Tecnologias Socioambientais podem contribuir para garantir o acesso a água 

Nesta semana em que a Organização das Nações Unidas (ONU), celebra o Dia Mundial da Água, lembramos que o acesso à água e ao saneamento foram reconhecidos internacionalmente como um direito humano.

No Semiárido brasileiro, uma das zonas áridas mais populosas do mundo, cerca de 26 milhões de pessoas, das quais 10 milhões moram nas zonas rurais, convivem com a escassez desse líquido tão precioso. Além do clima quente e seco, a baixa disponibilidade de água nesta região está relacionada a diversos fatores: imprevisibilidade das chuvas; pouca profundidade dos solos; elevadas temperaturas e altas taxas de evaporação.

Com o objetivo de fomentar o desenvolvimento sustentável no Nordeste, a Adel entende que é possível equilibrar o desenvolvimento social, o econômico e a sustentabilidade ambiental. Isso significa que as estratégias precisam promover práticas de convivência com o semiárido, não apenas no combate à seca. Para fazê-lo são necessários investimentos nos saberes tradicionais aliados a conhecimentos técnico-científicos modernos, para garantir maior escalabilidade e replicabilidade a essas estratégias.

O uso de tecnologias socioambientais de baixo custo com foco na agricultura familiar é estratégico para a convivência com o semiárido e para provocar alterações no cenário da escassez de água para consumo humano e produção de alimentos. As tecnologias sociais de segurança hídrica implementadas pela Adel através de seus programas e projetos são alternativas que ajudam a transformar a realidade do semiárido em relação ao acesso à água, contribuindo para melhorar a qualidade de vida das famílias.

Dentre as tecnologias trabalhadas, destacamos a construção de cisternastelhadão” para o armazenamento de águas pluviométricas, perfuração de poços profundos, recuperação de poços artesianos, dessalinização de poços através de energia solar fotovoltaica e oficinas com as famílias sobre produção sustentável e gestão e uso das águas, desenvolvidos em três estados do Nordeste: Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

Segundo Wagner Gomes, Diretor de Negócios da Adel, as iniciativas com foco na segurança hídrica, buscam desenvolver junto com as famílias e lideranças comunitárias uma autogestão das águas. “Por meio de cursos e oficinas em operação e gestão das tecnologias socioambientais de acesso à água para consumo humano e produção de alimentos temos contribuído para avançar nestes modelos. Mas, é necessário que a gestão dos serviços rurais de abastecimento de água seja institucionalizada e regulamentada no país”, destaca.

Tecnologias Sociais de Segurança Hídrica implementadas no Semiárido Nordestino

O impacto das tecnologias sociais de acesso à água na vida dos moradores das comunidades rurais é imenso. A implantação das mesmas proporciona não só o acesso à água potável para consumo humano, mas também impulsiona a segurança alimentar e nutricional das famílias. Ao longo da sua trajetória, a Adel têm implementado junto com as famílias do Semiárido Nordestino, tecnologias apropriadas para superar dificuldades locais de acesso aos recursos hídricos visando a construção de uma convivência com o Semiárido cada vez mais sustentável e eficaz.

Listamos abaixo algumas das tecnologias implementadas:

Cisterna Telhadão – A cisterna “telhadão” é uma tecnologia de captação de água da chuva por meio de um telhado de 100m², em forma de galpão. O telhado capta a água da chuva e por um sistema de calhas e canos leva-a a uma cisterna com capacidade de armazenar 52.000L de água. A área coberta tem muitas utilidades. Os agricultores(as) usam para armazenar alimentos na forma de feno ou silagem, guardar as ferramentas, criação de pequenos animais, entre outros usos.

Cisterna “telhadão” para o armazenamento de águas pluviométricas implantada pela Adel em RN

Poço Profundo – O poço profundo é uma abertura feita no solo com a finalidade de captar água subterrânea. Os locais para perfuração dos poços são definidos a partir de um estudo de prospecção geofísica que identifica as áreas com maior potencial hídrico. Para iniciar as atividades, a Adel realiza o licenciamento de todos os poços junto aos órgãos responsáveis. Além de buscar autorização ambiental, que é fundamental para que o acesso ao recurso hídrico ocorra de forma sustentável. Após a perfuração dos poços profundos, o próximo passo é a implantação de sistemas de abastecimento de água para garantir o acesso aos recursos hídricos para consumo humano, produção de alimentos e inclusão social e produtiva.

Poço Profundo implantado pela Adel em RN

Poço Artesiano – Um poço artesiano é um poço tubular feito no solo para fins de extração de água, na qual sai dele jorrando naturalmente, por isso, ele também é chamado de poço jorrante. As causas mais frequentes para recuperação de poços artesianos são a falta de limpeza e manutenções periódicas, ruptura da coluna de revestimento do poço, alteração de características construtivas, funcionamento prolongado em regime inadequado, exaustão da reserva subterrânea e queda ou prisão de objetos. Essa ação atende aos anseios dos moradores destas localidades, beneficiando diretamente às famílias que necessitam do poço artesiano diariamente.

Poço Artesiano a ser restaurado pela Adel em RN

Dessalinização Solar – O dessalinizador solar é uma tecnologia social que tem proporcionado inúmeros benefícios socioeconômicos e ambientais, que possibilita segurança hídrica através do fornecimento de água potável, promove a transformação social frente a gestão dos recursos hídricos locais e utiliza a energia solar. A água que sai de muitos poços no interior do Nordeste tem bastante sais, tornando água ruim para consumo humano. A saída é usar um dessalinizador, o equipamento retira o excesso de sais da água através de um processo físico-químico, tornando-a doce e própria para o consumo. Cada agricultor tem direito a determinada quantidade de litros por dia. Assim os moradores que antes dependiam de outras fontes de água, agora têm acesso a água potável perto de casa.

Dessalinizador Solar implantado pela Adel em RN

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