Produção de Leite no Semiárido: custos dos insumos tira produtores da atividade

Por Adriano Batista – Diretor Executivo Adel

Os produtores de leite do semiárido vivem uma situação dramática para continuar na atividade. É o caso de 270 produtores do Médio e Baixo Jaguaribe e Sertões de Sobral no Ceará, atendidos pela Adel em parceria com o BNB.  Os produtores enfrentam dificuldades para equilibrar o caixa financeiro da propriedade, pois o baixo preço do leite e os altos custos dos insumos estão tornando a produção inviável em tempos de pandemia e quadra chuvosa abaixo da média.

Segundo os dados do CEPEA, entre março de 2020 e março de 2021 os preços do milho e da soja aumentaram 34,35% e 44,22% respectivamente, enquanto o preço do leite teve um aumento de apenas 25,91%. O milho e a soja são os principais ingredientes da dieta das vacas. É de conhecimento do setor a correlação positiva entre o preço de leite e a rentabilidade, pois quanto maior o preço do leite mais rentável é o negócio.

A escassez de chuvas dificulta acentuadamente a rotina do produtor. A FUNCEME registrou uma diminuição no volume de chuvas de 13% abaixo da média no trimestre de fevereiro a abril deste ano, o que afetará a produção de forragens e a necessidade de suplementação dos animais. A suplementação tem um alto preço e o produtor não pode arcar o que poderá ocorrer uma diminuição brusca na produtividade. Uma alternativa seria a irrigação de forrageiras. Contudo, boa parte dos produtores não possui infraestrutura para irrigação.

A pandemia causada pela COVID-19 também prejudicou o setor. O isolamento social limitou o desenvolvimento de capacidades, a cooperação entre os produtores, o acesso ao crédito, entre outros serviços. Fora da porteira, gerou instabilidade, o que levou o mercado de leite e derivados a alta volatilidade, o que também tem reflexo nas propriedades. Na economia, reduziu em 40% o poder de compra dos brasileiros acima de 16 anos conforme pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) de maio de 2020. Contudo, o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600,00 beneficiou o consumo de leite e derivados em 2020. Este ano, com o agravamento da perda do poder de compra e a redução do valor do auxílio, poderá ocasionar uma retração na demanda pelo produto.

Situações como essas, somadas as ameaças do contexto semiárido, impõem limitações a produção de leite. Portanto, se faz necessário encontrar estratégias de cooperação, capacitação, assistência técnica, crédito orientado e tecnologias para mitigar os desafios do setor, pois caso contrário, muitas propriedades fecharão as porteiras.

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