, os jovens empreendedores aprendem sobre conceitos e ferramentas para planejamento, criação, gestão e desenvolvimento de empreendimentos rurais. Analisam os contextos em que desejam empreender, identificam as oportunidades e, então, iniciam a elaboração de seus projetos de negócios”.

Os jovens selecionados nesta edição do projeto foram divididos em dois grupos devido a pandemia. As atividades do primeiro grupo aconteceram esta semana na sede de Apuiarés. Na próxima semana, entre os dias 29 de junho à 2 de julho, a formação presencial será com o restante da turma na sede do município de São Luís do Curu.

Dhyana Lopes, 24, travesti, é uma das jovens LGBTQ+ beneficiadas pelo projeto. Cabeleireira no município de Apuiarés, abriu o seu salão recentemente. Além de empreendedora, deseja atuar no futuro como Assistente Social.

Dhyana Lopes, jovem beneficiada.

“Essa semana aprendi muita coisa. Além de entender mais sobre como gerir meu negócio, me senti mais estimulada a buscar novos conhecimentos. Após a formação, quero investir em uma faculdade de Serviço Social, ser uma das primeiras da minha família a ter o Ensino Superior. Nós, jovens LGBTQ+, precisamos de uma família que nos apoie e de projetos como esse da Adel para podermos acreditar ainda mais no nosso potencial”, destaca.

O PJER Diversidade busca promover a inclusão socioprodutiva de jovens LGBTQ+ a partir da ampliação de suas capacidades, potencialidades e vocações. Em 2019, a Adel beneficiou 25 jovens rurais por meio do programa. As duas edições do projeto são apoiadas pelo Itaú e a Mais Diversidade, através do Edital LGBT+ Orgulho, que busca dar visibilidade, segurança e respeito às pessoas LGBT+.

Direito Humano à Alimentação Adequada

Na última segunda-feira, 7, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) realizou a oficina “Direito Humano à Alimentação Adequada”, facilitada pela Assessora de Negócios da organização, Regma Queiroz. Essa foi a primeira de três oficinas gratuitas que serão realizadas durante o mês de junho. Os encontros focam na importância de boas práticas ambientais para melhorar a segurança alimentar e fortalecer a biodiversidade.

Cerca de quarenta e cinco pessoas entre professores, estudantes, jovens, agricultores e colaboradores da Adel participaram da primeira oficina, que abordou temas como o círculo vicioso da fome, direitos humanos e direito humano à alimentação adequada. Discutiu-se também sobre os avanços em termos de marcos legais para garantia desse direito, assim como a importância das mulheres nesse contexto.

Print transmissão oficina “Direito Humano à Alimentação Adequada”.

Segundo o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, o direito humano à alimentação adequada consiste no acesso físico e econômico de todas as pessoas aos alimentos e aos recursos, como emprego ou terra, para garantir esse acesso de modo contínuo.

De acordo com um estudo da Universidade Livre de Berlim e a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil é o segundo maior exportador de alimentos do mundo, porém, 3 em cada 4 domicílios localizados em áreas rurais estavam em situação de insegurança alimentar, entre agosto e dezembro de 2020. Isso significa dizer que de cada 4 domicílios rurais, 3 passam fome ou comem mal.

A produção de alimentos é suficiente para alimentar a população do planeta terra. No entanto, a maioria das pessoas não têm acesso aos alimentos, pois faltam políticas de geração de emprego e renda e existe uma imensa concentração de terra. Josué de Castro, pesquisador e autor do livro “A Geografia da Fome”, dizia que a fome é uma questão política. Ela não é uma questão de mercado.

Temos fome no Brasil, devido a desigualdade social. Um exemplo disso é a alta do preço do arroz que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sofreu em 12 meses alta de 57% até abril deste ano. O óleo de soja (82%), feijão preto (42%), carnes (35%) e o botijão de gás (21%).

Segundo Regma, a fome se agravou a partir de 2016, com o desmonte de políticas públicas de segurança alimentar, com o fechamento do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), o encerramento da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional, e, o fim do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que concentrava as ações de apoio à agricultura familiar.

“A situação piorou ainda mais na pandemia, porque os principais canais de comercialização dos produtos da agricultura familiar foram suspensos, como o PNAE, o PAA e as feiras municipais. Então, o que pode ser feito? Empoderar as pessoas que vivenciam o problema para (re)conhecer e lutar pelo direito à alimentação adequada; assegurar trabalho e renda; avançar com a Reforma Agrária; retomar as políticas de transferência de renda de forma emergencial e estruturante”, afirma a Assessora de Negócios da Adel.

Incentivar práticas educativas sobre segurança da alimentação colaboram para o desenvolvimento da consciência social e ambiental das pessoas, entendendo que através de projetos e políticas públicas efetivas para o Campo, que ofereçam acesso à conhecimento, assessorias, crédito e tecnologias aos produtores(as), é possível gerar renda, desenvolvimento local e direito à alimentação adequada.

Tiago Batista, Mestre em Gestão Ambiental e participante da oficina, afirma que a oficina foi bastante proveitosa. “Gostaria de parabenizar pelo conteúdo rico, pela qualidade e pelos aspectos quantitativos, muito boa a oficina. Nos fez refletir também nesse ponto do alimento como base da nossa saúde, que ela não se resume apenas à quantidade, mas também pela qualidade. Temos que pensar sempre no percurso da cadeia de produção e observarmos a origem desse alimento”, reforça.

Para quem não pôde acompanhar a oficina em tempo real, ela se encontra disponível no canal da Adel no YouTube:

Ainda este mês, a Adel vai realizar mais duas oficinas. A próxima acontece dia 14, às 14h, com o tema Sustentabilidade e Conservação da Caatinga, facilitada pela Coordenadora de Programas da Adel, Raquel Ferreira. A terceira e última oficina acontece dia 21, às 14h, com o tema Compostagem e Educação Ambiental no Semiárido, facilitado por Guilherme Ribeiro, Analista Socioambiental da Adel.

Todas as oficinas são gratuitas e acontecem via google meet. É necessário inscrição prévia.

14/06, às 14h, Oficina Sustentabilidade e Conservação da Caatinga: https://forms.gle/T4fvUTvnK48x8Y8F9

21/06, às 14h, Oficina Compostagem e Educação Ambiental no Semiárido: https://forms.gle/Q4oWHHpBQMBy8v4Q9