Empoderamento Feminino e Segurança Alimentar

Em abril deste ano, iniciamos o Projeto Segurança Alimentar e Nutricional, realizado pela Energimp e executado por nós na comunidade Morgado, em Acaraú, no interior do Ceará. A iniciativa visa reduzir a vulnerabilidade das famílias da comunidade à fome, através da inclusão socioprodutiva, principalmente de mulheres locais. Com a ampliação das capacidades de produção e aproveitamento com eficiência nutricional dos alimentos produzidos a partir da agricultura familiar, espera-se um aumento da renda das famílias.

Uma das ações que trabalhamos no projeto é o empoderamento feminino e a segurança alimentar através do acesso ao conhecimento e implantação de quintais agroecológicos. Cerca de 15  mulheres participam do projeto.

As oficinas sobre empoderamento feminino e segurança alimentar buscam incentivar a participação feminina na horticultura, encorajar técnicas produtivas sustentáveis e fortalecer as práticas agroecológicas já utilizadas pela comunidade, buscando a sustentabilidade dos sistemas produtivos e garantindo a segurança alimentar. O primeiro encontro aconteceu na sede da Associação Comunitária dos Moradores de Morgado, por meio de exposição dialogada sobre novas possibilidades de sistemas hortícolas e também para identificar quais práticas agroecológicas são utilizadas na comunidade.

O momento permitiu a troca de conhecimentos entre os participantes sobre técnicas e práticas de horticultura, trazendo aspectos como instalação e manejo de horta com disponibilidade de recursos naturais, como água e solo, valorização da mão-de-obra familiar e qualidade de vida. Os participantes foram incentivados a plantar em seus quintais produtivos, independente do espaço disponível.

Segundo Luany Silva, nossa Analista Socioambiental, que esteve acompanhando de perto a atividade, “o grupo gostou de saber que algumas práticas já utilizadas são técnicas agroecológicas e sentiu-se motivado a colocar outras técnicas sustentáveis em prática. Também demonstraram surpresa aos impactos causados pela queima do solo e relataram ser uma prática comum na comunidade, para limpeza do terreno para plantio”, destaca.

O segundo encontro do grupo priorizou as atividades práticas, com visita ao quintal produtivo da agricultora Maria Edivane Araújo, 54, onde foi construído uma pequena área de compostagem; realizado o semeio de mudas de alface e rúcula; e, produzido um inseticida natural a base de extrato da folha de nim indiano (Azadirachta indica).

Segundo Maria Edivane, a oficina atendeu suas expectativas. “Quero expandir meus cultivos e continuar a produzir de forma agroecológica, é muito importante essa troca de saberes e quero participar de mais atividades como essa”, relata.

Insegurança Alimentar

O combate à fome sempre foi um desafio global, mas a situação, principalmente no Brasil, tem se agravado cada vez mais. Segundo dados do II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (II VIGISAN), desenvolvido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN), 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer no país e mais da metade (58,7%) da população está em situação de insegurança alimentar – quando uma pessoa não tem acesso regular e permanente a alimentos.

Além disso, a insegurança alimentar atinge as regiões do Brasil de forma desigual. No Norte e no Nordeste, os índices de insegurança alimentar chegam, respectivamente, a 71,6% e 68% – números expressivamente maiores do que a média nacional de 58,7%. Já a insegurança alimentar grave (a fome) faz parte do dia a dia de 25,7% das famílias na região Norte e de 21% no Nordeste. A média nacional é de aproximadamente 15%, e, do Sul, de 10%.

O agravamento da fome também é maior no meio rural. 60% dos domicílios relataram algum tipo de insegurança alimentar. Dentre eles, 38% dos lares de agricultoras e agricultores familiares são atingidos por níveis de insegurança alimentar grave ou moderado. Por isso, um projeto que trate diretamente da segurança alimentar é tão essencial no interior do Nordeste Brasileiro.

Ações do Projeto

Por meio do Projeto Segurança Alimentar e Nutricional, já realizamos oficinas em Morgado sobre associativismo e cooperação para o desenvolvimento local; Segurança Alimentar e Nutricional; Protagonismo Feminino; Criação e Manejo de Aves; Quintais Produtivos Agroecológicos; entre outros temas.

Em breve, vamos implantar 21 Quintais Produtivos Agroecológicos, 13 com foco na produção de hortaliças e 8 na produção de galinha caipira, por meio da construção de aviários. No final do mês, realizaremos uma oficina com o tema Gênero e Comercialização. Além das oficinas, vamos realizar assessorias especializadas com foco na produção de alimentos com qualidade para o autoconsumo e a comercialização de excedentes, de modo direto, em mercados locais.

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