Fogões ecoeficientes mudam a realidade de famílias no Semiárido

O novo reajuste nos preços do gás de cozinha nos coloca mais uma vez em alerta: é preciso pensar alternativas energéticas sustentáveis e eficientes que atendam às necessidades das famílias que vivem no Semiárido brasileiro.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que no mundo há cerca de 2,8 bilhões de pessoas que dependem de combustíveis sólidos para cozinhar seus alimentos. No Nordeste brasileiro, um número expressivo de famílias residentes nas zonas rurais também depende, quase que exclusivamente, da lenha para preparar seus alimentos. Com os aumentos recorrentes no preço do gás de cozinha, esse número tende a crescer e gerar preocupação.

O uso do fogão a lenha tradicional ocasiona um conjunto de impactos sociais, ambientais e relacionados à saúde. A maioria desses fogões apresenta baixa eficiência energética. Demandam um consumo muito maior de biomassa vegetal, já que o aproveitamento do calor não é completo e a queima ocorre mais rapidamente. Além da baixa eficiência, a emissão de fumaça dos fogões dentro das casas, onde geralmente são instalados, pode provocar doenças respiratórias, cardíacas e oftalmológicas, afetando os membros da família. Dados da OMS indicam que a fumaça dos fogões tradicionais é a segunda maior causa de morte no meio rural.

Tomando como base os princípios da ecoeficiência, foi desenvolvido o fogão ecoeficiente, também conhecido como ecofogão, uma alternativa sustentável, simples, de baixo custo e com grandes impactos positivos. O fogão ecoeficiente tem como objetivo produzir o máximo de calor utilizando a menor quantidade de biomassa vegetal. A tecnologia contribui com a diminuição do desmatamento, uma das principais ameaças ao bioma Caatinga, além de reduzir a emissão de gases poluentes no ecossistema.

O fogão ecoeficiente é composto por uma estrutura em alvenaria; uma câmara de combustão de material refratário, que suporta altas temperaturas e reduz em até 50% o consumo de biomassa; o isolamento térmico; uma grelha de ferro fundido que aumenta a oxigenação da combustão; e uma chaminé que direciona a fumaça diretamente para fora das casas. Esses princípios otimizam a queima da lenha, geram mais energia e produz pouca fumaça.

A instalação de fogões ecoeficientes integra a estratégia da Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel), de convivência sustentável com o Bioma Caatinga. Com uma taxa de regeneração mais lenta, se comparada com qualquer outro bioma brasileiro devido às características de clima. Este ano, a Adel já implantou, a serviço da Qair, 30 fogões ecoeficientes nas comunidades rurais Serra Nova e Cabeço dos Mendes, no Rio Grande do Norte. Também planeja levar esta tecnologia social, a serviço da Neoenergia, para outras 20 famílias nos municípios Lagoa Nova e Bodó, no Rio Grande do Norte, e, Santa Luzia e São José do Sabugi, na Paraíba.

Para a Diretora de Comunicação da Adel, Evilene Abreu, a disseminação das tecnologias sociais é essencial para construirmos um horizonte de mudanças e possibilidades de viver no Semiárido. “As famílias que vivem no Semiárido dependem dos recursos naturais para realizarem suas atividades. Por isso, é preciso reduzir os impactos socioambientais e cuidar melhor do Bioma Caatinga. Os fogões ecoficientes, além de melhorar a qualidade do ar das famílias, eles protegem as matas nativas. Os ganhos são diversos e temos muito a celebrar com esta ação”.

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